quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Retrospectiva 2018: o ano que não terminou Confira o levantamento realizado pelo Brasil de Fato sobre os maiores acontecimentos de 2018 e as perspectivas para 2019



Assassinato de Marielle, prisão de Lula, eleição de Jair Bolsonaro. O ano que chega ao fim foi caracterizado pelo avanço da extrema direita, mas também pela resistência dos movimentos populares. Nas ruas ou nos espaços institucionais, brasileiros e brasileiras comprometidos com a soberania nacional e com os direitos humanos impediram a votação da reforma da Previdência, barraram o “Escola sem Partido” e resistiram a despejos no campo e na cidade.

Eis o porquê desta retrospectiva. Houve luta do início ao fim do ano: da Sapucaí ao semiárido, da Vigília Lula Livre à Amazônia. Relembrar os retrocessos, por outro lado, também dá sentido ao ano que passou, permite enxergar mais claramente quem são os inimigos da democracia e prepara terreno para o ano que está por vir.

Representantes de diferentes movimentos e setores da luta popular conversaram com o Brasil de Fato e elencaram os principais desafios para 2019. Convidamos você a ouvi-los e fazer uma viagem pelos meses que ficaram para trás, projetando a resistência e celebrando a luta diária dos trabalhadores e trabalhadoras que não cansam de lutar por uma pátria livre.


 

Linha do tempo 2018

Lutas Populares


Em 2018, o povo coloriu as ruas. Esteve em Porto Alegre para o julgamento de Lula, em janeiro. Desnudou na Sapucaí a fraude do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff (PT). Denunciou o machismo e a cultura de estupro no 8 de março. Chorou a morte da vereadora Marielle Franco, no Rio. Não arredou pé de São Bernardo do Campo-SP e de Curitiba-PR, diante da prisão política da maior liderança popular do país. Ocupou e resistiu a despejos no campo e na cidade – só contra acampamentos do MST, foram 150 ações judiciais.

O assassinato dos sem-terra José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino na Paraíba, em dezembro, será lembrado como o prefácio de um governo autoritário, que criminaliza os movimentos populares e defende o veneno, o latifúndio. Se eles tombaram, outros tantos conseguiram sobreviver à violência: em Limoeiro do Norte (CE) e no Quilombo Campo Grande (MG), os acampamentos resistiram.

Contra o fim da aposentadoria, contra a entrega de recursos naturais: a luta será cada vez mais necessária. E a primeira delas, em 2019, é contra os projetos que pretendem criminalizar os movimentos populares, sob o argumento de acabar com o “terrorismo”.


O Caso Lula


O ano começou com o julgamento em tempo recorde do “caso triplex” em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em Porto Alegre-RS. No Supremo Tribunal Federal (STF), venceu a estratégia de Cármen Lúcia e o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi negado no início de abril. A prisão era iminente – e “necessária”, para cumprir o objetivo de silenciá-lo e tirá-los da disputa eleitoral. Aconteceu no dia 7, e deu início a uma resistência histórica em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.



Em julho, o então juiz Sérgio Moro, em férias, agiu nos bastidores para manter Lula preso, mesmo após pedido de soltura. No mês seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impugnou a candidatura do petista à Presidência da República.

Durante a corrida presidencial, o magistrado de Curitiba quebrou o sigilo de mais uma delação de Antonio Palocci e reafirmou sua atuação política na operação Lava Jato. Uma semana após a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL), em uma campanha marcada pela difusão de notícias falsas na internet, Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça no governo da extrema direita. No dia 19 de dezembro, mais um ataque à democracia: Dias Toffoli derrubou uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que determinava a soltura de Lula e demais presos em segunda instância.



Eleições 2018

A impugnação da candidatura de Lula, líder em todas as pesquisas eleitorais, tornou a disputa presidencial imprevisível. O campo democrático-popular encontrou, como alternativa viável, a candidatura de Fernando Haddad (PT). Ao centro, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) prometiam disputar os eleitores insatisfeitos com a “polarização”. Restava saber quem seria o representante do establishment. Nem Geraldo Alckmin (PSDB), nem Henrique Meirelles (MDB), nem Álvaro Dias (Podemos). O azarão Jair Bolsonaro (PSL), produto das arbitrariedades da Lava Jato e dos ataques midiáticos contra o Partido dos Trabalhadores (PT), consolidou-se como candidato da burguesia brasileira e mostrou-se uma opção conveniente aos interesses do imperialismo.

No segundo turno, a prioridade era derrotar Lula e seu legado. Para isso, a campanha de Bolsonaro valeu-se da violência, da censura e do jogo sujo nas redes sociais. Após o ataque com faca em Juiz de Fora-MG, o capitão reformado conseguiu um pretexto para não participar dos debates televisivos, mesmo após liberação médica.

Sem discussões sobre o programa de governo e com uma campanha marcada pelas chamadas “fake news”, Bolsonaro venceu Haddad nas urnas. A promessa é de radicalização da política econômica instaurada após o golpe, que gerou desemprego e levou ao desmonte de empresas públicas e políticas sociais.



Desmonte do Estado

Este ano, o Brasil deixou de reduzir a desigualdade de renda pela primeira vez em quinze anos. O retrocesso no combate à pobreza é resultado do ataque a programas sociais, pós-golpe de 2016, e de reformas no mundo do trabalho: com a CLT rasgada, a informalidade e o desemprego aumentaram.

Com a Petrobrás entregue ao interesse estrangeiro, os preços do combustível dispararam, e os caminhoneiros cruzaram os braços. As perspectivas para 2019 são desanimadoras: queda no orçamento do Minha Casa Minha Vida, ameaças aos bancos públicos, como Caixa Econômica e BNDES, e até possibilidade de cobrança de anuidade em universidades públicas.

Paulo Guedes, o “guru econômico” do presidente eleito, sinalizou que pretende votar o quanto antes a reforma da Previdência, que compromete a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras do país.
O SUS também está em risco. Declarações de Bolsonaro motivaram a saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos, deixando 28 milhões de brasileiros sem cobertura adequada em saúde.





Resistência dentro e fora das instituições


A partir de 2019, com a ascensão da extrema direita ao Poder Executivo no âmbito federal, os movimentos populares iniciam uma nova etapa de atuação no Brasil. Para entender como cada grupo está interpretando essa conjuntura, o Brasil de Fato conversou com seis lideranças de diferentes setores.

As mesmas perguntas foram feitas a Gilmar Mauro (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Márcio Zonta (Movimento Pela Soberania Popular na Mineração), Sônia Coelho (Marcha Mundial das Mulheres), Andreia Alves (Marcha das Mulheres Negras), Davi Kopenawa (movimento indígena) e Gilberto Cervisnki (Movimento dos Atingidos por Barragens). Confira as respostas nos vídeos abaixo:

ASSISTAM OS VÍDEOS ABAIXO!!!

Fonte: BRASIL DE FATO


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