Míriam Leitão
A colunista Miriam Leitão fez uma crítica ao ex-juiz Sergio Moro, ao procurador Deltan Dallagnol e os vazamentos no Intercept Brasil no jornal O Globo. “Dois ministros de tribunais superiores avaliaram ontem que as conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol não deveriam ocorrer da forma como ocorreram, mas ao mesmo tempo um deles disse que dificilmente o julgamento do ex-presidente Lula será revertido. Um dos militares com cargo no atual governo admitiu que ‘bom não é’, ao se referir aos diálogos já divulgados pelo site ‘Intercept Brasil’. A ordem no Planalto é de ser o mais cuidadoso possível em qualquer declaração sobre o assunto, mas o clima é de constrangimento. Um dos ministros acha que há nos diálogos ‘uma clara violação à lei’ brasileira que veda a proximidade entre o juiz e as partes para evitar ‘combinações’. Outro acrescentou que no Judiciário é fundamental a ‘publicidade e a transparência’. Em países como Portugal, por exemplo, existe a figura do ‘juiz de instrução’, que trabalha com as partes para a consolidação das provas. Mas exatamente por causa desse envolvimento ele não julga a causa. No Brasil, essa ideia de um juiz de instrução chegou a ser pensada, mas nunca foi aprovada”.
Ela desenvolve seu raciocínio: “O ex-juiz Moro e o coordenador da Força-Tarefa não deveriam ter trocado informações fora dos autos e das conversas protocolares. Mas é difícil, diante de tantas evidências, achar que tudo o que houve na Lava-Jato durante cinco anos foi fruto de um conluio e apenas com o intuito de evitar uma candidatura. É incontornável o fato de que a operação tem revelado um volume exorbitante de atos de corrupção de políticos de diversos partidos, de empresários réus confessos, de operadores vindos do mundo das sombras”.
E conclui: “Na verdade, a Lava-Jato desde o início vive o temor da conspiração contra ela. E várias vezes, teve razão, como ficou claro no desejo do governo do ex-presidente Temer de ‘estancar a sangria’ ou de ‘manter isso aí’. Contudo, o pior ataque que ela sofreu vem dela mesma. No momento em que o ex-juiz Sérgio Moro deixou a 13ª Vara Federal para ir para o governo Bolsonaro, ele fragilizou a operação. Os diálogos divulgados agora são outra razão do enfraquecimento. Para avançar será preciso estar cada vez mais longe da briga político-partidária brasileira. O inimigo é a corrupção e não um partido. Quem pensou diferente disso, errou”.
Fonte: diariodocentrodomundo.com.br

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