
Foto: Aécio Neves Réu (Lula Marques/PT)
Em 2005, lideranças do PT comeram o pão que o diabo amassou por causa do mensalão. O PSDB acossou o PT o quanto pode, com suas lideranças aparecendo em entrevistas com ares de indignação. Agora, vem à tona a revelação de que o PSDB, criador do modus operandi conhecido como mensalão, tinha feito a mesma coisa para justificar transferência de recursos públicos para o caixa 2 das campanhas do partido no Estado. Na verdade, fez coisas mais graves.
No caso do mensalão de Brasília, o dinheiro que saldou dívidas de campanha de parlamentares saiu da Visanet, que é uma empresa privada que tinha o Banco do Brasil como um dos seus gestores. Já em Minas, sob Eduardo Azeredo e, mais tarde, Aécio Neves, os recursos que aportaram na agência do publicitário Marcos Valério saíram do caixa da publicidade do governo do Estado.
Se havia alguma dúvida sobre o envolvimento de Aécio Neves com esses fatos, para a Polícia Federal agora não há mais. O relatório do delegado Heliel Jefferson Martins Costa, divulgado pelo jornal O Globo, revela quea agência de Valério ficou 50% da verba de publicidade do governo de Aécio Neves em 2004. No mesmo ano, a agência SMPB, de Valério, contraiu empréstimo de 700 mil reais do Banco Rural.
Os avalistas foram políticos tucanos ligados a Aécio, Mauri José, que era líder do governo mineiro na Assembleia Legislativa, e Danilo de Castro, secretário do Governo. A polícia descobriu tudo isso ao investigar uma denúncia do ex-senador Delcídio do Amaral, que tinha presidido a CPI dos Correios, em 2005.
Delcídio disse que o Banco Rural atrasou a entrega de documentos relativos à quebra de sigilo para poder adulterar extratos e cópias de contrato. Com isso, fez desaparecer os nomes dos avalistas do empréstimo à SMPB. Quem conseguiu viabilizar essa operação, alterando prazos da CPI para que o Banco Rural pudesse praticar a fraude, foi Aécio. É o que concluiu a PF.
Ironia da história: Aécio, que nega toda essa manobra, segue livre e participando de negociações políticas com o governo de Michel Temer. Já quem denunciou o mensalão mineiro, o lobista Nílton Monteiro, se encontra preso, por uma condenação que não tem nada a ver com esses fatos — é sobre uma promissória assinada por um advogado que tinha negócios com o ex-deputado Sérgio Naya.
Quem foi o relator de sua condenação é o desembargador José Mauro Catta Preta Leal, que era procurador do Estado e assinou um parecer usado para viabilizar transferência de dinheiro público que deu origem ao mensalão no Estado.
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM
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