Assassinato de Marielle, prisão de Lula, eleição de Jair Bolsonaro. O ano que chega ao fim foi caracterizado pelo avanço da extrema direita, mas também pela resistência dos movimentos populares. Nas ruas ou nos espaços institucionais, brasileiros e brasileiras comprometidos com a soberania nacional e com os direitos humanos impediram a votação da reforma da Previdência, barraram o “Escola sem Partido” e resistiram a despejos no campo e na cidade.
Eis o porquê desta retrospectiva. Houve luta do início ao fim do ano: da Sapucaí ao semiárido, da Vigília Lula Livre à Amazônia. Relembrar os retrocessos, por outro lado, também dá sentido ao ano que passou, permite enxergar mais claramente quem são os inimigos da democracia e prepara terreno para o ano que está por vir.
Representantes de diferentes movimentos e setores da luta popular conversaram com o Brasil de Fato e elencaram os principais desafios para 2019. Convidamos você a ouvi-los e fazer uma viagem pelos meses que ficaram para trás, projetando a resistência e celebrando a luta diária dos trabalhadores e trabalhadoras que não cansam de lutar por uma pátria livre.
Linha do tempo 2018
Lutas Populares
O assassinato dos sem-terra José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino na Paraíba, em dezembro, será lembrado como o prefácio de um governo autoritário, que criminaliza os movimentos populares e defende o veneno, o latifúndio. Se eles tombaram, outros tantos conseguiram sobreviver à violência: em Limoeiro do Norte (CE) e no Quilombo Campo Grande (MG), os acampamentos resistiram.
Contra o fim da aposentadoria, contra a entrega de recursos naturais: a luta será cada vez mais necessária. E a primeira delas, em 2019, é contra os projetos que pretendem criminalizar os movimentos populares, sob o argumento de acabar com o “terrorismo”.
O Caso Lula

Durante a corrida presidencial, o magistrado de Curitiba quebrou o sigilo de mais uma delação de Antonio Palocci e reafirmou sua atuação política na operação Lava Jato. Uma semana após a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL), em uma campanha marcada pela difusão de notícias falsas na internet, Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça no governo da extrema direita. No dia 19 de dezembro, mais um ataque à democracia: Dias Toffoli derrubou uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que determinava a soltura de Lula e demais presos em segunda instância.

Eleições 2018
No segundo turno, a prioridade era derrotar Lula e seu legado. Para isso, a campanha de Bolsonaro valeu-se da violência, da censura e do jogo sujo nas redes sociais. Após o ataque com faca em Juiz de Fora-MG, o capitão reformado conseguiu um pretexto para não participar dos debates televisivos, mesmo após liberação médica.
Sem discussões sobre o programa de governo e com uma campanha marcada pelas chamadas “fake news”, Bolsonaro venceu Haddad nas urnas. A promessa é de radicalização da política econômica instaurada após o golpe, que gerou desemprego e levou ao desmonte de empresas públicas e políticas sociais.

Desmonte do Estado
Com a Petrobrás entregue ao interesse estrangeiro, os preços do combustível dispararam, e os caminhoneiros cruzaram os braços. As perspectivas para 2019 são desanimadoras: queda no orçamento do Minha Casa Minha Vida, ameaças aos bancos públicos, como Caixa Econômica e BNDES, e até possibilidade de cobrança de anuidade em universidades públicas.
Paulo Guedes, o “guru econômico” do presidente eleito, sinalizou que pretende votar o quanto antes a reforma da Previdência, que compromete a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras do país.
O SUS também está em risco. Declarações de Bolsonaro motivaram a saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos, deixando 28 milhões de brasileiros sem cobertura adequada em saúde.



Resistência dentro e fora das instituições
As mesmas perguntas foram feitas a Gilmar Mauro (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Márcio Zonta (Movimento Pela Soberania Popular na Mineração), Sônia Coelho (Marcha Mundial das Mulheres), Andreia Alves (Marcha das Mulheres Negras), Davi Kopenawa (movimento indígena) e Gilberto Cervisnki (Movimento dos Atingidos por Barragens). Confira as respostas nos vídeos abaixo:
ASSISTAM OS VÍDEOS ABAIXO!!!
Fonte: BRASIL DE FATO


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