sábado, 26 de maio de 2018

Sala dos Advogados é inaugurada em Nova Cruz



A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte e a Caixa de Assistência dos Advogados do RN (CAARN), inauguraram, na manhã desta quinta-feira (24), a Sala dos Advogados José Cunha Lima, no Fórum da Comarca de Nova Cruz. A sala foi equipada com todo material necessário para atender os advogados.

Para o presidente da CAARN, o advogado Thiago Simonetti, a interiorização da estrutura da OAB é uma forma de fortalecimento da advocacia.

A inauguração do novo espaço, que foi acompanhada por advogados e familiares, foi realizada pelo presidente da OAB/RN, Paulo Coutinho; presidente da CAARN, Thiago Simonetti; presidente da Subsecção Goianinha, Glaydson Soares; e pelo diretor do Foro, juiz Márcio Silva Maia.

Sobre o homenageado:

Filho de Adauto da Cunha Lima e Emília Alves de Araújo, José Cunha Lima nasceu em Nova Cruz, em 10 de outubro de 1936 e se formou em Direito na Universidade Federal da Paraíba em 1978.


A cidade de Nova Cruz recebeu na última quinta-feira (24) o Prerrogativas em Exercício, iniciativa da Comissão de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia da OAB/RN que percorrerá cidades de todo o Estado, realizando reuniões, audiências, visitas, inspeções e palestras com o intuito de preservar a dignidade e valorização profissional dos advogados.

Na parte da manhã, o presidente da Seccional Potiguar, Paulo Coutinho, juntamente com os membros da Comissão, visitou a Cadeia Pública da cidade. Na ocasião, foram discutidas ações e melhorias com o diretor da unidade prisional, Felipe Barbosa. Durante a tarde, foi realizada uma Audiência Pública, no Fórum Municipal Djalma Maranhão, com a presença de advogados e advogadas que atuam nas imediações.

"Essa ação da Comissão de Prerrogativas possibilita mostrar à sociedade que as prerrogativas não representam privilégios dos advogados, mas garantias profissionais essenciais para defesa plena do cidadão”, disse o presidente da OAB/RN, Paulo Coutinho. 
Ao final das atividades, foram apresentadas as principais reivindicações e proposições dos advogados da região.
Ao final das atividades, foram apresentadas as principais reivindicações e proposições dos advogados da região.


"Tivemos a oportunidade de sentir os anseios dos  advogados do interior. Foram várias preposições, e elas constam em um documento que preparamos ao final da programação desta edição do Prerrogativas em Exércicio", explicou o presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia Deywsson Gurgel.
Confira na íntegra:
                                                                                        PROPOSITIVAS DE NOVA CRUZ/RN

A iniciativa “PrerrogATIVAS em Exercício”, promovida pela Comissão de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Seccional Rio Grande do Norte, em parceria com a Subseccional de Goianinha/RN, realizada nesta quinta-feira (24), na cidade de Nova Cruz, na exaltação das prerrogativas e em defesa da cidadania, tendo em vista o papel essencial pela Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, na representação dos interesses da sociedade, discutiu e decidiu:

1. Repudiar a tentativa de criminalização da advocacia pelo Ministério Público, no que concerne no oferecimento de denúncia em ações de improbidade administrativa, em desfavor de advogados pareceristas e na recomendação feita a entes públicos, para que contratações de advogados sejam submetidas à licitação;

2. Repudiar o provimento nº.: 68/2018, do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, e requerer providências do Conselho Federal da OAB;

3. Recomendar que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte – TJRN adote os mesmos procedimentos de pagamento de honorários contratuais e/ou sucumbenciais direto na conta bancária do advogado, bem como proceda da mesma forma referente ao pagamento de rpv´s e precatórios;

4. Tomar medidas judicias urgentes para combater a recomendação de nº.: 3/2017, do Ministério Público Federal, sobre a contração de advogados para ajuizar ações no sentido de reaver para prefeituras verbas do FUNDEF;

5. Requerer que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte – TJRN tome providências no sentido de que o protocolo integrado seja entre todas as comarcas do estado, e não apenas da comarca de Natal/RN as comarcas do interior;

6. Disponibilizar, à cadeia pública de Nova Cruz/RN: a) reestruturação aos parlatórios; b) construir uma sala de espera aos advogados; c) estudar junto a secretaria de justiça e cidadania a implantação de uma Sala de Teleconferência;

7. Entregar ao delegado das prerrogativas da comarca de Nova Cruz/RN formulários dos autos de violação de prerrogativas da advocacia;

8. Divulgar nova ferramenta em defesa das prerrogativas, sendo o aplicativo prerrogativas mobile.

Nova Cruz/RN, em 24 de maio de 2018.
Comissão de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia

Por: Wender Gomes

Fonte: OAB/RN

 Da esquerda: Dr. JOSÉ MORAES NETO se presente na Mesa da Audiência Pública




Adaptado pelo eduagreste.blogspot.com, em 26 de maio de 2018.

Fotos finais: Eduardo Vasconcelos.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS DO CPC/RN ATINGIRAM SEUS OBJETIVOS, CONFIRAM!

No encerramento todos os participantes receberam CERTIFICAÇÃO do evento
 Foto 1: Pte da Câmara de Nova Cruz, José Evaldo Barbosa na Abertura do EPC do CPC/RN e foto 2: Eduardo Vasconcelos - Pte do CPC/RN, falando da importância do engajamento de todos na luta pela cultura e na defesa dos nosso irmãos índios e negros.
 Prof JOÃO MARIA CAMPOS na abertura do evento e na sala de mídia palestrando para os participantes
 Entrega de brindes após sorteios entre os participantes - diretor do CPC, Washington a participante sorteada
Foto e 1 e 2: Professor Francinaldo Soares e Allan recebendo das mãos dos palestrantes, Verônica e Ivanildo Silva mais um brinde do CPC/RN.
Participantes sorteadas recebendo das mãos do Eduardo Vasconcelos e da palestrante, Verônica Silva mais brindes sorteados
 Os palestrantes/professores: IVANILDO SILVA, VERÔNICA SILVA e JOÃO MARIA CAMPOS, deram literalmente uma aula de conhecimento sobre os nossos irmãos negros e índios.
 Dos trinta convidados, apareceram 25, que participaram ativamente dos debates
 Professores Ivanildo e Verônica Silva
Professora e palestrante, VERÔNICA SILVA

Na abertura do encontro foi cantado por todos os presentes o "HINO "Pra não dizer que falei das FLORES!"

O Encontro de Políticas Públicas Culturais do CPC/RN, realizado hoje (25) no IFRN de Nova Cruz/RN, atingiram suas expectativas, pois dos 30 (trinta) convidados compareceram 25 (vinte e cinco), mas o nível do debate altamente elevado culminou com o sucesso.  Lembrando que vários municípios que iam participar, justificaram a não vinda antecipadamente por causa da greve dos caminhoneiros, que causou a falta de combustível em vários postos, inclusive em alguns interiores do Estado.

Tirando isso o sucesso do encontro foi total. Os temas abordados pelos palestrantes foram além das Políticas Culturais, abordaram as origens e importância dos nossos irmãos negros e índios, além da conjuntura atual. 

A mesa oficial foi composta por Eduardo Vasconcelos, presidente do CPC/RN; José Evaldo Barbosa, presidente da Câmara de Vereadores de Nova Cruz. Allan Dantas, representando o diretor geral do Campus do IFRN de Nova Cruz e João Maria Campos, dirigente do SINTE/RN.O cerimonial ficou a cargo do radialista e professor, Claudio Pereira de Lima.

No final ouve sorteios entre os participantes, agenda para os meses de julho, agosto e novembro do ano em curso, entrega dos certificados e aprovação de eventos para os meses de julho a dezembro do ano em curso. Sendo o próximo evento será na cidade de Baía Formosa (litoral sul) e Natal. Datas a serem definidas em reunião da direção do CPC/RN.

Entidades participantes: CPC/RN, SINTE - Nova Cruz, STRAF-Nova Cruz, Conselho Tutelar de Nova Cruz, Universitários/as da UFRN e UNOPAR.

Apoio: SINTEST/RN, SINTE/RN, SINAI/RN, STRAF-NOVA CRUZ, Rádios Agreste FM e, ADURN, APURN, SINDHOLEIROS/RN, CTB/RN, SENALBA/RN, ADUERN, SINTE - REGIONAL DE NOVA CRUZ, SINTRAMACOMM, IFRN Campus de Nova Cruz,IFRN da Salgado Filho-Natal, UEE/RN, DCEs da UFRN e UERN, PMNC, Secretarias Municipais de Nova Cruz: Educação, Saúde, Administração, Assistência Social, SEBRAE - Nova Cruz, Gráfica Princesa do Agreste,entre outros/as.

Fotos/créditos de Iris, Claudio Lima, Daniele e Eduardo Vasconcelos.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

É AMANHÃ (25)!!! O ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS DO CPC/RN!!! NO IFRN DE NOVA CRUZ/RN!

Contagem regressiva! É nesta sexta-feira (25) 0 ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS DO CPC/RN. O e evento acontecerá no Auditório do IFRN de Nova Cruz/RN. Foram inscritos 60 pessoas, entre artistas culturais e estudantes universitários e profissionalizantes! Os palestrantes JOÃO MARIA CAMPOS e VERÔNICA SILVA, professores habilitados para o tema!  O evento está previsto para iniciar as 8h e 30m. Com Apresentação Cultural, Mesa oficial, debates, parada para o almoço, apresentação cultural, aprovação de propostas e entrega de certificados.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Temer assina MP para extinguir Fundo Soberano, a “poupança” do Brasil

Foto: Palácio do Planalto
Desmonte: Temer quer usar a reserva brasileira, criada logo após o início da exploração do pré-sal, para reequilibrar as contas públicas.
O governo de Michel Temer anunciou, na noite desta segunda-feira (21), que editou uma Medida Provisória (MP) para extinguir o Fundo Soberano do Brasil (FSB), que funciona como uma espécie de “poupança” para o país em tempos de crise. A MP, de acordo com a assessoria do governo, será publicada nesta terça-feira (22) no Diário Oficial da União.
O objetivo de Temer, ao extinguir o fundo, é utilizar os recursos para reequilibrar as contas públicas.
Como se trata de uma Medida Provisória, a extinção da reserva entra em vigor com a publicação do ato, mas pode ser revertida caso o Congresso não aprove a a MP em até 120 dias.
O Fundo Soberano foi criado logo após o anúncio da exploração do pré-sal, em dezembro de 2008, durante o segundo mandato do ex-presidente Lula, seguindo os mesmos objetivos dos fundos soberanos de outros países: de utilizar parte dos recursos de empresas nacionais, como o caso da exploração do petróleo pela Petrobras, como um instrumento financeiro montado para combater os efeitos de eventuais crises econômicas e ajudar em projetos estratégicos do país.
Fonte: REVISTA FÓRUM

Eleições 2018: para a mídia, o que não pode na Venezuela, pode no Brasil. Por Suzana Miotti

Mônica Waldvogel manda emojis de cocô para Jabor
POR SUZANA MIOTTI
Um paiseco da América do Sul, seguindo a sua Constituição, resolveu realizar eleições neste ano de 2018 para presidente.
O atual governante, cujo partido está no poder há aproximadamente três décadas, em conjunto com os poderes Legislativo e Judiciário, após seguirem um processo jurídico, que especialistas internacionais alegam estar sendo tendencioso, decidiram deixar os principais opositores na cadeia.
Impediu-os de participar do pleito e colocou o pleito sob suspeição pelas principais potências ocidentais. 
Sanções econômicas ajudarão a aumentar a agonia desse povo, que já sofre com o aumento dos custos básicos de vida como, por exemplo, gás, gasolina e alimentos. 
Não, não é a Venezuela. É o Brasil do MDB, de Temer e da Globo.
Todos os argumentos citados acima são utilizados para descrever o regime bolivariano.
Maduro foi reeleito através do voto popular, livre, secreto e pessoal.  
O MDB, por sua vez, ocupa o cargo de presidente ou vice-presidente da República desde a redemocratização, no final da década de 1980.
E, para continuar no poder em 2019, articula com antigos aliados como PSDB, DEM, PP, entre outros. E, também com ministros do STF. 
Desse modo, conseguiram trancafiar o principal líder oposicionista do país, Lula.
Sim, ele sofreu um processo que respeitou os trâmites legais que, estranhamente, foi mais célere do que em outros casos, como o do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo.
Mas por acaso o Judiciário venezuelano não respeitou os seus trâmites legais ao prender liederanças da oposição?
Muitos podem contestar as prisões venezuelanas chamando-as de abusivas — mas e as prisões cautelares de mais de dois anos do juiz Sergio Moro, não o são?
Em resumo, é impressionante como os argumentos utilizados pela mídia para criticar o modus operandi de Maduro e companhia servem para o Brasil.
Afinal de contas, o que não pode lá, pode cá?
Porque, ironicamente, respeitando as especificidades de cada país, a situação do Brasil e da Venezuela são parecidas. A começar pelo cerceamento político de seus opositores.
Fonte: DCM

Lula: “Ciro tem mais a receber do que a dar ao PT”. Por Marcelo Auler


Publicado originalmente no blog do autor
POR MARCELO AULER
A decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de antecipar para o próximo domingo (27/05) atos públicos defendendo a sua pré-candidatura à presidência da República – “em todas as cidades onde existir um núcleo do PT, independentemente do número de militantes que se reunir”, como explicou o deputado Wadih Damous – é uma resposta aos petistas que falam em um acordo político com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Isto acontece, em especial, com governadores do nordeste que buscam a reeleição.

No entendimento de Lula, Ciro Gomes “tem menos a oferecer aos candidatos petistas do que a receber deles” em uma aliança eleitoral. Entre petistas há o entendimento de que o pedetista busca uma vaga no segundo turno das eleições de outubro, o que ainda não conseguiu garantir. Ainda assim, ele fala em retirada da candidatura de Lula ou até mesmo de outro petista. O petista não tem intenção de receber, pelo menos por enquanto, o pré-candidato e a direção do PDT na cadeia.
Lula, nas conversas que mantém com os que o visitam, não esconde a irritação com aqueles que pensam em desfraldar a bandeira da aliança com o pedetista.  Desconsideram que ele, mesmo preso há mais de um mês, continua à frente – com larga margem de diferença – na opção dos eleitores. Já Ciro Gomes, como mostrou a última pesquisa eleitoral CNT/MDA, não ultrapassou ainda Marina Silva, da Rede.
Pela pesquisa, no cenário em que Lula é incluído como candidato, desponta com 32,4% das intenções dos votos enquanto Jair Bolsonaro (PSL) fica em segundo com o apoio de 16,7%. Em terceiro lugar surge Marina com  7,6% e Ciro Gomes, ainda que empatado tecnicamente com ela já que a margem de erro é de 2,2 pontos, aparece com apenas 5,4%.
Quando Lula é retirado da ficha apresentada aos eleitores, Ciro Gomes sobre para 9% mas ainda assim fica atrás de Marina, com 11,2%. Ou seja, em ambas as hipóteses ele ainda não garantiu a presença no segundo turno. Os candidatos petistas também ficam bem atrás: Fernando Haddad (PT), por exemplo, limita-se a 2,3%.
Isto, porém, não assusta os petistas. Para alguns deles,  mesmo que a candidatura de Lula venha a ser impugnada por causa de sua condenação e da Lei da Ficha Limpa, não se deve descartar o seu poder de transferência de votos. Tal como aconteceu nas eleições de Dilma Rousseff – 2010 e 2014 -e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012. Logo, acreditam que há chances concretas de um petista indicado por Lula chegar ao segundo até com mais facilidade do que o pedetista.
O lançamento da campanha no próximo domingo faz parte do plano de manter Lula na liderança das pesquisas para que ele, no mínimo, influencie e ajude algum candidato petista mais lá na frente. Já há quem esboce até o slogan da campanha: “PT no governo é Lula de volta ao poder”.
Terão que convencer aqueles que viram no governo de Dilma a pouca influencia que o ex-presidente Lula teve.
O recado de Lula à militância foi repassado por Damous. Este, depois de ter sido impedido pela juíza Carolina Moura Lebbos de atuar como advogado de Lula por ser deputado federal, ontem conseguiu ingressar na Polícia Federal de Curitiba, na condição de advogado do ex-presidente, após uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em um Habeas Corpus impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná. Foi uma das poucas decisões do tribunal contrariando decisão do juízo de primeira instância do Paraná.
Das proibições e impedimentos criados pela juíza que cuida da execução da pena de Lula, permanece a de não admitir uma diligência da Comissão especial criada pela Câmara dos Deputados. Contra isso, o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas nenhuma decisão foi tomada ainda.
Ao deixar a Polícia Federal no final da manhã desta segunda, Damous explicou aos participantes da Vigília Lula Livre que o ex-presidente  pediu aos movimentos sociais, a militância e lideranças políticas que se mobilizem em todos os estados do país para defenderem sua pré-candidatura à Presidência da República no próximo dia 27:
“O presidente Lula pediu que enfatizasse a todos vocês que no dia 27 de maio, é muito importante que cada cidade brasileira, cada comitê e cada diretório do PT se organizem para lançar sua pré-candidatura. Vamos deixar claro que Lula é o nosso candidato à Presidência da República”, afirmou Wadih.
Lula também rechaçou com veemência a proposta surgida de que lhe seja concedido um indulto. Como alega inocência e uma condenação sem provas, ele rejeita tal possibilidade.
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

sábado, 19 de maio de 2018

O golpe no cinema - "VOLTA DILMA!" - EDUARDO VASCONCELOS - RADIALISTA E ATIVISTA - CPC-RM

Divulgação
Créditos da foto: Divulgação

O Processo chega às telas depois de premiações e pré-estreias ruidosas. Além dele, nove documentários já mostraram ou estão prestes a revelar outros ângulos do golpe de 2016

por Carlos Alberto Mattos  
 
O filme-evento de Maria Augusta Ramos começa hoje o seu teste mais importante, que é a exibição ampla para um público diversificado, com visões diferentes a respeito do impeachment de Dilma Rousseff. Até agora O Processo tem sido apreciado por plateias especialmente motivadas, seja em festivais ou em pré-estreias seguidas de debate. 
 
A maioria dessas sessões especiais tem se transformado em manifestações de repúdio ao golpe e à prisão de Lula. Em Brasília, por exemplo, o foyer do Cine Brasília fervilhava de slogans, faixas e palavras de ordem antes que o público adentrasse a sala entoando "Olê olê olê olá, Lula, Lula!". O mesmo canto ecoou pelas dependências de um shopping center na paranaense Londrina, quando os espectadores saíram do filme em passeata. Em Recife, a plateia lotada do Cinema São Luiz só sossegou para o início da projeção quando alguém gritou “quem fizer barulho é golpista!”. Mas enquanto o filme corria na tela, os protestos voltavam a reboar, agora com xingamentos dirigidos aos protagonistas do golpe.     
 
Não é comum ver as pessoas chorando ao final das sessões, ou mesmo impactadas sem ter como expressar sua indignação perante o que acabaram de ver. Assim tem sido também nas exibições em terra estrangeira. "As pessoas ficam estupefatas", conta Maria Augusta. "Muita gente achava que tudo tinha sido um processo normal. Na mídia lá fora, com algumas exceções, a narrativa do impeachment foi uma extensão da mídia brasileira". A diretora vê, nesse reconhecimento internacional, também uma demonstração de que seu filme não lida com um tema apenas da política brasileira, mas da crise da democracia no mundo. "Estamos falando de pós-verdade, intolerância, polarização, que estão hoje na pauta mundial". 
 
O Processo já é o filme brasileiro mais premiado do ano no exterior. Ganhou um dos principais festivais de documentários do mundo, o suíço Visions du Réel, o Documenta Madrid e, no IndieLisboa, o prêmio de público e do júri Silvestre, dedicado a filmes de linguagem inovadora. Tudo isso depois de ficar em terceiro lugar entre os preferidos do público na seção Panorama Docs do Festival de Berlim. Foi exibido, ainda, no festival Hot Docs, de Toronto. 
 
Essas premiações atestam que O Processo não é bom apenas por contar o lado certo da história, mas porque tem a qualidade que se espera dos grandes documentários (leia aqui minha resenha).  
 
Os que já tiveram alguma exibição
 
O filme de Maria Augusta Ramos não foi o primeiro nem será o último a levar para as telas o acontecimento político mais vergonhoso da nossa história recente. O que mais cedo se apresentou ao público foi Filme Manifesto – O Golpe de Estado, da paulista Paula Fabiana, ainda em março de 2017. A intenção da diretora foi organizar uma memória dos fatos e reações da militância no período compreendido entre as manifestações de 2013 e o impeachment de Dilma, seguido dos primeiros brados de “Fora Temer”. Registros de TV do Congresso se mesclam com cenas gravadas nas ruas, em atos públicos, passeatas e ocupações. Predomina o ponto de vista do participante, a câmera se "virando" para se aprumar e conseguir um bom ângulo (leia mais sobre esse filme).
 
O canal de televisão Arte produziu e já exibiu Brasil: O Grande Salto para Trás (Brésil: Le Grand Bond en Arrière), das diretoras Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux, que tem como âncora o ator e escritor Gregório Duvivier. Ele fez entrevistas (inclusive com Dilma), integrantes de acampamentos do MST e beneficiários de programas sociais para mostrar, com humor crítico, um país mergulhado no retrocesso. Veja o filme completo em versão alemã com legendas em português.
 
A Vigília Lula Livre, em Curitiba, assistiu recentemente à estreia de Tchau, Querida, documentário produzido pelos Jornalistas Livres. Apesar do inequívoco posicionamento do grupo contra o impeachment, este é um dos filmes que se dispõem a mostrar os dois lados da polarização. Dirigido pelo documentarista Gustavo Aranda e pelo jornalista Vinícius Segalla, é narrado por quem estava do lado de fora do congresso, contra ou a favor do que acontecia lá dentro. “O espectador vai tirar suas conclusões sobre todo o processo. Não buscamos identificar qual lado estava certo. O filme busca ser um registro de um momento, um instantâneo de um país que se dividia em campos antagônicos”, afirma Aranda. Veja aqui o trailer.
 
A polarização é o mote também de O Muro, de Lula Buarque de Holanda, exibido no último Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, e com estreia marcada no Canal Curta! para 29 de junho, às 22h30. A sinopse diz assim: "Nas manifestações em 2015 no Brasil contra e a favor da então presidente Dilma Rousseff, o diretor Lula Buarque e a roteirista Isabel de Luca procuram destacar a voz das pessoas e suas opiniões sobre a política nacional. Para eles, o diálogo é tudo, já que na falta dele são construídos muros". Para repercutir mais amplamente o seu tema, o filme enfoca ainda o antigo Muro de Berlim e grupos e famílias segmentados pelas muralhas da Cisjordânia.   
 
Exibido até agora somente no Festival de Havana, em dezembro último, Esquerda em Transe tem o DNA de seu realizador, Renato Tapajós, um veterano documentarista das lutas sindicais e dos movimento sociais (Linha de Montagem, Chão de Fábrica). Seu novo filme narra o impeachment a partir da visão do povo. A votação na Câmara, por exemplo, é contada através das expressões e gestos da multidão que se reuniu em Brasília diante da transmissão simultânea num telão. 

 Cena de Esquerda em Transe , de Renato Tapajós
"Embora a narrativa central seja o processo que leva ao impeachment, visto pelos movimentos populares, há uma segunda linha narrativa que discute o papel da esquerda nisso tudo, destacando principalmente seus erros. Nesta discussão sobre o papel da esquerda no processo há a presença de pessoas como a Marilena Chauí, o Guilherme Boulos, o Jessé de Sousa, o (João Pedro) Stédile e alguns meninos do Levante Popular da Juventude", esclareceu Tapajós ao Almanaque da jornalista Maria do Rosário Caetano. E prosseguiu: "Cabe, portanto, dizer que o nosso filme tem lado, é frontalmente contra o impeachment e não está muito interessado nas manobras daqueles que vivem dizendo que 'respeitaram a Constituição'”. Assista a um teaser do documentário.
 
Os totalmente inéditos
 
Ainda completamente inéditos estão quatro outros longas-metragens que prometem completar o mosaico audiovisual do golpe. Dois deles têm à frente diretoras de sucesso, Anna Muylaert e Petra Costa. 
 
Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?, Mãe Só Há Uma) dirigiu Alvorada em conjunto com Lô Politi (diretora tarimbada em publicidade e que trabalhou com o marqueteiro João Santana na campanha de Dilma) e o uruguaio-brasileiro César Charlone, fotógrafo de Cidade de Deus. Ainda em processo de montagem, Alvorada registrou o período em que Dilma esteve suspensa da presidência, entre o afastamento temporário e a saída definitiva. Naqueles cento e poucos dias, a equipe acompanhou a rotina do Palácio da Alvorada, acercou-se de Dilma e narrou sua resistência e de seus aliados na luta contra o impeachment.
 
Já Petra Costa (Elena, Olmo e as Gaivotas) abriu um arco mais amplo para seu documentário. Desde março de 2016 ela vem registrando os muitos desdobramentos do golpe e dos ataques à democracia brasileira. Com o título provisório de Impeachment: Dois Pesos, Duas Medidas, seu filme inclui entrevistas com políticos e advogados, registro de protestos (dos dois lados) e o enfoque de "cenários paralelos" que culminaram com a crise atual. “Meu objetivo é investigar como chegamos a esse ambiente de hoje, tão polarizado, em que o país está virando do avesso. É como se descobríssemos que nossa democracia é feita de uma estrutura muito fina, que estava sendo corroída por ratos”, disse a diretora ao jornal El País. 

Cineasta Petra Costa

O covil da Câmara dos Deputados – e um pouco do Senado – foi esquadrinhado pelo documentarista Douglas Duarte (
Personal Che, Sete Visitas) entre fevereiro e maio de 2016 (antes, portanto, do período coberto pelas gravações diretas de O Processo) no filme ironicamente intitulado Excelentíssimos. Afora duas entrevistas, com Carlos Marun e Sílvio Costa, tudo o mais é observação dos rituais do Congresso, incluindo o comportamento de Eduardo Cunha durante as discussões do impeachment. 
 
Duarte inseriu um prólogo retrospectivo desde a reeleição de Dilma, com materiais bem pouco conhecidos, mostrando que as mobilizações pelo golpe começaram apenas quatro dias após o segundo turno em 2014. "Quero deixar bem claro que o golpe partiu do PSDB. O Temer é apenas um ótimo vilão", afirma o cineasta. Excelentíssimos está em fase final de edição pela montadora Lia Kulakauskas e deve entrar em cartaz ainda antes das próximas eleições.
 
O panorama se completa com o documentário gaúcho Já Vimos Esse Filme, de Boca Migotto (Filme sobre um Bom Fim, Pra Ficar na História). Através de depoimentos de pessoas da sociedade civil de Brasília e Porto Alegre, o filme quer discutir o sistema eleitoral brasileiro, a corrupção, a operação Lava-Jato, os interesses econômicos e ideológicos, o preconceito e os papéis da grande mídia, do Poder Judiciário, do Ministério Público e das redes sociais no contexto do impeachment. Produzido por um coletivo em defesa da soberania popular, Já Vimos Esse Filme pretende tecer paralelos entre a situação política atual e as de 1954 com Vargas e de 1964 com Jango. De acordo com os produtores, a motivação para a realização do documentário é "registrar para as gerações presentes e futuras as semelhanças entre os golpes políticos ocorridos no Brasil e a fragilidade da formação democrática da sociedade brasileira." Veja o trailer.
 
A convergência de todos esses trabalhos representa um dos grande momentos de atuação do cinema como documentação da História brasileira no ato mesmo em que ela acontece. Para o presente, eles funcionam como esclarecimento e catarse. Para o futuro, serão documentos definidores de como essa quadra histórica será lembrada, com seus verdadeiros heróis e vilões. 

Fonte: Carta Maior