sábado, 5 de agosto de 2017

CONJUNTURA: Lava Jato, o golpe e a destruição do Brasil

Câmara dos Deputados
Wilson Dias/Agência Brasil - Enquanto isso, os deputados salvam Temer
O saldo da operação, que não cuidou de preservar as empresas, são três milhões de desempregados. Em proveito de quem?

por Paulo Cayres*

Além de ser a vergonhosa data em que 263 deputados impediram a investigação com provas contra o golpista Michel Temer, o dia 2 de agosto de 2017 entrou para a história do Brasil como a prova incontestável de que a Operação Lava Jato é seletiva e partidária e traz como principal consequência o ataque frontal e direto contra a classe trabalhadora e o País.
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) sempre se posicionou a favor do combate à corrupção, mas condenou a forma como a operação tem sido conduzida, com delações espetacularizadas e sem provas e prisões e condenações seletivas sem efetivo respaldo jurídico. Tudo isso contribuiu para derrubar a economia brasileira.
As recentes críticas vindas de investigadores da própria Polícia Federal sobre as falhas nas delações de executivos da Odebrecht confirmam nossas opiniões sobre a forma como a Lava Jato foi direcionada. Entre as críticas dos investigadores, está justamente a falta de documentos que comprovem o que foi dito nas delações.
Além de ferir de morte o Estado Democrático de Direito, de instalar no País uma crise política sem precedentes, o resultado concreto deste processo viciado de combate à corrupção são três milhões de postos de trabalho eliminados diretamente. Este é o indicador mais perverso de toda a operação, pois não houve o mínimo cuidado em preservar as empresas.
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Quando a Lava Jato foi deflagrada, em março de 2014, o IBGE apontava uma taxa de desemprego de 7,1% no trimestre encerrado naquele mês. Eram 7 milhões de desempregados. Hoje, o índice em junho chega a 13%, com 13,5 milhões de cidadãos sem emprego, grande parte por fruto das políticas recessivas do governo golpista.
Ou seja, desse total, a Lava Jato sozinha é responsável pela metade dos desempregados no período. São postos de trabalho que dificilmente serão recuperados, pois as empresas foram destruídas, como avaliou o economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp: “A recessão elimina empregos, mas a empresa permanece. Havendo recuperação, o emprego volta. No caso da Lava Jato, é quase uma perda permanente”. Vale lembrar que só no ramo metalúrgico, a indústria naval foi praticamente dizimada nesse processo.
Nós da CNM/CUT sempre defendemos que, nos processos de apuração de corrupção, se separasse as pessoas físicas das pessoas jurídicas, garantindo o funcionamento das empresas por meio de acordos de leniência. Em qualquer nação séria, esta seria a primeira providência para impedir que os efeitos de ações judiciais não produzissem reflexo na economia e nos direitos dos trabalhadores.
Denunciamos também que outros interesses moviam esta sórdida teia que derrubou a economia, a soberania nacional e o protagonismo internacional do Brasil, aqueles do grande capital internacional, que quer que o Brasil volte a ser seu quintal (ou sua senzala).
O resultado da votação sobre a autorização de investigação das denúncias contra Temer na Câmara dos Deputados mostra isso. Depois de destruir direitos com a reforma trabalhista e a lei da terceirização, de aprovar o teto dos gastos sociais, de aumentar o preço dos combustíveis, agora pretendem completar o “serviço” com a reforma da Previdência e novos arrochos fiscais em nome da “estabilidade econômica” que os golpistas destruíram nos últimos três anos.
A nós, trabalhadores e trabalhadoras, cabe a difícil tarefa de não nos dobrar. Vamos continuar a lutar em defesa da democracia, contra a aprovação da reforma da Previdência e impedir que a reforma trabalhista seja efetivada.
Às nossas entidades de classe e aos movimentos sociais caberá também a missão de denunciar os golpistas para impedir que sejam reeleitos. Tudo a que estamos assistindo mostra que eles não têm vergonha alguma de atuar com um único objetivo: atender aos interesses próprios e aos do mercado financeiro, arrancando direitos básicos da população para aumentar o lucro das empresas.
Não podemos dar trégua. Vamos lutar dia e noite para resgatar o Brasil e devolvê-lo ao povo.
* É trabalhador na Ford e presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT
Carta Capital

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