domingo, 29 de outubro de 2017

Política - João Doria: solução ou dor de cabeça?



João Doria: solução ou dor de cabeça?
Doria, ao lado de Jaime Lerner - Rovena Rosa/Agência Brasil
por Adalton Franca de Oliveira* 
O Brasil carece de um fato novo, seja ou não o atual prefeito de São Paulo.
João Doria, prefeito de São Paulo, é um dos nomes fortes para as eleições presidenciais, muito embora não seja unanimidade nem no seu próprio partido. Apesar disso, existe uma corrente do eleitorado e de setores empresariais que defendem que ele seja o postulante do PSDB ao Palácio do Planalto em 2018.
Trata-se de um homem com uma vivência em cargos públicos relativamente rasa, mas longe de ser inexperiente. Quem é Doria? Aos 58 anos de idade, João Agripino da Costa Doria Junior foi eleito prefeito da maior cidade da América Latina e uma das mais populosas do planeta, gerindo um orçamento superior ao de muitos países.
O desafio de administrar uma cidade complexa como São Paulo é grandioso e ele ganhou elogios, apoio, foi criticado e contestado. Manteve-se, porém, firme em suas convicções e desviou pouco do planejamento inicial de sua gestão. Centrado, possui um discurso pronto e sempre bem elaborado, com respostas para quase todos os questionamentos, algumas vezes transmitindo uma imagem que beira a arrogância, como nos casos do combate aos pichadores e o da revitalização da região conhecida como Cracolândia, ocasiões em que não deu margem para uma discussão na sociedade.
Foi, entretanto, corajoso, colocou o “dedo na ferida”, fato que seus antecessores nunca o fizeram, preferindo a omissão. Muitos amam o prefeito e outros tantos o odeiam. Dificilmente se verá um meio termo.
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É homem de negócios, bem-sucedido, fundador e proprietário da empresa que leva seu sobrenome, Grupo Doria, empreendimento que atua nos ramos da Comunicação e Marketing, composto por seis organizações: Lide – Grupo de Líderes, Doria Administração de Bens, Doria Internacional, Doria Editora, Doria Eventos e Doria Marketing & Imagem.
Além de empresário, foi diretor de Comunicação da FAAP, importante faculdade paulista, chairman da Casa Cor, colunista e editor de diversas revistas. Nas décadas de 1980 e 90, ocupou cargos de direção em autarquias ligadas ao turismo na gestão do então prefeito paulistano Mario Covas e do presidente José Sarney. Também foi secretário de Turismo em São Paulo, além de  ter apresentado os programas televisivos “Show Business” e “O Aprendiz”. Possui formação em Comunicação e provavelmente daí adquiriu o talento para o marketing pessoal. É muito presente nas redes sociais, seja por vídeos, postagens de textos ou interações com os seguidores. Trata-se de algo comum e que faz parte do cotidiano do prefeito.
A possível candidatura a presidente nunca foi formalmente descartada. Ele deixou claro em algumas oportunidades que não se sentiria confortável em competir internamente no partido com seu padrinho político, o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Não restam dúvidas, porém, de que o prefeito está balançado com a possibilidade de tornar-se presidente do Brasil.
Doria seria um forte concorrente nas regiões Sul e Sudeste, alavancado pelo fato de ser um novo nome, rico, que em tese não necessita de dinheiro da corrupção. Não teria, porém, tanta vantagem nas regiões Norte e Nordeste, devido ao grande desconhecimento por parte dos eleitores. Por isso, necessitaria de um nome respeitado na parte de cima do mapa como seu vice.
No Centro-Oeste, há margens para o crescimento e a consolidação. Seu partido, o PSDB, é benquisto pelo eleitorado local. No contexto atual em que fortes correntes são investigadas ou envolvidas em situações espúrias, o prefeito de São Paulo embarcaria com destaque pela corrida presidencial. Seu nome é sempre citado em pesquisas.
O que fica no ar e é difícil de definir é se conseguiria ser tão firme no Palácio do Planalto como é na prefeitura. Vale destacar que as amarrações políticas necessárias para gerir o Brasil são infinitamente superiores àquelas da maior cidade do País. Existem muitos interesses envolvidos e gente a ser agradada.
O “jogo de cintura” não é umas das maiores qualidades de Doria. Recentemente, ele vetou o nome do advogado Eduardo de Castro, do PR, para a Secretaria do Verde, com a justificativa de que o mesmo não possuía qualificação técnica para ocupar a função, o que causou um mal-estar no partido aliado, que retirou de forma provisória seu apoio ao governo municipal.
Certo é: até a definição do PSDB, haverá um grande vaivém político envolvido, e o nome indicado pelo partido terá grandes probabilidades de se tornar o novo presidente do Brasil.
O Brasil carece de um novo fator, um choque de gestão, não necessariamente João Doria. Estamos órfãos de candidatos cuja visão se diferencie da “velha e boa política”, e talvez aí resida o perigo. Temos diversos candidatos e partidos com discursos modernos e disruptivos, porém com atitudes nem um tanto inovadoras.
* “Sócio” desde 2017
Fonte: CARTA CAPITAL

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