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| Lideranças do PCdoB, PDT, PSOL e PSB se opõem a barrar Lula no tapetão |
por Miguel Martins
Presidentes do PDT e do PSB defendem direito de petista concorrer, mas siglas não definiram posição oficial. PSOL vai discutir tema em reunião.
A menos de duas semanas do julgamento de Lula em segunda instância pela acusação relativa ao tríplex do Guarujá, o PT tem buscado apoio de partidos do campo progressista para lançar um manifesto conjunto em defesa do direito de o ex-presidente se candidatar em 2018. O objetivo é que o documento seja subscrito também pelo PCdoB, o PSOL, o PDT e o PSB.
Embora os quatro partidos estudem lançar nomes próprios nas eleições, o vice-presidente do PT e ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que um manifesto está sendo construído entre as legendas do campo progressista para defender a possibilidade de Lula ser candidato. Importantes lideranças dessas siglas têm feito críticas ao processo contra o petista e defendem o direito de ele se lançar à Presidência, mas há divergências internas.
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Embora o PDT tenha definido Ciro Gomes como seu pré-candidato, o presidente da sigla, Carlos Lupi, posiciona-se em favor de Lula se lançar em 2018. Apesar de o PSB possuir quadros críticos ao petista, o presidente do partido, Carlos Siqueira, segue linha semelhante à de Lupi.
Nos outros dois partidos, parece haver maior unidade no apoio à participação de Lula nas eleições. Enquanto a pré-candidata pelo PCdoB, Manuela d'Avila, e Guilherme Boulos, cotado para concorrer pelo PSOL, assinaram um manifesto em que diversas personalidades públicas defendem o direito de o petista concorrer, Ciro Gomes, por exemplo, ainda não rubricou o documento. No PSB, deputados já se manifestaram em favor da sentença de Moro.
Recentemente, a corrente de Luciana Genro no PSOL afirmou que, apesar de ter feito oposição aos governos petistas, defenderá o direito do povo de escolher seu candidato. Neste final de semana, o PSOL se reúne para decidir se lança uma nota do partido sobre o caso, além de discutir se participará dos atos pró-Lula previstos no País antes de 24 de janeiro, data do julgamento no TRF-4, em Porto Alegre.
A CartaCapital, Lupi afirma que o PDT ainda não discutiu assinar o manifesto, mas defende a participação do petista mesmo com o apoio do partido à candidatura de Ciro. "Temos candidato a presidente, mas queremos Lula na disputa para se ter uma opção. É um direito dele", diz o dirigente, ex-ministro do Trabalho do ex-presidente e de Dilma Rousseff.
Recentemente, Lupi escreveu um artigo na página oficial do PDT intitulado "A Justiça é para todos?", em que critica a postura de integrantes do Judiciário no caso por suas declarações fora dos autos quando não há provas concretas sobre crimes e malfeitos. "A partir do momento que a balança que figura a Justiça pende – independente do lado –, quem está em jogo, de fato, é a democracia e a possibilidade de um irreparável erro", escreve o presidente da sigla.
Lupi afirma que, mesmo com a condenação de Lula, o petista tem direito de buscar sua candidatura por meio de recursos na Justiça. Sobre o fato de Ciro não ter assinado o manifesto, o presidente do PDT afirma que não é importante o pré-candidato subscrever um documento institucional. "Ele já fez críticas ao processo antes. Não compete a ele assinar."
Já Carlos Siqueira afirma não haver uma posição unânime do PSB sobre o tema. Sua posição pessoal é de que a melhor solução para o caso "é entregar para a população decidir". "Seria estranho o principal concorrente não disputar. O processo dele foi colocado na frente de outros no TRF-4. Temos o caso do ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, do PSDB, que ainda não foi encerrado. Isso gera desconfiança."
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O presidente da legenda deve tratar do tema em uma reunião com o senador João Capiberibe (PSB-AP), um dos representantes da ala do partido mais simpática a Lula, grande parte dela concentrada nas regiões Norte e Nordeste. Segundo Siqueira, sua posição sobre a candidatura do petista não reflete a posição do partido, mas uma opinião pessoal. "Não há unanimidade", reconhece.
Um exemplo: no ano passado, o deputado Júlio Delgado, também do PSB, disse não ver perseguição de Moro a Lula no caso.
A divisão do PSB sobre o tema coincide com as dúvidas internas sobre qual caminho adotar em 2018. Embora Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, e o recém-chegado Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma, sejam cotados como possíveis presidenciáveis, o partido não rejeita fazer uma aliança com o próprio PT ou mesmo com PSDB para as eleições deste ano.
Atos em defesa de Lula
Além do manifesto em discussão com os partidos, Alexandre Padilha, um dos organizadores da série de eventos e atos do PT previstos antes do julgamento em Porto Alegre, diz haver uma articulação com parlamentares e políticos de diversos partidos sobre o tema. Além de Boulos e Manuela D'Ávila, Padilha cita o deputado Ivan Valente, do PSOL, e o senador Roberto Requião, que segue por ora no MDB.
Padilha diz haver possibilidade de Lula ir a Porto Alegre no dia do julgamento, mas a questão ainda deve ser debatida com os advogados do ex-presidente, que pediu para ser ouvido pelos desembargadores do TRF-4. De qualquer forma, está previsto um ato de recepção a Lula em São Paulo logo após a decisão. "Queremos mostrar que ele está no braço do povo. Tentar completar esse golpe dentro do golpe é um ataque à democracia e ao processo eleitoral,", afirma.
O vice-presidente do PT garante ainda que diversas centrais sindicais participarão dos atos pró-Lula no País. Além da CUT, ele diz que a Intersindical, ligada ao PSOL, e até mesmo integrantes da Força e da UGT, mais próximas de Michel Temer desde sua ascensão ao poder, engrossarão os protestos contra uma possível tentativa de barrar a candidatura do petista. Aliado de Temer, Paulinho da Força, presidente da Força Sindical, assinou recentemente um manifesto em defesa de Lula se candidatar.
Fonte: Carta Capital

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