Marcha neste domingo reúne movimentos sociais por todo o país
As organizações feministas, do movimento popular, negro, lésbico, sindical, estudantil e muitos outras organizarão em diversas cidades marchas unificadas neste 8 de março, domingo, Dia Internacional da Mulher. Em São Paulo, a concentração será às 10h, em frente ao prédio da Gazeta, nº 900 da Avenida Paulista.
Para a diretora de Mulheres da UNE, Lays Gonçalves, o movimento feminista atuando na sociedade em conjunto com o movimento popular, as estudantes e as trabalhadoras fortalece um mesmo projeto de transformação. “A democratização dos meios de comunicação e a reforma política são pautas centrais dos movimentos e de suma importância para as mulheres, pois dizem respeito diretamente a qual imaginário é cotidianamente construído na mídia e na política em relação às mulheres e ao capital (espaço privado, padrão de feminilidade, controle do Estado e da polícia, de política racista, machista e lbgtfóbica)”, explicou. (Leia aqui artigo da diretora da UNE sobre o 8 de março)
A UNE defende uma reforma política com mais participação popular, com ações afirmativas para a inclusão de jovens, mulheres e negros na política institucional, além da aprovação da política de participação popular (PNPS), o fortalecimento dos conselhos populares e movimentos sociais.
PELA IGUALDADE DE GÊNERO
A última conferência da ONU, realizada no Chile no dia 28/02 fez uma convocação para acabar definitivamente com a desigualdade de gênero até 2030. Após dois dias de debates, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assinaram um “chamado de ação” que declara 2015 como um ano crucial para a obtenção da igualdade de gênero.
No mês passado, na maior premiação do cinema mundial, a atriz norte-americana Patricia Arquette fez um discurso de defesa da igualdade de gênero ao receber sua estatueta do Oscar por melhor atriz coadjuvante. “Já lutamos pelos direitos de todo mundo. Está na hora de termos salários iguais de uma vez por todas e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos”. A fala repercutiu no mundo todo.
O 8 de março é considerado o Dia Internacional da Mulher em razão da luta de milhares de trabalhadoras por direitos trabalhistas. O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país.
Cem anos depois, a luta das mulheres hoje no Brasil também é por igualdade e para defender seus direitos. E 2015 começou com ameaças a conquistas sociais e trabalhistas, como as medidas provisórias que retiram direitos previdenciários. Ao mesmo tempo em que com o conservadorismo no Congresso avança nas questões realtivas as mulheres como no caso dos direitos sexuais e reprodutivos, como o direito ao aborto, a proteção nos casos de violência sexual e estupro.
“Estaremos nesse ato defendendo mais respeito às mulheres em todos os seus direitos como o de poder decidir sobre suas vidas, sem serem molestadas”, realça Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.
Para a secretária de Mulheres da CUT, Rosane Silva, as mulheres conquistaram muitos direitos nos últimos anos bem como foram particularmente beneficiadas com importantes políticas sociais e reconhecidas como sujeitos em suas políticas públicas.
“O desafio não é estarmos em todas as profissões, hoje somos maioria em muitas áreas, o desafio está em fazer os homens ocuparem o espaço que é tradicionalmente atribuído às mulheres, ou seja, se responsabilizarem e compartilharem o trabalho doméstico. Temos também o desafio de ter mais mulheres participando da política, parlamentares, prefeitas e governadoras”, destaca Rosane.
Para mudar essa realidade a União Brasileira de Mulheres (UBM) também lembrou da defesa da Reforma Política Democrática com paridade de gênero e conclama às mulheres para uma maior participação política. “Para aprofundar a democracia no Brasil é preciso que nós, mulheres comprometidas com o combate à desigualdade e com a justiça social, estejamos mais presentes e atuantes nos parlamentos, nos partidos políticos, nos governos, nas empresas, na justiça, nas entidades de movimentos sociais, universidades etc”, destaca carta da entidade.
A convocação da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) lembra os motivos para as mulheres estarem nas ruas neste 8 de março. “Para fortalecer a nossa resistência cotidiana ao controle dos nossos corpos, à exploração de nosso trabalho e ao avanço do capital sobre a natureza. Estamos nas ruas para denunciar a violência do racismo, do machismo e da lesbofobia, e para afirmar as nossas propostas e práticas na construção de uma sociedade baseada na igualdade, solidariedade, liberdade, justiça e paz”, diz trecho do site.
Da Redação UNE

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