![]() |
| Golpe? Com certeza! |
Escreveu o
jornalista e bacharel em filosofia Hélio Schwartsman:
.
"O discurso de resistência ao golpe
que o PT vem fazendo é emocionante. Ao ouvir a fala de Lula na porta do
sindicato dos metalúrgicos, eu mesmo me senti transportado para as
manifestações contra o regime militar dos anos 80.
O problema com essa narrativa é que
ela está no século errado. Está faltando a ditadura contra a qual possamos nos
insurgir. A condenação e a prisão de Lula se deram num contexto de normalidade
democrática, no qual as instituições, com erros e acertos, vão cumprindo seu
papel.
Na segunda metade do século 20,
proliferaram no mundo ditaduras de direita. Seu surgimento era favorecido pela
geopolítica global, que opunha os EUA ao bloco soviético. Foi aí que os
militares brasileiros, com apoio norte-americano, deram um golpe e, por duas décadas,
governaram o país com mão de ferro.
Esse tipo de ditadura, contudo,
morreu com o fim da Guerra Fria".
Está errado? Nem a pau,
Juvenal!
Sei que recusar os antolhos que quase
todos usam não me faz exatamente popular. Mas, alguém inequivocamente de
esquerda precisa ter a sinceridade como norma nestes tristes tempos presentes.
Resolvi desempenhar tal papel, não por orgulho, mas porque agir de forma diferente me faria vomitar até morrer de inanição.
Resolvi desempenhar tal papel, não por orgulho, mas porque agir de forma diferente me faria vomitar até morrer de inanição.
Não houve mesmo golpe de Estado em
2016 para quem, como o Schwartsman e eu, tem como paradigma os golpes dos anos de chumbo.
Em primeiro lugar, porque aqueles eram anticomunistas e se destinavam a depor governos de esquerda que, real ou hipoteticamente, estariam encaminhando uma revolução social.
O defenestramento da Dilma ocorreu
depois de os grandes capitalistas conviverem bem com três mandatos
presidenciais sucessivos do PT, lucrando como nunca; e não por motivos
ideológicos, mas sim porque ela se mostrava impotente para evitar o
aprofundamento da pior depressão econômica brasileira em décadas, talvez a pior
da História.
O Brasil, sob a Dilma, não marchava
para uma revolução, mas sim para os saques e outras turbulências que decorrem
do agravamento da penúria, fazendo explodir o desespero dos mais pobres.
E não houve virada de mesa com tropas
na Dutra e tanques nas ruas, mas sim o tedioso cumprimento à risca do passo a
passo do impeachment conforme está definido na Constituição Federal.
Por que me incomoda tanto que um
rótulo propagandístico e demagógico tenha virado uma espécie de senha dos que
são contrários ao governo atual e ao que ele representa?
![]() |
Porque a incompreensão do que foi o impedimento da Dilma traz consigo uma absolvição ou atenuação da responsabilidade das forças de esquerda causadoras da pior derrota do nosso lado desde 1964, ajudando-as a se manterem no palco quando se descredenciaram para continuar ditando os rumos da oposição ao status quo no Brasil.
Ou, em termos mais claros: porque seu
populismo, seu reformismo e sua conciliação de classe ruiu fragorosamente ao
ficar comprovado que o poder econômico (aquele que realmente manda no Brasil,
enquanto o Executivo, o Legislativo e o Judiciário não passam de satélites que
giram na sua órbita) nunca consentirá que governantes saídos das urnas
ultrapassem os limites que ele traçar.
Mas, se vai levar a bola para casa
sempre que o desenrolar da partida lhe desagradar, por que jogarmos com ele,
afinal?! Para perdermos sempre? É preferível jogarmos com bola de meia num
campinho lamacento, como fazíamos outrora...
Então, não é ganhando eleições que
conseguiremos dar um fim à desigualdade econômica extrema e à extrema miséria
na qual ela mergulha mais de um terço dos brasileiros. Mas sim organizando
nacionalmente o povo para lutar pela justiça social e para sustentar as
conquistas arduamente obtidas contra os poderosos que inevitavelmente as tentarão
anular.
Para que esta nova fase comece é
necessário que a anterior acabe e não haja mais o direcionamento de esforços
para o que não deu certo antes e dará menos certo ainda daqui para a frente.
![]() |
Então, continuarei atuando no sentido de engendrarmos uma nova esquerda, para substituir a que já não tem mais esperança nenhuma a oferecer ao povo brasileiro.
Trata-se, na verdade, da única opção
que resta para os idealistas que travam o bom combate. Ainda que a ficha não
tenha caído para a maioria dos companheiros no presente, em médio e longo
prazos a esquerda brasileira, sem tal reciclagem, se tornará irrelevante.
Precisamos honrar a trajetória de
mais de um século que temos atrás de nós e da qual somos depositários, não
deixando a chama extinguir-se de forma tão melancólica.
Até porque o povo necessitará cada
vez mais de quem o ajude a lutar com discernimento contra o capitalismo, cuja
nocividade e desumanidade só tendem a aumentar daqui para a frente.
Postado por celsolungaretti
Fonte: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/




Nenhum comentário:
Postar um comentário