sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Entrevista com Walter Sorrentino ‘Projeto eleitoral do PCdoB tem por referência o bloco político social popular’, por Cezar Xavier e Osvaldo Bertolino para a Revista Princípios

Primeira parte da entrevista para a revista Princípios em que analisei a estratégia política em cenário de golpe e crise, a necessidade da unidade das esquerdas e o grito por Lula Livre.
Como pensar a estratégia e a tática política e eleitoral em meio ao cenário da crise institucional brasileira?
O vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, analisa como se comportou e aonde chegou o Partido diante do imprevisível quadro imposto à esquerda – e particularmente ao PT de Lula – pelo golpe. Para ele, está criado o cenário para uma desejável quinta vitória consecutiva das forças progressistas, objetivo que norteia a estratégia comunista desde que a esquerda foi expulsa do governo sob condições “excepcionais”
Dias antes da definição de Manuela D’Ávila como candidata a vice-presidente na chapa PT-PROS-PCdoB, os confrontos regionais pelas candidaturas começavam a baixar poeira, com a definição do apoio à reeleição de Flávio Dino ao governo do Maranhão e à reeleição de Vanessa Grazziotin na disputa ao Senado pelo Amazonas – ambas com peculiar valor, tanto para o PCdoB como para o próprio PT nacional, diante do papel que cumpriram na resistência contra o golpe do impeachment. Em outros nove estados, já haviam sido compostas coligações PT-PCdoB.
Após a definição da aliança nacional, Sorrentino, também secretário de Relações Internacionais do PCdoB, recebeu a redação de Princípios para um balanço dos últimos ajustes táticos. As excepcionalidades do cenário analisado foram frequentemente mencionadas pelo dirigente partidário, não apenas para demonstrar a dificuldade da definição da atitude de cada partido do campo progressista frente aos desafios que o consórcio golpista impunha, como para revelar a firmeza e o caráter vertebral da proposta do PCdoB, de unidade das forças progressistas, lastreada até o último instante em uma convergência programática em torno de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o país.
Fim de ciclo
Para Sorrentino, o ciclo da Nova República chega a uma situação de enormes tensões agravadas com o golpe do impeachment, o que acirrou uma crise política e institucional no Brasil com algumas marcas muito características. “Talvez, a mais notória seja o papel do Judiciário brasileiro se arvorando como tutela da Nação. Uma crise política institucional, com essa intervenção política do Judiciário, levou o país a uma situação de certa anomia social, uma crise de referências e representação política numa sociedade fragmentada, ela própria, e que parece indicar o fim do ciclo da Nova República, em direção a um novo caráter republicano”, observa ele.
Uma tal viragem histórica não tem tempo determinado para se definir, pode ocupar um tempo político intermediário, a depender, no caso, do caráter e resultado das eleições em curso. Sorrentino pondera que os ciclos são construídos nos marcos institucionais de um dado período da vida nacional, mas também por meio de uma base social, política e eleitoral dos campos em confronto. “Nos últimos 30 anos, desde que adquirimos a legalidade em 1985, participamos de todas as lutas presidenciais e eleitorais ao lado do PT”, recorda ele, afirmando, portanto, que o PCdoB foi um dos construtores de uma base social eleitoral muito ampla e popular, identificada com um conjunto de ideias expressas nos movimentos sociais dos mais variados tipos e em numerosos segmentos médios progressistas e democráticos.
Preocupado com os movimentos dialéticos da realidade, Sorrentino considera temerário apontar fim e início de um processo histórico, quando os elementos de análise são complexos e lentos. Há casos em que o novo ciclo abre caminho para acontecer mediante uma crise nacional, uma crise de Estado que leve à convocação de um novo processo constituinte; em certas circunstâncias, com situações revolucionárias, em outras não.
“Ou isso pode se processar de maneira a ocupar um determinado período político, no qual se deslindam e se realinham os elementos dessa base social e instituições”. Ele exemplifica com o caso da Argentina, que teve diversos governos em poucos meses, no início dos anos 2000. “Para que a gente não fique com uma visão mecânica e ideal de que um ciclo se encerra e outro nasce, porque isso nos levaria a abstrair a análise concreta da realidade, das correlações de forças em confronto, da resultante das contradições em presença. Agindo assim nós passaríamos a pregar em nome de um futuro, abstraindo o presente, algo que nos induziria a erros muito clássicos na tática política”, explicou.
Regime de exceções
Desta forma, Sorrentino alerta para a necessidade de observar o processo real em curso, que lembra outros períodos históricos e outros golpes contra governos populares, mas que guarda “excepcionalidades” muito peculiares. Ele, inclusive, admite a condicionante de nem mesmo as eleições serem capazes de fazerem essa viragem de ciclo. “Se, para o caso de essas eleições de outubro não conferirem legitimidade a um novo ciclo político, nós podemos ainda permanecer numa crise política institucional latente, que nem assim se resolva.”
Um ciclo está acabando, outro precisa abrir caminho, mas não tem ainda assegurados os meios. Para Sorrentino, este período de transição e imprevisibilidade em que as regras do jogo estão sendo quebradas uma após outra, sem indicativos de que vão se consolidar novamente, é um dado importante dessa realidade que o Brasil atravessa, pleno de excepcionalidades. Ele considera uma excepcionalidade um golpe de Estado de modalidade parlamentar com apoio do Judiciário que levou à ruptura do pacto democrático no país, assim como é uma excepcionalidade a Justiça – que deveria proteger a Constituição – interpretá-la cotidianamente ao sabor de interesses políticos. Onde juízes de primeira e segunda instâncias se arvoram em chefes morais da nação, chamando para si um pretenso poder de tutela. Ele continua alinhando a série de imprevistos, como o impeachment sobre uma presidenta com 54 milhões de votos, com a consequente implantação de um programa de governo que ela derrotara dois anos antes. Mas isso são águas passadas e devidamente digeridas, já que esta narrativa foi amplamente cristalizada entre os setores democráticos e progressistas mais amplos da nação e mesmo do mundo.
O que não se esperava, conforme opina Sorrentino, são as demais excepcionalidades. “A ‘Ponte para o Futuro’ continha uma estratégia política com alguma consistência”, admite. O dirigente comunista refere-se ao programa imposto pelo novo governo de Michel Temer, basicamente o programa tucano derrotado pela esquerda progressista. Programa que previa um brutal ajuste fiscal capaz de colocar as contas do país nos trilhos, mas prometendo superar a vigorosa recessão da economia – a mais prolongada da história do país. O que se viu foi uma radicalização do programa tucano, assumindo um caráter ultraliberal, neocolonial e autoritário. As reformas são feitas em ritmo de blitzkrieg [a guerra-relâmpago dos nazistas], aproveitando-se da poderosa derrota da esquerda, não concedendo tempo para a recomposição da resistência visando a barrá-las.
Assim, a aposta do golpe era fazer essas reformas que jamais passariam pelo voto popular e, dado o ciclo econômico natural do capitalismo, até o fim de 2017 se retomaria certo crescimento da economia com tendência ao fim da recessão. Deste modo, a direita golpista poderia ir às urnas num ambiente econômico com uma promessa de futuro, travestindo o programa num suposto “reformismo liberal”.
A derrota parcial da estratégia econômica e política do golpismo
“As reformas foram aprovadas, exceto a da Previdência! O golpe não fracassou nesse sentido, ele fez e continua fazendo o seu papel, derruindo a nação brasileira, a democracia e os direitos do povo. Mas a estratégia política foi derrotada, porque eles chegaram, no último ano, a uma crise política institucional ainda maior, aprofundando o grande drama social, com o país mergulhado numa grave crise federativa e da segurança pública, o maior líder político popular preso à margem do Estado Democrático de Direito, sem provas. E, por cima disso tudo, Lula liderando com folga todas as pesquisas eleitorais.”
Esse quadro calamitoso levou à fragmentação do campo conservador. Quando se tentou incluir um candidato único dessas forças, que viria a ser um tucano, Geraldo Alckmin, como tradicionalmente é, os golpistas se viram em enormes dificuldades. Se o candidato de Temer, Henrique Meirelles (MDB), é uma piada pronta – na verdade linha auxiliar para o Planalto ajudar Alckmin, dispensando-o da defesa do governo Temer –, o tucano se arrasta nas pesquisas de opinião.
O Centrão, conjunto de partidos que atuam como correias de transmissão do poder, tinha adotado uma posição dividida. Parte preferia ir com Ciro Gomes, ou com outras alternativas, já que o nome do tucano não deslancha na intenção de voto. “Isso já era expressão do fracasso daquela estratégia política. Essa questão da dispersão foi resolvida pela tradição de força da plutocracia, interna e externa ao país, mediada pelo Palácio do Planalto, que tem a máquina federal de fazer voto, e impôs a ordem unida: o Centrão não pode ir com Ciro, tem que ir com Alckmin, ou estará fora da máquina de governo!” Mas não lograram êxito integral: restariam Bolsonaro, monstro que eles próprios criaram, além de Marina e Álvaro Dias a disputarem o mesmo campo de votos. Mais que isso, em quase todo o Nordeste, líderes do Centrão publicamente apoiam Lula.
Fragmentação ou unidade
Não obstante esse terreno movediço, Sorrentino indica que o PCdoB fixou o rumo de uma estratégia eleitoral visando a vencer as eleições, por meio da unidade das forças de esquerda, progressistas e democráticas. “Hoje, a gente lida com essa situação: tornou-se possível, mediante táticas acertadas, levar as nossas forças ao segundo turno e ousar vencer a quinta eleição presidencial consecutiva”, exclamou.
Aqui, o vice-presidente do PCdoB ressalta o papel da candidatura de Manuela D’Ávila, face à prisão de Lula e a estratégias particularistas dos demais partidos do campo progressista. Manuela cresceu ao ocupar o espaço político de pregar a convergência programática dessas forças e de unidade entre as principais candidaturas postas.
Manuela foi a única vocalização dessa tática para garantir uma vitória contra o golpe. Para o dirigente do PCdoB, o Partido se posicionou ocupando tal espaço amplo, mas vazio, ao dizer que, diante do que ocorria, tínhamos de ter uma estratégia política para vencer as eleições, e não apenas para concorrer ou salvaguardar interesses desta ou daquela força, por legítima que fosse. “A deputada e presidente do PCdoB, Luciana Santos, teve a dimensão exata do que estava em jogo”, diz Sorrentino.
O trunfo Manuela D’Ávila
O desempenho de Manuela candidata foi excepcional. “Ela interpretou com brilho essa tática, esse lugar político próprio que o PCdoB ocupou, essa avenida que se abria. Ela se afirmou com maestria e elevação política, grande sagacidade e impressionou por seu carisma extraordinário. Mais importante ainda foi a capacidade de conectar essa mensagem com os novos segmentos sociais e as novas características da sociedade, que estão muito modificadas, seja por anomia, seja por sentimento antipolítica, seja por crise de representação, seja por pobreza mesmo. Ambiente em que as pessoas simples nem conseguem se posicionar, em uma sociedade cansada da política, mas ainda mais cansada da confusão política em busca de estabilidade”, declarou Sorrentino.
Manuela se tornou a “campeã das redes”, alternando o título com Bolsonaro e Lula. Destacou-se junto à juventude pobre e escolarizada, entre as mulheres, principalmente por ser a única candidata progressista, já que Marina não se ocupava disso, foi destaque entre os movimentos sociais das mais variadas causas e índoles. Sorrentino destaca o fato de Manuela ter se mantido na tela do radar do jogo principal o tempo todo, mesmo sendo de um pequeno partido. “Ela esteve sempre acima da ‘linha d’água’ nesse período”, afirma ele, complementando: “foi uma tentativa de atender ao anseio de criar saídas renovadas e nomes de renovação política no campo progressista de esquerda”.
Reconhecimento e respeito
O crescimento do prestígio de Manuela revela o alcance da estratégia eleitoral do PCdoB.  Sorrentino lembrou o esforço de iniciativa do PCdoB por uma convergência programática, que evoluiu para um documento único dos cinco partidos, incluídos PT, PSOL, PDT e PSB (com participação especial). Um programa básico centrado na proposta de novo projeto nacional de desenvolvimento, que vai ao encontro de extensos setores democráticos, progressistas e patrióticos, sobretudo populares.
Mas o PCdoB, nesse rumo, e propondo a unidade entre as candidaturas do campo progressista, situou-se em meio a diferentes estratégias políticas eleitorais, todas elas legítimas, embora reforçassem a fragmentação.
“Vimos que todos tinham suas razões e ninguém tinha razão, porque o que estava e está em jogo é o Brasil. É no curso de contemplar os interesses do Brasil, do povo e da democracia que você se afirma como força política. O PCdoB luta obviamente por seus interesses, mas o faz com vocação estratégica de governar o país, e de modo que na luta por seus interesses estes se façam os interesses da maioria da sociedade, se confundam com eles”, resumiu.
O grito que vem do cárcere
Para Sorrentino, ocorreu aí um último imprevisto: a enorme resiliência de Lula candidato. Lula preso continua com praticamente 40% de preferências eleitorais, lidera todas as pesquisas e ganha em todos os cenários de segundo turno. “Então, um grande trunfo político é, como se previa, a força de Lula. Força que aparece amparada num legado na memória popular e também como símbolo da injustiça, além de representar ele próprio um programa de nova esperança de futuro. Ele encarna esse papel naturalmente e ninguém poderia desconsiderar essa questão”, afirmou.
Uma coisa é certa, diz Sorrentino: “não se ganham eleições presidenciais apenas com o apoio do bloco político social popular; mas ninguém as vencerá sem esse apoio”. E essa opção referencial se impôs.

Cezar Xavier é jornalista e integra a equipe de redação da Revista Princípios e do Portal Grabois.
Osvaldo Bertolino é jornalista e escritor, editor do portal Grabois.org. É autor, entre outras publicações, das biografias de Pedro Pomar, Carlos Danielli, Vital Nolasco e Maurício Grabois.
**Para assinar a Revista Princípios, acesse: http://www.anitagaribaldi.com.br/produtos/765/revistas/socialismo-e-marxismo/assinatura-revista-principios-impressa-brinde-digital.html
Ao assinar a versão impressa, você ganha a digital.

Lula e Haddad, a dupla que revolucionou a Educação no Brasil, por Henrique Nunes

 
Entre 2003 e 2016, o MEC construiu mais de 500 novas unidades dentro do plano de expansão da educação profissional, totalizando 644 campi em funcionamento e 38 Institutos Federais presentes em todos estados.
Se para a maioria dos brasileiros Lula ocupa na política o espaço que pertence a um craque do porte de Messi no futebol, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad certamente teria o lugar de um Luiz Suarez. A comparação, por sinal, costumava ser feita pelo próprio Lula para ilustrar a grande revolução na Educação realizada por ambos.  “Ele falou: ‘Eu e o Haddad, a gente joga que nem o Messi e o Suárez. Eu sou o Suárez, ele é o Messi”, lembrou Haddad.
Para entender a analogia é simples: entre 2005 e 2011 tanto Lula quanto Haddad formaram uma das maiores duplas políticas que o país já teve. Enquanto o então presidente ditava o ritmo do jogo, e abria os espaços para novas conquistas, o ex-ministro da Educação tinha como poucos o talento para definir as jogadas, como fez, por exemplo, quando criou o ProUni ou criou um projeto de expansão de universidades federais sem precedentes na história do país.
Fernando Haddad, tal qual o camisa 9, sempre jogou para o time, deixando para o parceiro mais famoso ser o grande porta-voz de todas as conquistas. Isso não quer dizer, no entanto, que sua atuação não tenha sido reconhecida pela “torcida”: basta notar a crescente popularidade do ex-ministro da Educação para ter a certeza que o povo é grato a tudo o que ele fez para romper a barreira secular que separava os negros e pobres do Ensino Superior no Brasil.
Para entender melhor o quão importante foi Haddad para a área, é preciso relembrar o imenso legado deixado por ele ao longo dos dois mandatos do ex-presidente Lula. Confira:
ProUni
Haddad assumiu o MEC em 2005 e foi responsável pela implementação do Prouni (Programa Universidade para Todos), programa que concede bolsas de estudos a alunos de baixa renda ou egressos do sistema público em instituições privadas de ensino.De 2005 até 2014, o número estimado de beneficiados é de 1,5 milhão de estudantes.
A seleção feita pelo ProUni para a concessão de bolsa (para ser inscrito no processo seletivo, o aluno deve ter obtido, no mínimo, 450 pontos no Enem) e os critérios exigentes para a sua manutenção (aprovação em pelo menos 75% das disciplinas do semestre) são tidos como a razão para o êxito, segundo os pesquisadores.
PNE
O Plano Nacional de Educação é fruto de uma Conferência Nacional da Educação em 2009, quando Fernando Haddad era Ministro de Lula no Ministério da Educação, e foi aprovado enquanto Lei na gestão de Dilma Roussef em 2014, com validade até 2024. O PNE 2014-2024 é composto de metas a serem cumpridas pelo poder público, representados pelas entidades da federação (municípios, estados e o governo federal). Analiso neste trabalho somente a Meta 20, que trata sobre o financiamento da educação.
Piso salarial
Durante seu segundo mandato, em 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro da Educação, Fernando Haddad, sancionaram a Lei nº 11.738/2008, que estabeleceu pela primeira vez na história o Piso Salarial Nacional para professores de escolas públicas da educação básica. O piso nacional dos profissionais do magistério público é o valor mínimo que devem receber os professores em início de carreira e passou a valer para todo o país.
Com a aprovação do Piso, a categoria passou a ter um salário mínimo próprio. Quando a lei foi aprovada, cerca de 37% dos professores do país recebiam menos do que o piso, que em 2009, primeiro ano da Lei, era de R$950. Em 2012, passou para R$ 1.451.
Fortalecimento do FIES
Fies, criado em 1999, passou a ter um novo formato em 2010, também durante gestão do ex-presidente Lula. Naquele ano, foram reduzidos os juros do financiamento para 3,4% ao ano e o prazo de carência foi estendido para 18 meses, contados a partir da conclusão do curso. Após a implantação das mudanças, foram firmados mais de 1,16 milhão de contratos pelo Fies, até 2014.
Universidades federais
Em 2007, Haddad criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) , para avaliar a qualidade do ensino nas escolas públicas e, assim, desenvolver ações para superar os principais desafios encontrados.
As universidades públicas e institutos federais, antes basicamente centralizados nas capitais dos estados, foram levados para todo o interior do país. Foram criadas 18 novas universidades federais e 173 campus universitários, praticamente duplicando o número de alunos entre 2003 a 2014: de 505 mil para 932 mil.
Os institutos federais também tiveram uma grande expansão durante os governos do PT: foram implantados mais de 360 unidades por todo o país.
Expansão das escolas técnicas
A Rede Federal está vivenciando a maior expansão de sua história. De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas técnicas no país. Entre 2003 e 2016, o Ministério da Educação concretizou a construção de mais de 500 novas unidades referentes ao plano de expansão da educação profissional, totalizando 644 campi em funcionamento.
São 38 Institutos Federais presentes em todos estados, oferecendo cursos de qualificação, ensino médio integrado, cursos superiores de tecnologia e licenciaturas.
Henrique Nunes é da Agência PT de Notícias

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O poema ‘O Operário Em Construção’ foi escrito por Vinícius de Moraes em 1956

O poema descreve o trabalho como base da vida humana; descreve o processo de tomada de consciência de um operário, partindo de uma situação de completa alienação – Leia o poema no final da matéria

No nível simbólico Operário em Construção trata de um operário que entra em processo de conscientização individual e resiste à exploração através da palavra “não”. É um dos poemas de lírica comprometida com o cotidiano. O poema inicia com o papel do operário na construção das coisas e o desconhecimento da importância da sua profissão. Narra, em versos, a alienação verificada na multidão que empilha os tijolos com suor e cimento. De repente, o operário constata que ele, um humilde operário, era responsável pelos objetos que estavam em sua mesa e, “tomado de uma súbita emoção”, percebe que era ele quem construía tudo o que existia: “casa, cidade, nação!”. Compreende a força das rudes mãos e a grandeza de ser um operário em construção.

O operário se constitui em uma nova dimensão. A percepção da própria importância na sociedade que construía, a compreensão do significado do exercício de sua profissão… Tudo disposto em poesia, a consciência adquirida, o conhecimento compartilhado como outros operários e a possibilidade de dizer não. O poema contagia. Sente-se libertar a percepção quando o operário começa a notar as coisas, as diferenças de sua vida com a do patrão, comparando pequenos detalhes. Sua consciência política e social amadurece e ele se faz forte em dizer não, apesar das contrariedades e das delações de alguns companheiros. O patrão, sem dar importância, solicita aos delatores que o convençam do contrário. Começam as agressões: cospem em seu rosto, quebram seu braço e ainda assim o operário diz não.
O patrão, verificando que toda a violência sofrida não convenceria o operário, tenta dobrá-lo com a proposta de poder, tempo de lazer e de mulheres, com a condição de que o mesmo abandone o motivo que lhe faz dizer não.
O operário observa a ampla região em volta da construção e vê o que seu patrão não consegue ver: o operário vê casas e tantos objetos, enquanto seu patrão está limitado a visão do lucro. O operário percebe que em tudo há a marca de sua mão e diz “não” à oferta do patrão: “Não pode me dar o que é meu”. O homem, com a amplitude da percepção que adquiriu, sente a enorme solidão dos que compreendem além das aparências, a responsabilidade pela vida dos que padeceram e dos que viverão com esperanças. Constrói-se dentro de um novo perfil de homem, engajado no mundo e consciente de sua participação na história.
O poeta encerra sua grande edificação poética. Vive-se a construção do operário, de sua consciência e da coragem para negar à ordem, quando esta não representa o seu trabalho. No poema (abaixo na íntegra), é possível perceber o momento da tomada de consciência do operário (servo), quando ele se dá conta do poder que tem, da sua capacidade de transformar a natureza. Vê que tudo que existe (“garrafa, prato, facão”) foi feito por ele.
O trecho em que o operário olha sua mão e percebe que não há no mundo coisa mais bela pode, de início, parecer uma contradição, já que de modo geral a mão de um operário tende a ser grossa, rude, cheia de calos; como poderia então ser bela? A beleza que ele vê está além das aparências; ele percebe que em suas mãos está seu poder de modificar o mundo, de transformar a natureza, assim como o servo de Hegel. Quando o operário toma consciência de si entra em outra dimensão (“a dimensão da poesia”). Isso talvez se dê pelo fato de ele agora conseguir perceber a beleza que existe em sua construção e reconhecer a si mesmo nos produtos que cria. Ele vai aos poucos se libertando do jugo do patrão e incentivando os outros operários a fazerem o mesmo, a tomar consciência de sua força, de seu poder de construção; vê que é o verdadeiro dono de tudo que existe, uma vez que tudo é construído por ele.

O patrão, ao se dar conta de tal reviravolta, tenta por todos os meios enfraquecer o operário: através da violência, do suborno… Mas nada consegue, pois o operário vê na sua liberdade o maior dos bens. Vinícius de Moraes marcou sua passagem com um olhar verdadeiro e uma ampla consciência da condição humana e deixou os versos do seu trajeto para os que querem viver mais do que as alienadas aparências possam trilhar em busca de uma vida mais significativa.
O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO (VINÍCIUS DE MORAES, 1956)
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Excercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia “sim”
Começou a dizer “não”
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução
Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
– “Convençam-no” do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.
Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção
Fonte: urbsmagna.com

IBOPE E DATAFOLHA MENTEM PARA, PRIMEIRO, CAUSAR DESÂNIMO E DEPOIS FISGAR INDECISOS. O GOLPE CONTINUA

IBOPE E DATA FOLHA MENTEM PARA, PRIMEIRO, CAUSAR DESÂNIMO E DEPOIS FISGAR INDECISOS. O GOLPE CONTINUA


Fonte: https://urbsmagna.com/2018/10/03/ibope-e-datafolha-mentem-para-primeiro-causar-desanimo-e-depois-fisgar-indecisos-o-golpe-continua/ - urbsmagna.com

HADDAD COM 49% VENCE NO 1º TURNO – UMA ELEIÇÃO SURPREENDENTE O AGUARDA, SEGUNDO O DATAFOLHA

Datafolha: Haddad, que é o candidato de Lula, pode ter 49% dos votos.

A pesquisa Datafolha desta semana divulgou apenas hoje seu dado mais relevante: 33% dos eleitores votarão “com certeza” no candidato do ex-presidente Lula, ou seja, em Fernando Haddad; outros 16% podem vir a votar – o que significa que o potencial de votos de Fernando Haddad é de 49%; segundo a mesma pesquisa, Haddad é o menos conhecido dos candidatos e hoje apenas 64% têm a informação de que ele é o nome apoiado pelo ex-presidente, que foi afastado das eleições para não vencê-las com extrema facilidade
Do Brasil 247 – A pesquisa Datafolha desta semana divulgou apenas hoje seu dado mais relevante: 33% dos eleitores votarão “com certeza” no candidato do ex-presidente Lula, ou seja, em Fernando Haddad; outros 16% podem vir a votar – o que significa que o potencial de votos de Fernando Haddad é de 49%. Segundo a mesma pesquisa, Haddad é o menos conhecido dos candidatos e hoje apenas 64% têm a informação de que ele é o nome apoiado pelo ex-presidente, que foi afastado das eleições para não vencê-las com extrema facilidade
A reportagem do jornal Folha de S. Paulo dá os números precisos: “desde que Fernando Haddad foi oficializado candidato do PT, no último dia 11, a parcela dos eleitores que dizem conhecê-lo subiu de 65% para 74%, e dos que sabem que ele é o nome apoiado pelo ex-presidente Lula cresceu de 39% para 64%”.
A matéria destaca que “Haddad, no entanto, ainda é menos conhecido que os outros quatro candidatos mais bem posicionados na disputa. Segundo a última pesquisa, 91% dizem conhecer Marina Silva (Rede), enquanto 87% afirmam saber quem é Geraldo Alckmin (PSDB) e 86%, Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT)”.
O potencial de Fernando Haddad, portanto, é o mais alvissareiro dentre todos os candidatos: “o fato de ainda não ser conhecido por um quarto dos eleitores, no entanto, pode ser positivo para Haddad, representando um espaço onde o petista ainda pode crescer na reta final do primeiro turno, em 7 de outubro”.
A reportagem prossegue escaneando o petista: “entre eleitores indecisos, por exemplo, Haddad é o candidato menos conhecido dos cinco mais bem colocados nas pesquisas —44% não sabem quem o petista é”.
E, finalmente, sublinha o dado mais relevante do ponto de vista eleitoral: “a parcela dos eleitores que declaram que seu voto poderia ser influenciado por um apoio do ex-presidente Lula permaneceu praticamente inalterada no último mês. Hoje, 50% dizem que não votariam em um candidato ungido pelo petista, enquanto 33% o fariam com certeza e 16% talvez optassem por essa opção”.
Fonte: https://urbsmagna.com/2018/09/21/haddad-com-49-vence-no-1o-turno-uma-eleicao-surpreendente-o-aguarda-segundo-o-datafolha/
Fonte; urbsmagna.com

Moro age para evitar que Haddad termine o primeiro turno na frente, diz Helena Chagas

Foto: Lula Marques
Jornal GGN - Sergio Moro decidiu "entrar na disputa eleitoral" de vez, divulgando a delação de Antonio Palocci nesta segunda (1º). Não há praticamente nada de novo no que o ex-ministro disse contra Lula e o PT e, até agora, as já conhecidas acusações não foram suficientes para impedir que o candidato do partido venha aparecendo atrás apenas de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião.
Mas se o ato de Moro não tem força de tirar Fernando Haddad do segundo turno da eleição, ao menos se propõe a frear o crescimento do ex-prefeito, que vinha alimentando a expectativa de terminar a votação do dia 7 já na frente de Bolsonaro. É o que avalia Helena Chagas em Os Divergentes.
Por Helena Chagas
 
 
Em Os Divergentes
 
A seis dias das eleições, o juiz Sergio Moro levantou o sigilo sobre um dos termos de colaboração premiada do ex-ministro Antônio Palocci, que detalha o suposto loteamento de cargos na Petrobras em troca de financiamento para o PT. Moro sempre terá uma justificativa jurídica para cada um de seus atos, mas vai ficar difícil convencer alguém de que ele não está também em campanha.
 
A delação de Palocci, acertada em abril com a Polícia Federal, já tem muitas partes conhecidas, e não teve o efeito de tirar votos do PT ou de Lula até agora. Mas a esperança é a última que morre, e os movimentos antipetistas já se animaram.
 
Afinal, veremos, nos meios de comunicação, mais transcrições de gravações, depoimentos e relatos de reuniões citando Lula e outros personagens dos governos do PT, dos quais Fernando Haddad fez parte. A poucos dias de se encontrar com as urnas, na reta final da escolha, o eleitor será lembrado de tudo o que se falou de PT e Petrobras ao longo da Lava Jato. Mesmo que não tenha nada novo, isso será apresentado com estardalhaço pelos adversários.
 
Não se sabe se a revelação de parte da delação de Palocci terá maior influência sobre o resultado do primeiro turno da eleição, que tende a botar Jair Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Mas pode ajudar a estancar, ou reduzir, o crescimento acelerado que poderia levar o petista a chegar em primeiro lugar à etapa final da eleição.
 
Acima de tudo, o que o episódio mostra é a insistência do Judiciário em marcar seu protagonismo, interferindo no processo eleitoral a qualquer dia e a qualquer hora, no papel de dono da bola que assumiu desde a Lava Jato.
 
Também faz parte desse efeito a queda-de-braço dentro do STF em torno da entrevista do ex-presidente Lula, autorizada por Lewandowski, cassada por Fux num raro gesto de censura à imprensa e hoje autorizada de novo por Lewandowski. Depois dizem que o Judiciário não está em campanha.

Fonte: jornalggn.com.br  (Luiz Nassif)

Setor da Construção Civil continua desempregando - "José Neves - SINTRAMACOMM"