O advogado é um dos que estariam presentes quando o delegado da PF contou sobre as investigações da operação Furna da Onça.
Via Revista Fórum em 19/5/2020
O PSL nacional contratou, em fevereiro de 2019, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (RJ), que deixou o partido e hoje está no Republicanos, o escritório do advogado Victor Granado Alves. O advogado é citado pelo empresário Paulo Marinho como um dos assessores do senador que teriam recebido de um delegado da Polícia Federal a informação da operação Furna da Onça, envolvendo pessoas do gabinete de Flávio.
As notas fiscais da prestação de contas do PSL nacional relativas a 2019 mostram que o escritório Granado Advogados Associados, da qual Victor é sócio, custou aos cofres públicos ao menos R$500 mil para 13 meses e meio de contrato. O escritório foi contratado com dinheiro do fundo partidário para prestar serviços jurídicos ao diretório do Rio, comandado por Flávio, a partir de fevereiro do ano passado.
O valor pago foi de R$40 mil ao mês. O PSL informou que houve notificação de rescisão do contrato em 15 de janeiro deste ano, mas que uma cláusula determinava que eventual rompimento só se efetivaria 60 dias após essa comunicação.
Uma das sócias do escritório, Mariana Teixeira Frassetto Granado, de acordo com informações da Folha, figura como assessora parlamentar do gabinete de Flávio no Senado, com salário bruto de R$22.943,73. De acordo com o site da Transparência do Senado, ela foi contratada em março de 2019, o mês seguinte à contratação, pelo PSL, do Granado Advogados Associados.
O contrato do escritório de Victor com o PSL foi firmado no mesmo mês em que Flávio assumiu uma cadeira no Senado (fevereiro de 2019) e estabelecia, em linhas gerais, prestação de serviços de regularização dos diretórios do PSL no Rio.
Relatório das atividades de março de 2019, porém, indica que o trabalho ia além de regularização dos diretórios, ao citar também, de forma genérica, “consultoria jurídica prestada às bancadas parlamentares em geral” e “atendimentos diversos”.
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RECORDANDO
O empresário Paulo Marinho, que abrigou em sua casa parte da estrutura de campanha usada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disse que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (filho do presidente), esteve ao menos três vezes no local. Marinho é suplente do senador Flávio e fez a declaração na CPMI das Fake News, no Congresso Nacional, na tarde de hoje.
Segundo o empresário, Queiroz foi acompanhado do senador todas as vezes – ele atuava como seu “motorista” – e para outros trabalhos, que Marinho disse não saber quais seriam.
Marinho é o atual presidente do PSDB no Rio de Janeiro, depois de ter rompido com Bolsonaro. Ele chegou à comissão acompanhado do ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que foi demitido do cargo no começo de 2019 e apenas assistiu ao depoimento.
O empresário afirmou que não teve mais contato com o senador desde a eleição. Disse “acreditar de fato na inocência de Flávio” e que ele foi traído pela confiança de seu assessor (Queiroz).
A declaração foi dada após Marinho ser questionado sobre uma entrevista ao UOL, em agosto, em que disse que Flávio chegou a lhe pedir orientações quando surgiu o caso Coaf na imprensa.
“Flávio me ligou para pedir orientação. Eu sugeri que ele buscasse assessoria jurídica de alguém que tivesse qualificação para entender o que estava acontecendo e aconselhá-lo. Com relação à divulgação do assunto na mídia, achava que ele deveria enfrentar essa discussão diretamente e não ficar na retranca”, disse, na ocasião.
Marinho também negou saber se integrantes da campanha do presidente dispararam fake news (notícias falsas) de sua casa. Ele cedeu um dos anexos de sua residência, no Jardim Botânico, na zona sul do Rio, para a empresa AM4, que produzia conteúdo publicitário para a campanha de Bolsonaro. “Fui anfitrião em dois cômodos, no anexo da minha casa, da base de comunicação da campanha Bolsonaro, nos últimos seis meses”, contou.
A resposta foi dada à relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata, do PSB da Bahia, que o questionou sobre uma entrevista à jornalista Andréia Sadi, da Globonews, em que afirmou que foram enviadas mensagens de fake news para grupos de WhatsApp de sua casa.
Marinho disse ter sido mal compreendido e que apenas repassou “memes” para cerca de 15 pessoas de seu WhatsApp, e não fake news. “Disse isso apenas porque chegava um meme do capitão (presidente), de óculos escuros, arminha na mão, eu repassava para a minha rede de Whatsapp que tinha 15 pessoas. Não tinha nenhuma consequência ali. Me atribuíram coisas que jamais aconteceram na minha residência”, afirmou.
Apesar disso, ele disse desconhecer todas as pessoas que trabalharam nesse espaço em sua casa, servindo a comunicação da campanha. “Não ficava ali o dia inteiro”, justificou.
O empresário disse que atuou “simplesmente como apoiador” de Bolsonaro e que acreditou, “dado ao cenário político”, que Bolsonaro pudesse ser o “interlocutor de parcela importante da população”.
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