sábado, 28 de março de 2020

Em reunião tensa, Mandetta ergue a voz a Bolsonaro: 'Estamos preparados para ver caminhões do Exército transportando corpos?'

Jair Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta
Jair Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta (Foto: PR | ABr)

Na mais tensa reunião já realizada pelo governo sobre os cuidados a serem tomados para combater o coronavírus, o ministro da Saúde elevou o tom e perguntou incisivamente ao presidente: 'Estamos preparados para ver caminhões do Exército transportando corpos'?

247 - O ministro da Saúde vai ganhando destaque, nem tanto por suas qualidade, mas por enfrentar Bolsonaro de maneira incisiva. Ao destacar, em reunião de emergância, que a pandemia de coronavírus não é uma “gripezinha”, ele apresentou cenários possíveis para a doença no Brasil e advertiu o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros que, se morrerem mil pessoas, será similar à queda de quatro Boeings.

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sublinha que "depois, perguntou: “Estamos preparados para o pior cenário, com caminhões do Exército transportando corpos pelas ruas? Com transmissão ao vivo pela internet?”
A matéria ainda acrescenta que "Mandetta fez um apelo para o presidente criar “um ambiente favorável” para um pacto entre União, Estados, municípios e setor privado para todos agirem em conjunto, unificar as regras e medidas e seguir sempre critérios científicos. Sugeriu, inclusive, a criação de uma central de equipamentos e pessoal, para possibilitar o remanejamento de leitos, respiradores e até médicos e enfermeiros de um Estado a outro, rapidamente, dependendo da demanda."
Fonte: Brasil 247

Justiça manda Bolsonaro suspender campanha “O Brasil não pode parar”


A juíza argumenta que a campanha que incentiva o fim do isolamento põe em risco do direito constitucional da população à saúde.

Liminar expedida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, neste sábado (28), determinou que o governo federal deixe de veicular em meios de comunicação a campanha publicitária “O Brasil não pode parar”, que defende a suspensão do isolamento social como estratégia para o combate à covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

A medida foi pedida ontem pelo MPF (Ministério Público Federal) e concedida pela juíza federal Laura Bastos Carvalho, no plantão judiciário.

A juíza argumenta que a campanha que incentiva o fim do isolamento põe em risco do direito constitucional da população à saúde e que sua adoção pode levar a um colapso da rede de saúde.
Segundo ela, a ordem é para que “a União se abstenha de veicular, por rádio, televisão, jornais, revistas, sites ou qualquer outro meio, físico ou digital, peças publicitárias relativas à campanha ‘O Brasil não pode parar’, ou qualquer outra que sugira à população brasileira comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas, emitidas pelo Ministério da Saúde, com fundamento em documentos públicos, de entidades científicas de notório reconhecimento no campo da epidemiologia e da saúde pública”.
Em caso de descumprimento por parte do governo federal, a juíza determina a aplicação de multa de R$ 100 mil.
Segundo a juíza, a campanha do governo federal coloca em risco o direito à saúde, especialmente dos mais vulneráveis —como idosos e a parcela mais pobre da população.
Com informações do UOL
Fonte: Revista Fórum

CNV E NEGROS - "MEMÓRIAS DA DITADURA"

Imagens do Google
Da ditadura militar herdamos não apenas o pensamento autoritário, mas também o aparato de repressão e violência. Os dados que temos sobre o século XXI assemelham-se às realidades de países que vivem em guerra. No mesmo ano em que a vereadora Marielle Franco foi brutalmente assassinada por forças ligadas ao Estado e às milícias, o Atlas da Violência de 2018 divulgou que, em dez anos, a taxa de homicídios de negros (pretos e pardos) aumentou em 23,1% no mesmo período em que reduziu os homicídios de pessoas brancas. Para o caso das mulheres negras, o aumento da violência letal cresceu em 71% em contraste com as mulheres não negras. Outras pesquisas anteriores já vinham apresentando essas disparidades alarmantes da violência racial.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016 revelou que, em 2015, o número de mortes violentas intencionais no Brasil foi de 58.492, destes, 54% eram jovens e 73% eram pretos ou pardos. Vítimas da violência sistêmica e estrutural, as famílias negras e pobres viveram o período democrático como se estivessem num regime de exceção, autoritário e sem liberdades civis. Em termos de violência, o país se dividiu em dois: um para brancos e outro para negros. Aqui o racismo estrutural funciona com uma cortina espessa que separa as vidas que importam daquelas que são descartáveis.
Fonte: Memória da Ditadura

Racismo e antirracismo no Brasil

A Frente Negra Brasileira (FNB) foi criada em 16 de setembro de 1931, na cidade de São Paulo. Formada por  negros filhos ou descendentes de ex-escravos, a Frente foi a maior associação do movimento negro da primeira metade do século XX.  Dentre os seus objetivos estava o fortalecimento dos laços de solidariedade social da população negra, a criação de estratégias de combate ao preconceito de cor e a garantia da integração dos negros à sociedade brasileira. A entidade foi extinta durante o Estado Novo, em 1937.

A questão racial na ditadura militar

O Teatro Experimental do Negro foi criado em 1944, no Rio de Janeiro, por Abdias do Nascimento. Retornado de uma viagem com amigos pela América Latina, Abdias convenceu-se de que não deveria haver no teatro espaço para o Black face, ou seja, era intolerável que brancos pintassem suas faces de preto para interpretar personagens negros. Com esse ideal, jovens negros passaram a formar artistas pretos e pardos para atuarem nos espetáculos. Mas o TEN não se restringiu ao teatro. Tratou também de ofertar cursos de alfabetização, fortaleceu uma rede de intelectuais negros e brancos, de ativistas, acadêmicos e artistas, editou o Jornal Quilombo e atuou fortemente nos processos eleitorais no Pós-Estado Novo. As atividades do TEN se encerraram por completo em 1968, quando Nascimento saiu do país, em exílio, durante o regime militar.

O Movimento Negro Unificado reuniu-se publicamente pela primeira nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, em 07 de julho de 1978. Inicialmente chamava-se Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial e contava com associações negras de diferentes partes do país, organizações antirracistas ligadas às esquerdas políticas. O MNU é hoje uma das organizações mais  antigas dos movimentos sociais brasileiros. São mais de quatro décadas de atividades na sociedade civil, sem interrupção, voltadas para a conscientização das discriminações e desigualdades étnico-raciais. Sem contar sua atuação persistente na luta contra o genocídio da juventude negras no país.