Ao largo do politiquês praticado nos corredores do Congresso Nacional e nas atividades dos movimentos sociais, a sociedade anda perplexa pela falta de respostas aos seus principais dramas. Seja porque ainda não entendeu as saídas que se apresentam, seja porque nenhuma saída foi apresentada até agora. Além disso, milhares de pessoas vão sentindo-se órfãs por não sentirem mais seus anseios amparados na política tradicional. São dias difíceis para o nosso povo.
Há uma forte crise de perspectiva na população brasileira. Incendiada pelo monopólio inconstitucional da mídia, a narrativa reacionária e golpista se instalou com muita força e vai ganhando espaço a cada dia. Em busca de criar alguma legitimidade para tirar no tapetão o mandato da presidenta Dilma, a grande mídia aumentou seu potencial corrosivo e destila ódio contra a coalizão progressista que governa o país desde 2003, estimulando a mesma prática na população.
A onda golpista não encontra reação à altura. Desde o episódio do chamado “mensalão”, em 2005, o paradigma da ética que setores da esquerda construíram ao longo de trinta anos foi arranhado. Diria até perdido. A agenda desenvolvimentista de geração de emprego e políticas de distribuição de renda, no entanto, mantiveram até o ano passado outro forte paradigma construído nas últimas três décadas: o da representação dos anseios das classes populares. Foi essa identidade que garantiu a vitória nas últimas quatro eleições presidenciais do campo hoje liderado por Dilma. Mas repito, o prazo dela venceu em 2014.
A crise do capitalismo que vem impondo recessão a todos os países tem posto esse segundo paradigma abaixo. Embora todo esforço da presidenta Dilma em manter a implementação das políticas sociais no seu governo, a crise chegou e já alterou os indicadores econômicos e sociais que vinham sendo realizados ao longo desses 12 anos. Temas como desemprego, diminuição do PIB e outros voltaram à tona e, sobretudo, às manchetes da grande mídia, que se utiliza disso diariamente para desestabilizar o governo.
Não bastasse, a oferta governamental não é nada agradável. A fim de acertar as contas do Estado e garantir sua arrecadação, as medidas oferecidas em torno do “ajuste fiscal” pesaram mais no bolso já fragilizado do trabalhador. Amplificado pelas manchetes produzidas diariamente pelo monopólio da mídia, o governo e a presidenta seguem perdendo aprovação popular, enquanto paralelamente as organizações de esquerda vão perdendo a principal identidade que mantinham com a população. Num contexto de várias crises entrelaçadas, disso deriva a de perspectiva que o povo sofre.
Abriu-se uma lacuna de representatividade política na sociedade. Em busca de ocupá-la, algumas agremiações pouco interessadas em enfrentar os problemas centrais esmeram-se no oportunismo. Ora surgem os que entendem que o problema é particular do governo e buscam surfar na onda de critica a ele condenando seu “ajuste fiscal”, ora aparecem outros que miram toda sua artilharia para unicamente pedir a saída ou renúncia de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Enquanto isso, a direita passa incólume das manchetes do Partido da Imprensa Golpista (PIG) e das palavras de ordem de alguns movimentos. E, por outro lado, nem partidos da base do governo, nem a direita e nem os oportunistas cresceram em números de filiados ou de influência na sociedade. Até aqui, quem arrebanhou número significativo de novos membros foi a “Rede” de Marina Silva.
Na UJS aprendemos a canalizar a ousadia da juventude para a disputa real da sociedade. Entendemos que apesar das contradições o que há de mais avançado e viável é a manutenção do mandato da presidenta Dilma. E que precisamos lutar pela implementação do projeto que a elegeu. É necessário conquistar o povo para lutar por outra política econômica, que tenha como foco principal a taxação das grandes fortunas, e reverter a onda neofascista e golpista pautando e conquistando mais direitos.
Essa onda atinge a todos nós que lutamos pelo aprofundamento da democracia no país. E só numa ampla e unitária frente de luta conseguiremos reverter esse cenário adverso.
Fonte: UJS Nacional

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