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terça-feira, 30 de janeiro de 2018
'Eles não têm a força da razão, por isso vão se apoiar na razão da força', afirma Amorim
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Em sua participação durante o Ato de Juristas e Intelectuais em Defesa da Democracia, o diplomata Celso Amorim falou sobre o golpe e o avanço da direita não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Dada a importância de suas reflexões, Carta Maior publica a degravação da fala do diplomata |
Em sua participação durante o Ato de Juristas e Intelectuais em Defesa da Democracia, ocorrido em 21 de janeiro, em Porto Alegre, o diplomata Celso Amorim falou sobre o golpe e o avanço da direita não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina.
Dada a importância de suas reflexões, Carta Maior publica a degravação da fala do diplomata, gentilmente realizada e cedida por Vera Vital Brasil. Confira abaixo:
Discurso de Celso Amorim durante o ato de juristas e intelectuais em defesa da democracia
Porto Alegre, 21 de Janeiro de 2018
Queria cumprimentar meus companheiros de mesa que expressam tão bem a solidariedade que é fundamental na América Latina, a presença aqui do nosso grande deputado Chinaglia. Arlindo Chinaglia que foi presidente da Câmara [dos Deputados] que não era de subserviência, a Câmara era de soberania popular.
Esse momento é muito emocionante. Primeiro, por eu ter vindo ao Estado do Rio Grande do Sul em um momento fundamental como esse, que nos faz lembrar a legalidade, porque essa também é uma luta pela legalidade. Portanto, temos que criar no Brasil todo, na América do Sul toda, uma cadeia de legalidade para impedir que os golpes que ocorreram aqui prosperem. Para impedir que o presidente dos Estados Unidos da América, que é o país mais poderoso do mundo, diga que a opção militar não está excluída no caso da Venezuela.
Isso é um absurdo, uma coisa que há 60 anos, desde o bloqueio de Cuba, eu nunca ouvi em relação a um país latino americano. Claro que isso foi praticado de maneira disfarçada, mas eu nunca ouvi dizer que a opção militar estava aberta em relação a um país sul-americano. E a América do Sul não fez nada, porque não tem líderes. Era para ter uma reunião da UNASUL, da CELAC, para denunciar isso. Existem mecanismos para proteger a Venezuela. Não queremos que a Venezuela seja o Vietnam da América Latina. Não podemos deixar, porque a agressão à Venezuela é uma agressão a todos nós. É agressão ao Brasil. É agressão à Argentina. É agressão ao Uruguai. Nós temos que defender a Venezuela porque é um país irmão. Temos que impedir essa ideia louca do uso da força contra um país sul americano.
Digo isso, com certa autoridade, porque trabalhando com o presidente Lula, eu tive muitos diálogos com o presidente Chávez. Nem sempre a gente concordava em tudo, nos métodos, mas a gente conversava e dialogava. Vocês permitam que eu faça uma confidência, já faz tempo, ele não está mais no poder. O nosso querido amigo presidente Correa, que também nos apoia, contou um diálogo que teve com o presidente Chávez, quando a relação entre Brasil e Equador estava um pouquinho complicada, por uma questão de financiamento. Ele estava conversando [sobre o tema] e o Chávez lhe disse: “Pero Rafael, con Lula, uno no pelea. A Lula uno pide consejos”.
Isso mostra muito bem, inclusive, essa vocação verdadeiramente mundial e que é possível sensibilizar, mas não com ameaça, não com a atitude que o governo brasileiro atual teve e o próprio chanceler reconhece que o Brasil não pode mediar e facilitar porque o Brasil tem partido. Depois ele dizia, Chinaglia, que a atuação política era apartidária.
O Lula conversava com o Chávez, mas conversava com o Uribe também (...). Nós conversamos muito, respeitando naturalmente a soberania venezuelana; mas também persuadindo quando era necessário persuadir. Não pela força da pressão, mas pela força da razão, porque essa era a força que o operário tinha e que esses que estão no poder hoje não têm. Eles não têm a força da razão, por isso vão cada vez mais se apoiar na razão da força.
O que estamos vendo no Brasil hoje, o perigo de luta na região, é esse avanço da extrema-direita. O avanço do fascismo não só no conteúdo, mas na forma. Essas conduções coercitivas que levaram à prisão sem cabimento e ao suicídio de um reitor numa universidade, as invasões de universidades, o apoio a movimentos golpistas – e são tantos por aí que não quero nem mencionar –, tudo isso me deixa preocupado em relação ao futuro da América Latina.
Coincidências?
Perguntaram-me ali na entrada: o senhor acha que tudo isso é uma conspiração de Washington? Eu já repeti isso, as pessoas me dizem ‘você tem que parar de se repetir’, mas alguma coisa você tem que repetir porque é verdade. Eu me lembro de um humorista brasileiro, grande humorista Millôr Fernandes, que na época da ditadura militar dizia: ‘o fato de eu ser paranoico não quer dizer que eu não esteja sendo perseguido.’ Bom, o fato de eu não acreditar em teoria conspiratória não quer dizer que algumas delas não sejam verdadeiras.
Ou é tudo coincidência? É coincidência o apoio do poder econômico à vitória do Macri na Argentina? É coincidência o golpe parlamentar no Brasil? É coincidência a declaração do Trump sobre o uso do poder militar na Venezuela? Tudo isso é coincidência? Não acredito que tudo seja coincidência. Não é possível. Quem quiser que acredite em coincidência (...) O que que eles atacaram? Atacaram o nosso petróleo, atacaram nossa energia nuclear, atacaram nossa capacidade de investimento nas Forças Armadas, atacaram também a nossa saúde, os direitos dos trabalhadores. Então, eles estão tratando de destruir o país.
Por que isso tudo aconteceu? Não foi só por causa do Brasil, não. As pessoas falam muito no Brasil sobre a capa da revista inglesa The Economist com a estátua do Cristo Redentor subindo. Mas não foi essa [capa] que causou problema em Washington ou em outros centros. Foi uma outra capa que mostrava a América do Sul, usando a convenção que existe de cabeça para baixo – com o Norte em cima e o Sul embaixo – e o título “Não é mais colônia de ninguém”.
Na realidade [o título] dizia: ‘Ya no és el patio trasero de nadie’, porque nós tínhamos feito a União Sul-americana, criada pela primeira vez em 200 anos de história. Fora o caso do futebol ou de outro esporte, não havia nenhuma organização sul-americana. E nós a fizemos! Com o presidente Chávez, a presidenta Kirschner, o Presidente Uribe, na época era o Tabaré e depois continuou com o Mujica. Nós trabalhamos intensamente pela unidade sul-americana e pela unidade latino-americana.
É uma vergonha que os Estados Unidos estejam expulsando duzentos mil salvadorenhos, que estejam insistindo em fazer um muro para impedir a entrada de mexicanos e que nós sul-americanos, latino-americanos, não estamos fazendo nada. Onde estão os nossos líderes, gente? Não há líderes! Nossos países estão acéfalos! Nossos países estão sendo diariamente destruídos. No caso do Brasil, é todo dia em relação a Petrobrás, a Embraer.
Essa coisa de privatização é conversa fiada, conto de fadas, porque não tem nenhum empresário brasileiro, não tem mais um Ermínio de Morais para comprar a Embraer. É a Boeing! Não tem ninguém. São todas empresas estrangeiras. Por trás da palavra privatização, na realidade, o que existe é desnacionalização. É um ataque à soberania do nosso país. E não é só aqui.
Eu sempre disse e digo sem demagogia: o Brasil não estava interessado na integração da América do Sul só porque era bonzinho, não. Claro que nós temos solidariedade com nossos amigos e nossos irmãos. Temos fronteiras com tantos países. E mesmo com aqueles que não temos fronteiras, nos sentimos fronteiriços, como é o caso do Equador e do Chile. Não é só por uma questão de solidariedade, mas porque hoje nós vivemos em um mundo de grandes blocos.
A China é um grande bloco em si mesmo. A União Europeia tem os problemas dela, mas é um grande bloco. Os Estados Unidos são um bloco também em si. O Brasil é um país grande, um grande país, mas sozinho, ele não é um bloco. Agora, a América do Sul é um bloco. A América do Sul e a América Latina mostraram que a soberania não era referida só no sentido estritamente nacional, mas de toda a região, dos trabalhadores de toda a região. Isso assustou. Assustou muito.
Então, se o que nós todos estamos falando é teoria conspiratória, eu não sei. Eu não vou fazer igual ao outro [que diz] ‘não tenho provas, mas tenho convicção’. Não é isso não. Mas o raciocínio político é que, de fato, há uma ação determinada para nos subjugar. E nós não vamos aceitar.
Eu queria dizer duas ou três coisinhas mais. Eu estava falando, até criticando a nossa grande presidenta Gleisi [Gleisi Hoffmann, presidenta do PT] porque falou dos mortos, mas ela... eu não sei em que sentido, agora... haverá mortos, sim. Não porque a gente vá praticar a violência, não é isso. Nós somos pacíficos. Mas haverá mortos de fome e haverá mortos de vergonha.
Eu queria lembrar uma coisa que ficou muito viva. Quando a gente está no colégio aprende aqueles hinos todos, que é tudo na ordem sintática inversa, a gente não entende nada, fica cantando sem saber direito o que está cantando. Eu lembro que a minha professora de português perguntava sempre quem era o sujeito da primeira frase do Hino Nacional Brasileiro. Ninguém sabia. Mas teve um verso que marcou muito a minha geração no combate à ditadura. Ele se aplica à América do Sul e à América Latina como um todo: “ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”.
Clique aqui e assine o manifesto Eleição Sem Lula é Fraude!
Lula 'Uma ofensiva conservadora tenta anestesiar o país'

Por Pablo Gentili
O secretário de Clacso, Pablo Gentili, reconstruiu um dia que será fundamental no Brasil e região: 24 de janeiro, quando a Justiça deixou Lula perto de não poder candidatar-se à presidência. Aqui suas conversas com Lula nos momentos anteriores e depois do fracasso dos juízes de Porto Alegre
Por Pablo Gentili, para o Página/12
Lula apoia seu rosto sobre a mão esquerda. Não parece cansado, embora todos ao seu redor estejam exaustos depois de semanas de tensão e nervosismo. Faltam algumas horas para que o Tribunal Regional Federal confirme a sentença do juiz Sérgio Moro. Lula se mostra realista e assume a missão de manter o ânimo entre seus familiares, colaboradores e amigos. Sempre foi assim. Nos momentos mais difíceis de sua gestão como presidente, ele chegava ao Palácio do Planalto e quando via alguém abatido dizia: “que cara é essa? Não me diga que você está lendo os jornais”. Logo, soltava uma imensa gargalhada, contagiosa, balsâmica, reparadora. Era o Lula presidente, o que apoiava, consolava e animava todos. Continua sendo assim.
Como Lula, os que o acompanham neste 24 de janeiro no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista sabem que estão assistindo a crônica de uma sentença anunciada. Se repete a farsa jurídica iniciada pelo juiz Sérgio Moro, com quem o ex-presidente teve diálogos que envergonhariam a Kafka e seriam a inveja dos Irmãos Marx. Um juízo no qual não há nada o que provar. Tudo o que tiver que ser atribuído a Lula já está dado como certo através do artifício jurídico da convicção do juiz, do chamado “domínio do fato”, do desprezo ao devido processo e da indolente pretensão de querer transformar uma vingança num ato de justiça. Se chama lawfare: o uso do Poder Judiciário para acabar com os adversários políticos.
A equipe do ex-presidente acompanha a sessão pela televisão e observa como os juízes de apelação leem suas intermináveis sentenças, que já estavam escritas antes de escutar a própria defesa de Lula – que só teve 15 minutos para expor suas razões. Um observador privilegiado do evento foi o jurista australiano Geoffrey Robertson, presente na sala de audiências de Porto Alegre, e que logo após o resultado disse que “isto não foi uma sessão justa. Os juízes falaram durante cinco horas, lendo um roteiro que haviam escrito antes de escutar qualquer argumento. Numa corte de apelação, os juízes devem primeiro escutar as partes, antes de emitir uma sentença”.
Todos observam as atualizações de notícias nas redes sociais, menos Lula. Um dos tuites que gera mais impacto é o do jornalista Rodrigo Vianna: “No processo mais importante da história deste país, uma mulher negra serve café a três homens brancos que vão condenar um retirante nordestino. Quem não entendeu isso não entendeu nada”.
Lula pensa sabe-se lá no que. Ninguém o molesta nem interrompe o que parece ser um íntimo ritual de introspecção deste imenso líder operário, nascido numa das regiões mais miseráveis do planeta. Abraça seus filhos um por um. Diz a eles algo no ouvido antes de começar a intervenção do último juiz, se retira e vai à casa.
No sindicato permanecem mais de 500 personas, entre colaboradores, dirigentes, ativistas, militantes sindicais, representantes do Movimento Sem Terra (MST) e dezenas de jornalistas, de 34 países diferentes. No sindicato, que sempre foi também a casa do ex-presidente, permanece a tristeza. Também ali, há apenas alguns meses, foi velada Marisa Leticia, a esposa de Lula, que os juízes citam agora como partícipe de um delito que ninguém cometeu. No sindicato permanece a tristeza. Há exatamente um ano, no dia 24 de janeiro de 2017, Marisa Leticia sofria um derrame cerebral que lhe custou a vida. Foi o dia que a justiça brasileira escolher para golpear novamente o Lula.
Anestesia
Em sua casa, também em São Bernardo do Campo, Lula permanece acompanhado por sua família e alguns poucos amigos. Está tranquilo e tenta descansar para a longa jornada que ainda o espera. Milhares de ativistas, centenas de movimentos sociais, trabalhadores rurais, organizações sindicais, estudantis e profissionais haviam se congregado numa multitudinária jornada de protestos, no dia anterior, em Porto Alegre. As mulheres, convocadas por diversas organizações feministas e contando com a presença da presidenta Dilma Rousseff, tiveram papel de protagonistas nos atos e mobilizações que reuniram mais de 70 mil pessoas na cidade que se tornou ícone do bem sucedido “modo petista de governar”. Uma cidade heróica na memória da esquerda mundial, agora transformada no cenário de um momento trágico para a história democrática do Brasil e da América Latina.
Muitas destas organizações e líderes políticos de todo o mundo se deslocaram depois a São Paulo. Nesse dia, ao finalizar a sessão que ratificaria a condenação a Lula, milhares de pessoas começaram a se aglomerar na Praça da República, onde aconteceria, durante a noite, um ato que desafiou a prepotência oficial, no qual o PT lançaria a candidatura de Lula à Presidência da República.
No discurso, o ex-presidente voltou a mostrar seu semblante mais enérgico. São os atos e a proximidade com o povo que mantêm Lula ativo. Os abraços, os beijos, as fotos que tanto molestam alguns dirigentes, são o combustível que alimenta sua vontade, a força que o rejuvenesce e lhe dá fortaleza para enfrentar qualquer tipo de adversidade.
Página/12: Quais desafios o PT e as forças progressistas brasileiras deverão enfrentar a partir de agora?
Lula: O desafio de evitar os retrocessos que estão ocorrendo na democracia e nos direitos dos trabalhadores. Especialmente, agora, com a proposta de reforma da Previdência impulsionada pelo governo golpista de Michel Temer. Também de garantir eleições realmente livres e democráticas em outubro deste ano. Uma ofensiva conservadora tenta anestesiar o país. Afirmavam que o problema do Brasil era o PT e o governo da Dilma. Foi assim que eles destituíram uma presidenta eleita por 54 milhões de votos, prometendo que tudo iria melhorar. Depois, disseram que o problema eram os direitos trabalhistas. E acabaram com esses direitos. Agora dizem que o problema são os aposentados e eu. Mas o povo brasileiro está despertando e descobrindo que, em vez de curar da doença como prometeram, estão roubando todos os órgãos vitais do país: nossos recursos naturais, os direitos do povo, o patrimônio público. Tudo o que temos construído com o sacrifício e o trabalho de várias gerações, eles estão vendendo a preço de banana.
A direita fez o golpe, mas passou mais de um ano e não consegue ter outro candidato além de um neofascista, defensor da ditadura militar, sexista e violento, como Jair Bolsonaro. Um deputado que na sessão de destituição de Dilma Rousseff dedicou seu voto ao general que a havia torturado quando ela tinha 19 anos. Por outro lado, a candidatura de Lula cresce visivelmente, e lidera todas as pesquisas eleitorais. Apesar de todos os ataques, o PT continua sendo o partido com o maior número de militantes e maior apoio popular na sociedade brasileira.
Página/12: Por que está ocorrendo isso?
Lula: Porque o povo está percebendo que o golpe não foi contra a Dilma, contra Lula ou contra o PT. O golpe foi contra os trabalhadores, contra a classe média, contra os que fazem um enorme esforço por sobreviver com dignidade. O golpe foi contra as conquistas democráticas que levaram o Brasil a reduzir significativamente a pobreza, a injustiça social, a fome. Inclusive, um amplo setor da classe média que apoiou o golpe está sofrendo as suas consequências. Se não reagirmos a tempo, o Brasil voltará a ser um país onde um terço da população tem direitos enquanto milhares de crianças passam fome nas ruas, como já está ocorrendo. Os índices sociais do país pioraram de forma assombrosa. O Brasil só pode ser um país grande, importante e soberano se a economia cresce de verdade.
Página/12: O que seria crescer de verdade?
Lula: Crescer incluindo os pobres. Quando os pobres podem comprar, quando podem consumir, o comércio vende mais, a indústria produz mais. Brasil crescia e incluía milhões de pessoas no orçamento público que antes não tinham direitos nem as oportunidades mais básicas. Eles estão destruindo tudo isso. O Brasil era um país com futuro. Um país de todos, não de alguns poucos. Estávamos deixando de ser o império do privilégio. Um país não pode ser um mero exportador de commodities, porque elas empregam pouco e fazem com que a economia tenha que conviver com multidões de desempregados, pobres e excluídos.
De costas
Nas primeiras horas da tarde de 24 de janeiro, a farsa jurídica deu um novo passo adiante. Lula sofreu uma nova condenação que complica seriamente suas possibilidades de ser candidato nas eleições presidenciais de outubro deste ano. Enquanto se prepara para ir à concentração, na Praça da República, no centro de São Paulo, ele recebe ligações de apoio e de solidariedade de todo o mundo. É um ícone da democracia latino-americana e mundial, venerado em todos os continentes, não só por líderes e personalidades políticas progressistas como também por liberais e conservadores com apego ao devido processo.
O manifesto “Eleição sem Lula é fraude” reuniu, em poucos dias, mais de 215 mil assinaturas. Destacados intelectuais, políticos, artistas, juristas e dirigentes sociais progressistas de todo o mundo aderiram à declaração que já circula em 10 idiomas. Cristina Kirchner, José Pepe Mujica, José Luís Rodríguez Zapatero, Rafael Correa, Massimo D’Alema e Ernesto Samper são alguns dos ex-mandatários que o apoiam.
Lula: Estou imensamente agradecido pelo respaldo e pela solidariedade internacional, especialmente de países como Argentina, México, Uruguai, Equador, Itália, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos e Venezuela.
Página/12: O que muda no processo de integração regional após o golpe no Brasil?
Lula: Infelizmente, o Brasil voltou a dar as coisas aos seus vizinhos, a disputar com eles quem atrai melhor a atenção dos Estados Unidos. Querem saber quem ganha o privilégio de jantar com o Donald Trump, como se a solução dos nossos problemas dependesse disso, e não de uma política internacional própria. Respeitando o mundo, mas sem manter essa vergonhosa submissão. O governo de Michel Temer não tem legitimidade, e tampouco uma política exterior. Está dedicado a vender os ativos e o patrimônio do nosso país. Cada nação tem a sua história, seus governos, sua cultura. Em matéria internacional, é fundamental que exista diálogo e respeito mútuo. Tenho muito orgulho do período em que fui presidente do Brasil e pude conviver com presidentes como Néstor e Cristina Kirchner, com Pepe Mujica, Chávez, Bachelet, Evo, todos eles.
Página/12: O que tinham em comum?
Lula: Entendíamos a importância de uma região sem conflitos. Entendíamos que éramos mais fortes juntos, resolvendo os problemas entre nós, sem a interferência externa, nossas diferenças. Evitávamos crises e promovíamos a cooperação comercial, educativa e social entre os nossos países. Sempre tive a convicção de que o Brasil só poderia se desenvolver de forma soberana se nossos próprios vizinhos se desenvolviam também de forma soberana. Hoje, essas ideias essa energia integradora e solidária, foi congelada ou está em retrocesso. Entretanto, a integração entre os nossos povos é uma vocação inexorável e voltará a avançar.
Página/12: Durante muito tempo, a consigna do PT foi “a esperança vence o medo”. Hoje, muitos jovens se aproximam da política porque creem na vigência daquele lema.
Lula: Sempre digo uma coisa: abandonar, nunca, perder a esperança, jamais. O neoliberalismo, muitas vezes sustentado pelos monopólios midiáticos, promete um futuro melhor para todos mas concentra a riqueza e restringe as oportunidades em alguns poucos, os de sempre. No Brasil, nós provamos que podíamos governar fazendo exatamente o contrário: que era possível incluir os pobres no orçamento público, que podíamos investir mais em educação, mais em saúde e em moradia, acabar com a fome, construir dignidade, ampliar direitos. Eles querem apagar da memória do povo esse período de conquistas democráticas. Hoje eles me condenam, mas querem condenar também esse projeto de nosso futuro como nação livre, soberana e justa. Querem fazê-lo, mas não conseguirão.
Página/12: Há uma mensagem especial para os jovens?
Lula: Milhões de jovens chegaram pela primeira vez à universidade no Brasil. Nós fomos o último país das Américas que criou uma instituição universitária. Quando a Argentina já estava fazendo a reforma universitária nós nem tínhamos uma. Fomos os últimos em abolir a escravidão. Éramos a vanguarda do atraso. Em 12 anos de governos nossos, conseguimos ter a primeira geração de brasileiros e brasileiras que não tinham crianças passando fome. Tiramos mais de 40 milhões da pobreza sem prejudicar nenhum setor social, sem perseguir ninguém. Isso nunca havia ocorrido na história do nosso país. Foi possível utilizar a política em benefício das maiorias e através do Estado, fazer políticas públicas de inclusão e promover a justiça social. Nós mostramos que o povo sabe governar melhor que as elites. Por isso eles nos odeiam. Mas te digo uma coisa: essa reação retrógrada não vai prosperar. Nós vamos vencer.
Pablo Gentili é secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Confira a programação do curso de formação da UJS
| PROGRAMAÇÃO |
Quarta (31/Janeiro)
15:00h – 15:30h Orientações Gerais (Executiva Nacional)
15:30h – 17:00h O Jovem Marx (Filme)
18:00h – 22:00h Introdução ao Materialismo Histórico Dialético (Fábio Palácio)
Quinta (01/Fevereiro)
8:30h – 12:00h Introdução ao Pensamento Marxista (Augusto Buonicore)
14:00h – 18:00h Racismo: Questão Estrutural no Brasil (José Carlos Rui e Augusto Buonicore)
19:00h – 22:00h Formação Econômica e Social do Brasil (André Tokarski)
Sexta (02/Fevereiro)
8:30h – 12:00h Da Crise Econômica à Transição da Nova Ordem Mundial (Socorro Gomes e Lécio Moraes)
14:00h – 18:00h Independência e Revoluções na América Latina (Ana Maria Prestes)
19:00h – 22:00h Marxismo e Emancipacionismo: Feminismo e a Questão LGBT (Mariana Venturini e Andrey Lemos)
Sábado (03/Fevereiro)
8:30h – 12:00h 100 Anos da Revolução Russa (Bernardo Joffily)
14:00h – 18:00h Horário Livre Reunião dos dir. de Formação
19:00h – 22:00h Educação e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (Elisângela Lizardo e Daniel Cara)
3
Domingo – (04/Fevereiro)
9:00h – 12:00h Atividade com Manuela D’ávila 14:00h – 18:00h Experiência da China e a Nova Luta Pelo Socialismo (Renato Rabelo e Elias Jabbour)
19:00h – 22:00h Plenária das Frentes
Segunda – (05/Fevereiro)
9:00h – 12:00h Radiografia da Juventude: Perspectivas e Desafios (Euzébio Jorge)
14:00h – 18:00h Brasil: Balanço do Ciclo Progressista, Projeto Nacional de Desenvolvimento e Frente Ampla (Walter Sorrentini e Mateus Fiorentini)
19:00h – 22:00h UJS Para Um Novo Tempo: Cara Própria e Eleições (Carina Vitral)
Terça – (06/Fevereiro)
9:00h – 12:00h Informes e GT´s Redes e Ruas à Plataforma Ocupa (Patrícia de Matos) Cursinho Popular (Bia Lopes) Jovens Trabalhadores (Luiza Bezerra – CTB) Financiamento Colaborativo em Tempos de Perseguição (Sarah Cavalcante) Mobilização (Maria das Neves)
14:00h – 18:00h Nucleação e Território (Ricardo Abreu Alemão e Rarikan Heven)
19:00h – 22:00h Plenária do Movimento Estudantil (Secundaristas/ Universitários/ Pós- graduandos)
Quarta – (07/Fevereiro)
9:00h – 12:00h Avaliação do Conubes
14:00h – 18:00h Debate da Tese e Convocação do 19º Congresso da UJS 19:00h – 22:00h
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Lula: Estou no banco dos réus mas povo é o condenado
Foto: Guilherme Imbassahy/ Jornalistas Livres
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não se surpreendeu com o resultado do Tribunal Regional Federal (TRF-4), que manteve nesta quarta–feira (24) a condenação do juiz Sérgio Moro sobre o tríplex do Guarujá (SP). Em ato realizado à noite no centro de São Paulo, Lula disse que houve um pacto entre o Judiciário e a imprensa para colocar um ponto final no projeto popular iniciado nos governos do PT.
Por Railídia Carvalho
“Eles já não admitiam mais a ascensão social das pessoas mais pobres, dos trabalhadores. Não suportavam mais a ascensão dos mais pobres à escolaridade, da creche à universidade, não suportavam o programa que mandava os jovens estudar no estrangeiro. Não suportavam o crédito a trabalhadores rurais, para habitação popular com Minha Casa Minha Vida”, enumerou Lula.
O ex-presidente desafiou os desembargadores do TRF-4 a apresentarem uma prova do crime que ele supostamente teria cometido. “Eu já tinha desafiado a Polícia Federal , o Ministério Público da Lava Jato, o Moro. Agora quero desafiar os três que me julgaram a apontar um único crime que eu tenha cometido. Esse processo está subordinado à Rede Globo, ao Estadão, à Veja, à Folha de S. Paulo, à imprensa brasileira que não admite a ascensão social que o povo conquistou. Nunca admitiu e nem vai admitir.”
Lula assegurou que não está preocupado com uma possível prisão. “Eles não podem prender o sonho de liberdade. Podem prender o Lula mas as ideias já estão colocadas na cabeça da sociedade brasileira. Já sabem que é gostoso comer bem, morar bem, que é gostoso viajar de avião, que é gostoso comprar carro novo, ter uma casa com televisão, computador”, exemplificou.
Levantar a cabeça e continuar a trajetória para construir o futuro desse país. Esse foi o pedido feito por Lula ao público de cerca de 50 mil pessoas que lotou a Praça da República. “O Lula é insignificante perto da consciência do povo brasileiro, que começa a mostrar que não aceita mais subserviência.” De acordo com o ex-presidente, os homens e mulheres brasileiros são “mais fortes, mais corajosos e mais conscientes que o Lula”.
Ele mandou um recado às elites brasileiras. “Só tem um jeito de me tirar da luta que é quando eu morrer mas enquanto esse coração velho bater, enquanto esses olhos enxergarem e enquanto a cabeça pensar, a luta pelas conquistas do povo brasileiro vai continuar. Não desistam nunca, não esmoreçam nunca porque eles estão tirando de nós o direito de ser feliz, o direito de sonhar e de ter esperança. E uma sociedade sem sonhos, sem esperança e sem direito não é uma sociedade, é uma boiada e nós somos seres humanos não uma boiada.”
Do Portal Vermelho
sábado, 20 de janeiro de 2018
Votos que não são votos, neoudenismo e o TRF-4
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Os desembargadores não votam, não julgam. Decidem “sem interferências indevidas” o que pode e o que não pode, de acordo com o Alcorão íntimo de cada um. Ou com a Bíblia, ou com o Livros dos Mortos etc. A Constituição estará lá para decorar o ambiente.
Por Gilberto Maringoni*
Faço campanha política desde 1974. Aprendi a pedir voto, a fazer panfletagens, a tentar convencer o eleitor, a organizar campanhas etc. Sei ler resultados eleitorais de centro acadêmico a pleitos presidenciais como qualquer um que lide com o assunto.
Também sou capaz de verificar movimentos em pesquisas de opinião, buscar identificar tendências e construir cenários através da tabulação das intenções coletadas de centenas, de milhares, de milhões de pessoas de acordo com múltiplas variáveis que compõem a decisão do voto. Repito, não é prerrogativa exclusivamente minha. Qualquer ativista mediano com alguma cultura política tem obrigação de fazer isso.
Mas não consigo ler racionalmente a tendência de três votos. Os dos desembargadores do TRF-4.
Talvez porque a palavra “voto” seja ali mal empregada. Não há objetividade clara nos movimentos dos três que se arrogarão ao direito de decidir o destino de um homem. Aliás, não é de um homem. Trata-se dos destinos de milhões de brasileiros e brasileiras. O trio decidirá se mais de cem milhões de pessoas poderão exercer plenamente suas prerrogativas cidadãs ou não. Sim, eu sei que a justiça tem determinados ritos e procedimentos, mas não é esse o caso.
Os desembargadores não votam nada. O voto que está em jogo lhes é alheio. Proferirão doutas sentenças num processo de rarefeita objetividade jurídica e prenhe de subjetividade política.
Além da falta de provas já exaustivamente argumentada por muitos, há algo mais. Algo que não cai bem para nós de esquerda.
Por força um moralismo demagógico que tomou conta de vários setores progressistas – PT, PSOL, PCdoB -, estes se aliaram com a direita e aprovaram no Congresso, em 2010, a lei da ficha limpa. O nome é lindo.
A norma permite que se faça o que o TRF-4 buscará fazer com o ex-presidente Lula: torná-lo inelegível a partir de uma decisão de segunda instância. O irônico da coisa: o dispositivo foi sancionado pela própria vítima, Lula. A aprovação e a sanção se deram num quadro feito para saciar a sede de sangue de uma classe média narcotizada pela mídia e impulsionada por uma esquerda que viu na pura e simples denúncia de corrupção o caminho da construção de um projeto de país.
Valeria a pena realizar um colóquio de Ciência Política e verificar como e por que a esquerda – aqui o PT – viu na reedição do velho udenismo a melhor maneira de se legitimar, a partir do início dos anos 1990.
O período coincide com a derrocada de Collor de Mello. É bom lembrar que a campanha pelo impeachment não tinha por mote a selvagem implantação do modelo neoliberal por parte do “caçador de marajás”, mas tão somente saber se ele havia roubado ou não. Dia 2 de outubro de 1992, Collor caiu. No dia seguinte, Paulo Maluf elegeu-se prefeito de São Paulo, mostrando o fôlego curto das campanhas de moralismo estreito. No cargo, Maluf deu início a um processo de privatização semelhante ao aberto pelo mandatário deposto.
Estão guardadas na memória as imagens dos deputados petistas José Dirceu e Aloísio Mercadante – no Jornal Nacional! – acompanhando diligências da Polícia Federal como fiscais de costumes no combate ao collorato.
A volta do udenismo se deu também na conjuntura da derrocada dos regimes socialistas do Leste europeu. Havia uma intensa campanha midiática de desqualificação da esquerda e da possibilidade de se mudar a sociedade de forma radical. É deste 1992 também o “Fim da História e o último homem”, best seller de Francis Fukuyama, que chegou para nos convencer da inevitabilidade do futuro capitalista (algo tão mecanicista quanto as piores vulgatas marxistas).
Se mudar o mundo não era mais possível, a saída é que ele continuasse ruim, mas com menos roubalheira. Não se ligavam injustiças sociais e concentração de renda à corrupção. No centro de tudo estava a necessidade de se saber se fulano é honesto ou não, de acordo com formalidades miúdas. Exemplo: um triplex sem provas é algo muito pior que uma taxa de juros – legal – que arrebenta o orçamento público, ou que um ajuste fiscal a ceifar verbas de setores essenciais.
O primeiro slogan criado para o PT por Duda Mendonça, na segunda metade dos anos 1990, era “Combater a corrupção e melhorar a vida do povo”. Sim, nessa ordem. A banda de música da União Democrática Nacional não faria melhor, quatro décadas antes…
Voltemos ao TRF-4. Os desembargadores não votam, não julgam. Decidem “sem interferências indevidas” o que pode e o que não pode, de acordo com o Alcorão íntimo de cada um. Ou com a Bíblia, ou com o Livros dos Mortos etc. A Constituição estará lá para decorar o ambiente.
Os três decidirão com um acúmulo de quase três décadas de neoudenismo impulsionado por uma atrapalhada aliança de quem buscava votos fáceis a partir de vários pontos do espectro ideológico nacional. Os Huguinho, Zezinho e Luizinho dos pampas decidirão pelos homens de bem, pelo futuro da nacionalidade, pelo lindo pendão da esperança e pelos sempre bem ocultos interesses de classe, que se vendem como interesses de todos.
Só não tendem a decidir muito pela democracia e pela política.
Por isso, a pressão popular não é apenas legítima. É necessária e urgente. Porque aquele troço lá não é voto!
*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC. É também jornalista e cartunista
Foto: Agência Brasil
Deputados americanos enviam carta ao STF exigindo garantia de direitos a Lula
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“A natureza claramente politizada dos processos judiciais contra Lula tem colocado em risco instituições democráticas vitais e a fé dos cidadãos nessas instituições”, diz carta encaminhada ao embaixador brasileiro e ao STF assinada por um grupo de 12 deputados do Partido Democrata.
Por Redação
Um grupo de 12 deputados do Partido Democrata norte-americano enviou na noite desta sexta-feira (19) uma carta ao embaixador brasileiro Sérgio Amaral, com cópia aos ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), exigindo que sejam garantidos diretos ao ex-presidente Lula em seu julgamento.
No documento, os parlamentares disseram estar “preocupados” com “julgamento político” de Lula e denunciaram a perseguição que o ex-presidente vem sofrendo.
“A natureza claramente politizada dos processos judiciais contra Lula tem colocado em risco instituições democráticas vitais e a fé dos cidadãos nessas instituições”, escreveram
A carta é assinada por Mark Pocan, Ro Khanna, Steve Cohen, Raúl Grijalva, Keith Ellison, Frank Pallone Jr, Barbara Lee, Henry “Hank” Johnson, Pramila Jayapal, Karen Bass, Marcy Kaptur e Jan Schakowsky.
Confira a íntegra.
Caro Embaixador Sergio Silva Do Amaral:
Nós, respeitosamente, fazemos um chamado às autoridades do Brasil para que garantam que os direitos básicos do ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva – em particular, seu direito a um tratamento justo, livre e imparcial perante a lei – sejam totalmente protegidos, de acordo com as obrigações dos tratados internacionais assinados pelo Brasil. Estamos profundamente preocupados com as crescentes evidências de flagrantes violações dos direitos de Lula ao devido processo legal e com o que parece ser uma campanha de perseguição judicial politicamente motivada, destinada a minar sua tentativa de reeleição no final deste ano.
Em julho de 2017, Lula foi condenado a uma sentença de quase 10 anos de prisão pelo juiz federal de primeira instância Sergio Moro, quem, sob o quadro legal atípico do Brasil, também exerceu o papel de procurador-chefe no caso de Lula. A principal acusação está baseada em uma “evidência” altamente questionável, que seria rejeitada em primeira mão pela maioria das cortes ao redor do mundo.
Lula é acusado de ter recebido propina na forma de reformas em um apartamento à beira-mar financiadas pela construtora brasileira Grupo OAS. Não há, entretanto, nenhuma evidência de que Lula ou sua falecida esposa tenham sido proprietários do imóvel ou que o tenham usado de nenhuma maneira. A única “evidência” produzida por Moro foi o depoimento de um gerente já condenado de OAS, que, em troca de seu testemunho contra Lula, teve sua sentença drasticamente reduzida.
Antes dessa sentença, o juiz Moro participou de ações antiéticas e, por vezes, ilegais, dirigidas a Lula que demonstraram claramente que ele não era capaz de desempenhar os deveres de um juiz imparcial no caso de Lula. Em uma ocasião, Moro ordenou a detenção de Lula e deu ordens para que ele fosse transportado sob uma pesada guarda para testemunhar, apesar do fato de Lula não ter demonstrado falta de vontade de testemunhar.
Moro vazou – em violação da lei brasileira –interceptações telefônicas para a mídia, que incluíam conversas privadas entre Lula, seus advogados e membros de sua família, bem como uma gravação obtida ilegalmente de uma conversa com a então Presidenta Dilma Rousseff.
Estas e outras ações contenciosas de Moro deixaram claro que Lula não tem nenhuma esperança de ver seus direitos básicos de devido processo legal – por exemplo, o direito a um julgamento justo e equitativo e o direito à presunção de inocência – respeitados pelo juiz.
Apesar das probabilidades contrárias enfrentadas por Lula, continua a existir uma oportunidade para que a justiça e o devido processo legal prevaleçam no caso de Lula. De acordo com a legislação brasileira, uma condenação e sentença proferidas por um juiz de um tribunal inferior não é totalmente válida até que seja confirmada por um tribunal superior. Em 24 de janeiro, o Tribunal Federal de Apelações do Distrito Sul, composta por três membros, realizará uma audiência para confirmar ou rejeitar a condenação de Lula.
Infelizmente, já há sinais que questionam a imparcialidade do Tribunal de Apelações. Entre outras coisas, o juiz que preside a Corte afirmou publicamente acreditar que o processo de Moro contra Lula seja “impecável” e sua chefe de gabinete publicou recentemente uma petição no Facebook exigindo que Lula fosse preso.
Frente a essas preocupantes circunstâncias, exortamos veementemente as autoridades do Brasil para que exerçam a máxima diligência em garantir a proteção dos direitos do processo legal que são prerrogativas de Lula. A natureza claramente politizada dos processos judiciais contra Lula tem colocado em risco instituições democráticas vitais e a fé dos cidadãos nessas instituições. A próxima eleição presidencial e a administração subsequente serão inexoravelmente afetadas se o sistema judicial for considerado incapaz de agir com imparcialidade e respeito aos direitos fundamentais.
É nossa esperança e expectativa que as autoridades judiciais que revisam a condenação de Lula não se deixem pressionar pelos setores políticos ou pela mídia e sejam guiados pelos princípios básicos que são a base de qualquer sociedade livre.
Atenciosamente,
CC: Membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil
Fonte> REVISTA FÓRUM
sábado, 13 de janeiro de 2018
PT busca apoio de partidos para manifesto em defesa de Lula candidato
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| Lideranças do PCdoB, PDT, PSOL e PSB se opõem a barrar Lula no tapetão |
por Miguel Martins
Presidentes do PDT e do PSB defendem direito de petista concorrer, mas siglas não definiram posição oficial. PSOL vai discutir tema em reunião.
A menos de duas semanas do julgamento de Lula em segunda instância pela acusação relativa ao tríplex do Guarujá, o PT tem buscado apoio de partidos do campo progressista para lançar um manifesto conjunto em defesa do direito de o ex-presidente se candidatar em 2018. O objetivo é que o documento seja subscrito também pelo PCdoB, o PSOL, o PDT e o PSB.
Embora os quatro partidos estudem lançar nomes próprios nas eleições, o vice-presidente do PT e ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que um manifesto está sendo construído entre as legendas do campo progressista para defender a possibilidade de Lula ser candidato. Importantes lideranças dessas siglas têm feito críticas ao processo contra o petista e defendem o direito de ele se lançar à Presidência, mas há divergências internas.
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Embora o PDT tenha definido Ciro Gomes como seu pré-candidato, o presidente da sigla, Carlos Lupi, posiciona-se em favor de Lula se lançar em 2018. Apesar de o PSB possuir quadros críticos ao petista, o presidente do partido, Carlos Siqueira, segue linha semelhante à de Lupi.
Nos outros dois partidos, parece haver maior unidade no apoio à participação de Lula nas eleições. Enquanto a pré-candidata pelo PCdoB, Manuela d'Avila, e Guilherme Boulos, cotado para concorrer pelo PSOL, assinaram um manifesto em que diversas personalidades públicas defendem o direito de o petista concorrer, Ciro Gomes, por exemplo, ainda não rubricou o documento. No PSB, deputados já se manifestaram em favor da sentença de Moro.
Recentemente, a corrente de Luciana Genro no PSOL afirmou que, apesar de ter feito oposição aos governos petistas, defenderá o direito do povo de escolher seu candidato. Neste final de semana, o PSOL se reúne para decidir se lança uma nota do partido sobre o caso, além de discutir se participará dos atos pró-Lula previstos no País antes de 24 de janeiro, data do julgamento no TRF-4, em Porto Alegre.
A CartaCapital, Lupi afirma que o PDT ainda não discutiu assinar o manifesto, mas defende a participação do petista mesmo com o apoio do partido à candidatura de Ciro. "Temos candidato a presidente, mas queremos Lula na disputa para se ter uma opção. É um direito dele", diz o dirigente, ex-ministro do Trabalho do ex-presidente e de Dilma Rousseff.
Recentemente, Lupi escreveu um artigo na página oficial do PDT intitulado "A Justiça é para todos?", em que critica a postura de integrantes do Judiciário no caso por suas declarações fora dos autos quando não há provas concretas sobre crimes e malfeitos. "A partir do momento que a balança que figura a Justiça pende – independente do lado –, quem está em jogo, de fato, é a democracia e a possibilidade de um irreparável erro", escreve o presidente da sigla.
Lupi afirma que, mesmo com a condenação de Lula, o petista tem direito de buscar sua candidatura por meio de recursos na Justiça. Sobre o fato de Ciro não ter assinado o manifesto, o presidente do PDT afirma que não é importante o pré-candidato subscrever um documento institucional. "Ele já fez críticas ao processo antes. Não compete a ele assinar."
Já Carlos Siqueira afirma não haver uma posição unânime do PSB sobre o tema. Sua posição pessoal é de que a melhor solução para o caso "é entregar para a população decidir". "Seria estranho o principal concorrente não disputar. O processo dele foi colocado na frente de outros no TRF-4. Temos o caso do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, do PSDB, que ainda não foi encerrado. Isso gera desconfiança."
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O presidente da legenda deve tratar do tema em uma reunião com o senador João Capiberibe (PSB-AP), um dos representantes da ala do partido mais simpática a Lula, grande parte dela concentrada nas regiões Norte e Nordeste. Segundo Siqueira, sua posição sobre a candidatura do petista não reflete a posição do partido, mas uma opinião pessoal. "Não há unanimidade", reconhece.
Um exemplo: no ano passado, o deputado Júlio Delgado, também do PSB, disse não ver perseguição de Moro a Lula no caso.
A divisão do PSB sobre o tema coincide com as dúvidas internas sobre qual caminho adotar em 2018. Embora Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, e o recém-chegado Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma, sejam cotados como possíveis presidenciáveis, o partido não rejeita fazer uma aliança com o próprio PT ou mesmo com PSDB para as eleições deste ano.
Atos em defesa de Lula
Além do manifesto em discussão com os partidos, Alexandre Padilha, um dos organizadores da série de eventos e atos do PT previstos antes do julgamento em Porto Alegre, diz haver uma articulação com parlamentares e políticos de diversos partidos sobre o tema. Além de Boulos e Manuela D'Ávila, Padilha cita o deputado Ivan Valente, do PSOL, e o senador Roberto Requião, que segue por ora no MDB.
Padilha diz haver possibilidade de Lula ir a Porto Alegre no dia do julgamento, mas a questão ainda deve ser debatida com os advogados do ex-presidente, que pediu para ser ouvido pelos desembargadores do TRF-4. De qualquer forma, está previsto um ato de recepção a Lula em São Paulo logo após a decisão. "Queremos mostrar que ele está no braço do povo. Tentar completar esse golpe dentro do golpe é um ataque à democracia e ao processo eleitoral,", afirma.
O vice-presidente do PT garante ainda que diversas centrais sindicais participarão dos atos pró-Lula no País. Além da CUT, ele diz que a Intersindical, ligada ao PSOL, e até mesmo integrantes da Força e da UGT, mais próximas de Michel Temer desde sua ascensão ao poder, engrossarão os protestos contra uma possível tentativa de barrar a candidatura do petista. Aliado de Temer, Paulinho da Força, presidente da Força Sindical, assinou recentemente um manifesto em defesa de Lula se candidatar.
Fonte: Carta Capital
Ministro do TCU defende candidatura de Lula nas eleições deste ano
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vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro,
defendeu, nesta quinta-feira, 11, a candidatura do ex-presidente Lula à
Presidência da República.José Múcio considerou o nome de Lula primordial para o
bem da democracia e para o cenário político nacional.
"Temo que ele seja impedido sem que haja prova inconteste, quem ganhar vai ter muita dificuldade de governar se isso acontecer", disse em entrevista a uma rádio pernambucana.
"Temo que ele seja impedido sem que haja prova inconteste, quem ganhar vai ter muita dificuldade de governar se isso acontecer", disse em entrevista a uma rádio pernambucana.
Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br
Não se vai julgar um crime, mas uma candidatura
O advogado de Lula, Cristiano Zanin, diz ao UOL que “ a Justiça não pode levar em conta, em um processo criminal, se um réu disputará ou não eleições”, dizendo que espera um julgamento justo, como o que seria devido a qualquer pessoa.
O doutor estaria certo se não fosse um pequeno detalhe.
Se Lula não fosse alguém capaz de disputar e vencer eleições presidenciais, nem sequer teria sido julgado em 1ª instância, menos ainda em Curitiba e, claro, nem estaria sendo submetido a uma corte de desembargadores.
Simplesmente, não haveria processo por falta de materialidade do suposto crime. Não há um mísero papel que indique posse ou propriedade – ainda que futura – do tal triplex, não há provas de seu uso, mesmo eventual e nem mesmo alguém diz ter prometido o apartamento a ele, nem mesmo o delator Léo Pinheiro, que, depois de meses encarcerado, acabou por dizer “ter sabido” que o imóvel estaria “reservado”. Não diz por quem soube nem como seria essa reserva, claro.
Mas, fique claro, nem isso existia quando do acolhimento da ação por Sérgio Moro. Não havia nada, nem sequer a tardia alegação do empreiteiro. Tudo o que se alegava é que, por ter ido visitar o apartamento, o imóvel seria para Lula, acusação feita por aqueles histriônicos promotores paulistas e que foi fatiada para mandar Lula a Sérgio Moro. Isto é, ao “matadouro”. Todos os outros acusado foram absolvidos, por inconsistência da denúncia.
Lula foi, pois, processado com um resultado certo, ao qual tudo foi ajustado.
Como o crime de corrupção é o de “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida” e Lula não solicitou (não há menção a isso no processo) e nem recebeu – o triplex segue sendo da OAS e até está penhorado por dívidas da empresa no DF – vantagem alguma, sobrou o finzinho do artigo: “aceitar promessa de tal vantagem”.
E como Lula aceitou? Porque foi ver? Não poderia, já que possui, legalmente, cotas do condomínio? Fez algum contrato com a OAS para “compensar”, ao menos contabilmente, a diferença entre as cotas que tinha e um apartamento maior? Pegou as chaves para experimentar o “cafofo”? Fez uma “visita secreta” ao apartamento com sete ou oito pessoas observando o “segredo”?
Ah, sim: para “lacrar” a corrupção, cria-se um “ato de ofício”representado por uma “caixinha” formada com sobrepreços em contratos da Petrobras de onde teriam vindo os recursos para bancar obras no triplex, algo tão vago que nem mesmo Sérgio Moro, na sentença, consegue afirmar que foi daí que veio o dinheiro, apenas que deve ter sido.
Qualquer advogado, promotor ou juiz sabe que, com o que se tem ali, ninguém vira sequer réu, quanto mais condenado.
Portanto, o processo só existe e teve este desfecho porque Lula é um potencial candidato a Presidente, não por outra coisa.
Assim, é um processo político, com um julgamento político.
Quem estará sendo julgado no dia 24 não é o cidadão comum Luís Inácio Lula da Silva, mas o candidato Lula, isto é claro como água.
E o resultado do julgamento, aquele que importa de verdade, é a sua inelegibilidade, não a pena, que pode até ser reduzida para aplacar o descontentamento com a manutenção da sentença de Moro.
“A Justiça não pode levar em conta, em um processo criminal, se um réu disputará ou não eleições”, diz o advogado de Lula. Engano, doutor, é só isso que ela levará em conta.
Fonte: tijolaco.com.br
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