quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Fundo eleitoral: sem hipocrisia, por favor


Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Pode-se prever a montagem de um escândalo artificial em torno de um Fundo Eleitoral de R$ 1,7 bilhões aprovado pela Câmara, que precisa ser sancionado por Michel Temer até sábado para entrar em vigor.

Caso Temer fique assustado e não autografe a medida, os candidatos preferidos pelos ricos e milionários podem abrir champagne importado para festejar uma imensa vantagem antecipada nas eleições de 2018.
Num país onde a única forma de contribuição eleitoral privada permitida por lei envolve o pagamento de pessoas físicas, que têm direito a desembolsar 10% de seu rendimento bruto do ano anterior, o fundo público tornou-se uma alternativa necessária para se tentar uma disputa menos desequilibrada do ponto de vista financeiro.

Em três anos de recessão e desemprego, o desembolso dos mais pobres – sempre mais magro e difícil – torna-se ainda mais complicado, por motivos que nem é preciso explicar aqui. Em compensação, num país onde, conforme dados oficiais, 10% mais ricos dispõe de 54% da renda, 1% ficam com 24,5% e 0,01% embolsam 10.9%, uma disputa eleitoral baseada alimentada por dinheiro privado torna-se um pique nique na relva para o andar de cima.

A vantagem é particularmente notável para aquela parcela de endinheirados que recebem lucros e dividendos, pois o Brasil é um dos raros países do mundo – o outro é a Estonia – no qual esses ganhos estão isentos de pagar imposto de renda, graças a uma lei de 1995, o primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso, os jornais noticiam a articulação da turma de super-ricos para a fundação de um partido – chamado Novo embora tenha ideias tão antigas como o feudalismo – com base em dinheiro do próprio bolso. 

Nesta conjuntura, o fundo público representa um esforço para reequilibrar a situação.
Como aprendi nos tempos em que participava de eleições no CEUPES, o centro acadêmico de Ciências Sociais onde estudei na década de 1970, disputas políticas são mais saudáveis e transparentes quando não há dinheiro envolvido – apenas ideias e propostas políticas, apresentadas em debates abertos. Mas este é um mundo ideal, no qual o poder econômico e o poder políticos não se cruzam nem se alimentam.

Num país com 207 milhões de habitantes, endereço de uma das maiores economias do planeta, a realidade não é assim. Nem o olhar mais hipócrita pode negar que o dinheiro é parte real da disputa e pode ser um elemento decisivo para alavancar ou destruir uma candidatura – seja parlamentar, seja presidencial.


Há uma crítica correta a ser feita às campanhas anteriores, inclusive do Partido dos Trabalhadores, quando gastos e receitas ultrapassaram qualquer limite razoável, gerando distorções e desvios inaceitáveis. Essa verdade não deve esconder, porém, um fato inegável. Se o melhor e mais preparado dos candidatos não precisa ter o maior cofre, irá correr o risco de sequer ser ouvido pelo eleitorado se não contar com meios para isso.

Numa postura que reflete a desconfiança da população quanto aos gastos de campanha, compreensível em função de escândalos lamentáveis, a proposta aprovada equivale a um terço daquilo que se gastou em 2014, na última eleição presidencial. Equivale a 8 reais por cada brasileiro – ou 6 centavos por mês.

Fonte: desabafopais.blogspot.com.br

Em artigo, general de pijama defende novo golpe militar no Brasil

Luiz Eduardo Rocha Paiva defende intervenção "mesmo sem amparo legal" caso a crise política resulte "na falência dos Poderes da União"

Em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira 5, o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva defende um golpe de Estado no País caso a crise política chegue a níveis “extremos”.

“A intervenção militar será legítima e justificável, mesmo sem amparo legal, caso o agravamento da crise política, econômica, social e moral resulte na falência dos Poderes da União, seguida de grave instabilidade institucional com risco de guerra civil, ruptura da unidade política, quebra do regime democrático e perda de soberania pelo Estado”, escreve Paiva.

Citando o artigo 142 da Constituição e a Lei Complementar 97/1999, o general afirma que a legislação veta eventuais intervenções que não sejam determinadas pela Presidência da República, mas deixa lacunas a respeito do emprego das Forças Armadas: "A lei não eliminou a possibilidade de um impasse institucional caso o Judiciário ou o Legislativo requeiram o emprego das Forças Armadas e o presidente se recuse a dar a respectiva ordem, pois o Brasil não está imune ao conflito entre os Poderes da União, como se vê no atual contexto político".

O militar diz ainda que, “em tal quadro de anomia”, as Forças Armadas assumirão o papel de “recuperar a estabilidade do País” e “pacificar” a sociedade. “São ações inerentes às missões constitucionais de defesa da Pátria, não restrita aos conflitos externos, e de garantia dos Poderes constitucionais, da lei e da ordem.”

Paiva afirma que os representantes do Executivo e do Legislativo brasileiros “profundamente desacreditados pelo envolvimento de altos escalões em inimagináveis escândalos de corrupção, perderam a credibilidade para governar e legislar”. O general ainda demonstra preocupação com o futuro da Operação Lava Jato e diz que, embora desgastadas, as lideranças políticas têm força para barrar as investigações e escapar da Justiça.

Depois de elogiar “a credibilidade da presidente do STF [ministra Cármen Lúcia] e da maioria dos ministros”, o general da reserva diz que apenas o Supremo e a sociedade terão condições de deter o agravamento da crise moral, que, “em médio prazo, poderá levar as Forças Armadas a tomarem atitudes indesejáveis”.

Em editorial publicado também nesta quinta-feira 5, o Estadão justifica o espaço dado ao militar com o argumento de que o texto serve como “ilustração do pensamento” que tem o potencial de prosperar dentro das Forças Armadas e também entre os cidadãos “desencantados com os políticos”.

No CartaCapital

C/ contextolivre.com.br

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Justiça suspende despejo e determina negociação por terreno em São Bernardo




Reunião entre Justiça, sem-teto, governo de São Paulo, prefeitura de São Bernardo do Campo e construtora deve buscar acordo sobre área e reivindicações das famílias. Com perspectiva de negociação, marcha desta terça-feira é suspensa.

por Rodrigo Gomes, da RBA

A 20ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu hoje (2) suspender a reintegração de posse do terreno por cerca de 7 mil famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O acampamento ocupa área abandonada há mais de 30 anos, no bairro Planalto, em São Bernardo do Campo, ABC paulista.

O Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse (Gaorp) do TJ-SP vai organizar reuniões entre os sem teto, o governo de São Paulo, o governo federal, a prefeitura de São Bernardo do Campo e a construtora MZM para tentar chegar a um acordo sobre a área e a reivindicação das famílias.

“A decisão mais sensata era cancelar a reintegração de posse. Mas, pelo menos, não prevaleceu uma decisão inconsequente de jogar imediatamente na rua essas famílias. Até que essa reunião ocorra, vamos pressionar em várias frentes, com intensas mobilizações para garantir que o resultado dessa negociação seja efetivo para as famílias”, afirmou o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos.

O MTST se preparava para uma grande mobilização nesta terça-feira (2), caso a decisão judicial fosse pelo despejo. A marcha da ocupação Povo Sem Medo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, foi suspensa. “Nós vamos recorrer em tudo quanto é quanto: STJ, STF. Mas acima de tudo nós vamos recorrer nas ruas, onde as coisas se decidem de verdade. Independente do que eles decidam, nós vamos seguir lutando”, afirmou Boulos em assembleia na tarde de ontem (1º).

Na manhã de hoje, uma comissão de deputados estaduais do PT, Alencar Santana Braga, Luiz Fernando Teixeira e Carlos Neder, além dos deputados federais Paulo Teixeira e Nilto Tatto e o deputado estadual Carlos Gianazzi (Psol) estiveram no Palácio dos Bandeirantes e também no TJ-SP para defender uma saída negociada para a ocupação do MTST.  

Os parlamentares foram recebidos, na sede do governo paulista, pelo secretário da Casa Civil, Samuel Moreira, e demonstraram a preocupação com a expedição de um possível mandado de reintegração de posse, gerando confronto entre os integrantes da ocupação e policiais. Os deputados querem que o governo Alckmin abra negociação para que as famílias sejam contempladas com programas de moradia. “A intervenção do estado é fundamental pra dar dignidade aquelas pessoas que lutam por moradia, evitando um novo Pinheirinho”, disse Alencar.

A reintegração de posse já havia sido determinada pelo juiz Fernando de Oliveira Ladeira, da 7ª Vara Cível de São Bernardo, em caráter liminar. A decisão foi cassada, posteriormente, por meio de um recurso dos advogados do movimento. A ocupação teve início há 30 dias. Segundo o MTST, o terreno está abandonado há mais de 30 anos e com uma dívida de Imposto Predial e Territorial Urbano de aproximadamente R$ 500 mil.

O militante garantiu que o movimento vai resistir a uma tentativa de reintegração de posse. E destacou que ameaças e violência – como no dia em que tiros foram disparados contra os ocupantes a partir do condomínio ao lado – não vão intimidar as famílias. Os ocupantes já realizaram manifestações na prefeitura de São Bernardo do Campo e na sede da construtora MZM, em busca de um acordo que garanta a construção de moradias populares.

“A gente pode até sair voluntariamente do terreno. Mas pra isso acontecer vai ter de ser com acordo, em papel passado, apontando solução de moradia pra todo mundo que está aqui. Agora se eles quiserem apostar no conflito, vão ter de pagar pra ver. Nós vamos resistir. Nós não passamos aqui esse mês, se sacrificando em baixo.

Fonte: desabafopais.blogspot.com.br

“Com reputação destruída, acusado e condenado na mídia, emocional do reitor não aguentou. Chega de aceitar isso!”


Por Hêider Pinto*
O Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina suicidou-se hoje, segunda-feira, 2 de outubro de 2017.
Em operação na qual se acusou docentes de desviarem bolsa, esse Reitor foi alvo de condução coercitiva e prisão provisória.
Não por julgarem que ele estava envolvido, mas por acusarem-no de obstruir a investigação.
Com a reputação destruída, acusado e condenado na mídia, proibido de ir à Universidade… o emocional não aguentou, como mostram seus comentários em entrevista dada há menos de 15 dias.
O fato é que o processo legal esta completamente invertido: se prende, condena publicamente, destrói reputações, toma-se as piores medidas antes de julgar e antes de sequer terminar a investigação.
E em alguns casos, por problemas que mereceriam auditorias e processos administrativos internos e não operações espetaculares feitas para a mídia e dando espaço para a intervenção em Universidades.
Não se pode aceitar isso. O Estado de direito está sendo corroído.
Prende-se reitores, dirigentes das Universidades, docentes, em nome de que?! Com qual finalidade mesmo?
Se o reitor for inocente, mais odioso ainda esse absurdo.
Se o reitor for culpado, merece imenso ódio essa ação que levou uma pessoa à morte.
Não podemos nos calar diante disso.
Ou a gente recoloca como devem ser os processos legais ou a força desmedida e o autoritarismo cada vez mais serão usados como arma contra a pessoa que é adversária daquele que está com a caneta.
Hoje pode ser você, amanhã pode ser quem não gosta de você. Hoje pode ter nada a ver com você, amanhã pode ser a vez de alguém que não gosta de você ganhar a caneta.
Se não do ponto de vista social e civilizatório, que cada um enfrente esta situação mesmo que pensando em si e nos seus.
*Hêider Pinto é médico sanitarista e ex-coordenador Programa Mais Médicos no governo Dilma
Leia também:
Fonte: Viomundo

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

PiG empurra reitor ao suicídio, em Santa Catarina

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Prof Cancellier não resistiu à destruição da reputação (Crédito: UFSC)
Palmas pro filme da Lava Jato e pro jornalismo assassino de reputações
Do G1:
O reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) no Beiramar Shopping, em Florianópolis.
Cancellier, de 59 anos, estava afastado da instituição por determinação judicial. Ele e outras seis pessoas foram presas no dia 14 de setembro e liberadas no dia seguinte. O grupo é investigado na Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura desvio de recursos em cursos de Educação a Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta no Brasil (UAB) na UFSC.
Em nota, a assessoria do shopping disse que por volta das 10h30 um homem cometeu suicídio, caindo no vão central. Ele se jogou da escada do piso L4. A Polícia Militar e o Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a identidade da vítima.
A Polícia Civil esteve no shopping nesta manhã com os delegados Ênio Matos e três delegados recém-formados da Academia da Polícia Civil de Santa Catarina (Acadepol), que auxiliarão no caso. Eles coletavam informações com funcionários do shopping. A investigação ficará a cargo da 1ª Delegacia de Polícia da Capital.
Conforme a chefia de gabinete da UFSC, dois pró-reitores se deslocavam na manhã desta segunda-feira para o IML. Em nota, a universidade afirmou que "pró-reitorias e secretarias da Administração Central paralisaram as atividades a partir das 11h, em função do trágico acontecimento".
Estiveram no shopping nesta manhã familiares e amigos do reitor. Entre eles, a secretária de Justiça e Cidadania, Ada de Luca, e o ex-ministro do Trabalho, Manoel Dias.
(...)
Conversa Afiada reproduz, também, nota oficial da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes):

NOTA OFICIAL


A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.
Brasília, 02 de outubro de 2017.
Em tempo: de Gian Kojikovski, repórter da Revista Exame:
"A delegada responsável pela prisão do reitor da UFSC é Érika Marena, uma das integrantes iniciais da Lava-Jato"
Em tempo2: de Moacir Pereira, no Diário Catarinense:
O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, valeu-se do suicídio para praticar um ato político de forte impacto na população. Além de optar pelo espaço mais visitado e de maior movimentação nas manhãs de segunda-feira, em Florianópolis, ele deixou um bilhete que pode explicar as razões de seu gesto.
Segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier, onde teria escrito: "Minha morte foi decretada no dia de minha prisão".
(...) O reitor não conseguiu neutralizar os efeitos políticos, sociais e psicológicos da sua prisão na Operação Ouvidos Moucos. Com toda a vida dedicada à Universidade e à educação viu o esforço acadêmico e político de décadas desmoronar do dia para a noite. A partir da prisão viveu dias terríveis, segundo os amigos mais chegados. Iniciou um processo depressivo, tinha aconselhamento psiquiátrico e tomava medicamentos para neutralizar o impacto psicológico da prisão e todo o processo humilhante a que foi submetido.

(...)

Fonte: Conversa Afiada

Xadrez do feitiço que virou contra o MPF, por Luís Nassif

 
Peça 1 - os fakenews da mídia]

Os fakenews foram introduzidos no mercado de opinião brasileiro pelos grupos de mídia. Foram eles que criaram notícias falsas, como os dólares de Cuba, a invasão das FARCS, as contas secretas no exterior, a ficha falsa da Dilma.

Hoje em dia, há uma preocupação nítida da mídia de restringir os fakenews aos sites de boatos das redes sociais. E esse trabalho é ajudado pelos sites de checagem de notícias.

Esses sites pecam por um problema de conceito, passando ao largo de dois tipos de manipulação.

Fakenews 1 -  as informações relevantes e falsas que são colocadas no meio de uma reportagem com informações verdadeiras e irrelevantes.

Fakenews 2 - os títulos.

Na era das informações rápidas das redes sociais, os fakenews são alimentados por manchetes falsas, que colidem com o próprio texto.
Quando a Folha coloca em manchete que Fernando Haddad admitiu ter colado no curso de economia, não a absolve o fato do texto deixar claro que a afirmação foi uma brincadeira de Haddad. Piora a situação do jornal, porque o leitor não precisará buscar em outras fontes as provas da falsificação da manchete. Mas a manchete passará a frequentar todos os veículos especializados em fakenews.

O mesmo ocorreu quando O Globo colocou as fotos com os R$ 55 milhões de Geddel Vieira e, logo abaixo, uma manchete com referências a Lula e Dilma.

Peça 2 - os fakenews do Ministério Público Federal

Uma das formas mais ostensivas de fakenews são as falsas ênfases. Ou seja, uma ênfase desmedida a fatos irrelevantes, visando esquentar a matéria.
Dessa manipulação padece a mídia e padece o MPF/Lava Jato. Quando os jornais insistem em discutir os recibos de aluguel do apartamento de 2015 e deixam de lado o fato de que os aluguéis vinham sendo pagos desde muitos anos antes, é um exercício de fakenews.
Por omissão, permite os fakenews nas declarações de candidatos à delação, o óbolo que pagam à Lava Jato para ter direito ao prêmio da delação. Pouco importa se mais à frente as afirmações serão deixadas de lado, por falta de comprovação. O objetivo da Lava Jato é eminentemente político.

Peça 3 – o feitiço contra o feiticeiro

O próprio MPF sentiu na pele o resultado dessa completa subversão no sistema de informações, quando, no caso da JBS, apareceu o nome do procurador Marcelo Miller.

Ele já estava desligado do MPF e em tratativas com o escritório Trench, Rossi e Watanabe. Seu nome foi mencionado nas conversas autogravadas de Joesley Batista. Em princípio, não havia nada que o comprometesse, mas informações de tratativas de contratá-lo e de conselhos que ele passou aos Batista.
Aí surge o caso das gravações da JBS.

Até então, a Procuradoria Geral da República (PGR) tinha muito pouco sobre a JBS, algumas informações provenientes da Operação Greenfield e Bullish, envolvendo empresas com pouca dimensão dentro do grupo.

O tamanho das provas apresentadas fez com que o PGR Rodrigo Janot aceitasse um acordo de leniência extremamente favorável ao grupo. Quando vieram as críticas, imediatamente foi lembrada a participação de Miller nas conversas do grupo. Michel Temer se valeu disso para insinuações sobre a honra de Janot – só no Brasil um presidente se permite insinuações sem provas. Em pânico, Janot jogou seu ex-auxiliar ao mar.

Para esquentar seu furo, o Estadão tratou de transformar Miller em assessor de confiança de Janot. Uma mera conversa com os procuradores do círculo de Janot bastaria para desmentir essa ligação. Convocado para Brasília no início da gestão de Janot, segundo colegas Miller sempre foi arredio aos rapapés da corte. Praticamente não passava fins de semana em Brasília e não frequentava a casa de Janot – ponto essencial para conquistar a confiança do chefe.

Janot acabou jogando-o ao mar e expondo-o a toda sorte de espertezas, inclusive do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, espécie de Cristovam Buarque da advocacia, rompendo com seu padrinho, deputado Wadih Damous, e aproximando-se do PMDB do Rio de Janeiro, buscando pavimentar suas ambições políticas.

Antes de qualquer investigação e julgamento, tratou de cassar a licença de Miller para advogar, lembrando os tempos em que essas arbitrariedades eram praticadas e, entre as vitimas do estado de exceção, estava seu próprio pai.

Peça 4 – os dados disponíveis

Os e-mails e conversas divulgados até agora mostram que, entre a JBS e Miller, havia tratativas de contratação que não se concretizaram.

Até que apareçam fatos rebatendo, vale a versão até agora apresentada por Miller.
1. Ele vinha negociando com a amiga Fátima Tórtima a contratação pela Trench Rossi e Watanabe. Seria para diretor de complience.

2. Já tinha praticamente fechado com a Trench, quando apareceu a JBS, também através de Fátima Tórtima, interessada em dois cargos, visando resgatar a imagem da empresa pós-acordo: um diretor de inspeção sanitária e um diretor de complience. O de inspeção sanitária foi contratado nos Estados Unidos, um ex-alto funcionário do setor.

3. Miller não aceitou o convite de Francisco de Assis, o advogado de JBS. Mas como a empresa também queria contratar a Trench, aceitou operar como uma espécie de segunda opinião no acordo de delação. A JBS pretendia fazer uma emissão de ações nos Estados Unidos e queria saber tudo sobre as formas de coordenação das delações no Brasil e nos EUA.

Pediu demissão do MPF, demorou um pouco mais para sair, para poder gozar férias acumuladas e fazer uma pequena cirurgia. Por aí pode-se pegá-lo por algum atropelo a normas administrativas. E, de alguma forma, ajudou a acelerar a ida da JBS para Trench, conforme se depreende dos bônus que recebeu da empresa.

No entanto, pelas próprias gravações e e-mails divulgados, fica claro que a JBS tinha pouca visibilidade sobre o que ocorria do outro lado do balcão, a PGR.
Segundo documentos da PGR do Rio de Janeiro e da PGR de Brasília, desde julho de 2006 Miller não mais participava dos trabalhos da Lava Jato.

Na verdade, o grupo inicial acabou se afastando da Lava Jato por não se adaptar ao estilo de Janot, bastante centralizador e pretendendo o controle de tudo - provavelmente em função dos impactos políticos da operação.

Havia uma equipe original experiente, justamente a que foi investigar Eduardo Cunha, composta pelos procuradores Andrei Borges, Fabio Magrinelli, Bruno Calabrich e Miller.

Era uma equipe experiente, mas com algumas características que desagradavam a Janot: era independente, não compunham com as prioridades políticas de Janot. A saída encontrada por Janot foi inchar a equipe inicial com outros procuradores com menos história e menos experiência no MPF.

A intenção de controlar os trabalhos em Brasília se devia, também, à falta de controle de Janot sobre a Lava Jato de Curitiba. As estripulias de Curitiba chegavam a escandalizar Janot, mas este admitia não ter legitimidade política para intervir nos trabalhos pelos meios administrativos.

Peça 5 – as peças do próximo jogo

Por tudo o que se levantou até agora pode-se acusar Janot de medíocre, desastrado, burocrata. Mas não há nenhuma evidência de desonestidade financeira – para separa1r da intelectual.

Do mesmo modo, pode-se imputar a Miller comportamento pouco ético. Mas nada indica que tenha vendido segredos ou explorado o cargo em favor dos Batista.

Por isso mesmo, a tentativa de constrange-los via CPI já nasce sob o signo da chantagem. Pode aplacar algumas sedes de vingança, de assistir os persecutores provando do próprio veneno.

Mas não há ganho nenhum nem para a democracia nem para os bons costumes.

Fonte:  http://jornalggn.com.br

domingo, 1 de outubro de 2017

PCDOB DE NOVA CRUZ SAI NA FRENTE E REALIZA SUA CONFERÊNCIA

  Nova Composição do Diretório do PCdoB de NOVA CRUZ/RN ao lado de Moacir Soares, dirigente do PCdoB Estadual
 Moacir Soares - PCdoB/RN, falando em nome do Diretório Estadual do PCdoB/RN
 Um clic do Eduardo Vasconcelos
 Discussão das teses, manifesto, situação atual do pais, por Moacir Soares

 Vice Presidente do PCdoB de Nova Cruz, Betinho
Sindicalista e membro do PCdoB de Nova Cruz fazendo suas intervenções

Ontem (30) no plenário da Câmara Municipal de NOVA CRUZ/RN, o PCdoB (Partido Comunista do Brasil de Nova Cruz/RN, realizou sua Conferência Municipal, onde debateram os temas atuais da conjuntura atual, governo Temer, Manifesto do PCdoB Nacional, Teses do 14º Congresso Nacional, Programação para 2017/2018 e eleição de sua diretoria para biênio de 2017/2019.

Após discutirem as pautas acima citadas, o PCdoB de Nova Cruz elegeu sua diretoria para o biênio de 2017/2019, que ficou assim: DAMIÃO GOMES DA SILVA - Presidente, DAMIÃO GOMES DA SILVA, presidente; ROBERTO MARCONI GUEDES DE OLIVEIRA; secretário de organização; EDUARDO HENRIQUE FÉLIX DE VASCONCELOS; tesoureiro; JOSÉ ALDO DO NASCIMENTO; secretário de juventude, HELOIZA VICTÓRIA BARBOSA DE VASCONCELOS; secretário dos movimentos das mulheres; MARIA VIVIANE ALVES DO NASCIMENTO e GILSON GOMES DE ANDRADE, secretário dos movimentos sociais e JOSÉ GOMES DA SILVA, secretário de comunicação. A proposta foi à votação sendo aprovada por unanimidade.

Antes das eleições para o diretório, a mesa oficial debateu todos os temas inerentes a conferência. O dirigente do PCdoB Estadual, Moacir Soares e dirigente da CTB/RN, ressaltou a importância da militância se concentrar nos debates aturais, engajar-se-a nas lutas e em defesa do Brasil soberano, democrático e laico! E sempre na defesa da soberania nacional.

Já o presidente do PCdoB, Damião Gomes ressaltou que a luta tá apenas começando e que a força dos trabalhadores está entre o fortalecimento dos mesmos, com consciência de luta e união.

Eduardo Vasconcelos, também reconduzido a cargo de secretário de organização enfatizou a necessidade de que cada camarada reflita seus atos, leiam, debatam para adquiris mais consciência política e resistir sempre a desigualdade social.