Vanessa Ramos Abertura do 2º ENDC
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“Comunicação é direito e o Estado deve garantir esse direito”, afirma Rosane Bertotti, no 2º ENDC, em Belo Horizonte.
Escrito por: Vanessa Ramos e Érica Aragão • Publicado em: 11/04/2015 - 20:35 • Última modificação: 11/04/2015 - 20:40
O 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), que acontece
de 10 a 12 de abril, em Belo Horizonte, Minas Gerais, reuniu cerca de
700 pessoas neste sábado (11), entre representantes dos movimentos
sociais, sindical, do governo, estudantes, acadêmicos e diversos
coletivos e organizações que debatem o tema comunicação.
A mesa de abertura trouxe à tona o cenário internacional e os desafios
do Brasil para enfrentar a regulação democrática da mídia e, ao mesmo
tempo, a garantia do direito à comunicação.
A coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da
Comunicação e secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane
Bertotti, destacou que o tema se torna ainda mais importante na
conjuntura atual, momento em que a classe trabalhadora está tendo seus
direitos ameaçados. “A liberdade de expressão nos permitirá fortalecer a
democracia, o direito à voz e à diversidade”.
Na mesma linha, a presidenta da CUT Minas Gerais, Beatriz Cerqueira,
fez referência à cobertura da grande mídia frente ao momento político
pelo qual a classe trabalhadora está passando com a aprovação do PL
4330/04, que precariza as relações de trabalho e abre as portas para a
terceirização desenfreada, permitindo esta prática na atividade-fim da
empresa. “A crise deve ser transformada em estímulo”.
Diante das cobranças, o secretário de Serviços de Comunicação
Eletrônica do Ministério das Comunicações, Emiliano José, garantiu que o
governo irá promover neste ano o debate sobre a regulação da mídia no
Brasil. “Todos os setores da sociedade serão chamados a participar dos
espaços de discussão e ali poderão responder qual marco regulatório
querem para o País”, afirmou.
Emiliano fez referência à mídia hegemônica brasileira, também
considerando-a como um polo político. “Eu não acredito na auto-regulação
da mídia sobre si mesma. O estado democrático é quem deve regular a
mídia”, acredita.
Em ironia às críticas feitas ao Brasil e a países da América Latina por
setores de direita da sociedade, o representante do Ministério das
Comunicações fez menção à América do Norte. “Os EUA têm uma legislação
muito mais rigorosa do que a nossa no setor e por que, então, não são
chamados de bolivarianos ou censuradores?”, questionou.
Luta mundial
O consultor da Unesco e diretor-executivo do Centro de Direitos e
Democracia, Toby Mendel, destacou que a liberdade de expressão é também o
direito de receber e buscar informações. “Na lei de direito
internacional, o que protege é o fluxo de informações e ideias. Quando
temos uma restrição maior do que o benefício, então ela não é legítima”.
Para Mendel, é preciso existir uma relação de equilíbrio. “O debate
público é essencial e se observarmos a democracia em todo o mundo,
veremos que todos os lugares têm um órgão ou algum sistema de
regulação”, lembra.
O consultor comentou sobre o Canadá como país de controle. “Se
observarmos a regulamentação da transmissão por lá existem três
condições essenciais, que são o licenciamento, a regulamentação de
conteúdo e a aplicação de regras legislativas ou do país ao
transmissor”.
Direitos humanos
Rosane Bertotti ressaltou que a comunicação deve ser vista como um
direito humano. “Quando a comunicação é tratada como um direito, o
Estado tem que ser garantidor deste direito. E defender direito é
defender a democracia”.
Em consonância com a dirigente da CUT, o professor e pesquisador da
Universidade de Buenos Aires e da Universidade Nacional de Quilmes,
Martín Becerra, questionou se as organizações presentes estabelecem a
regulação dos meios como um direito humano. Para ele, isso precisa ser
discutido e é questão chave no que tange à regulamentação. “A liberdade
de comunicação deve ser como direito social e não como um direito dos
emissores. Isso supera várias barreiras de caráter coorporativo”, opina.
Becerra destacou avanços na Ley de Medios, aplicada em 2009 pelo
governo da presidenta Cristina Kirchner para romper com o oligopólio
midiático, no qual o Grupo Clarín era um dos principais representantes.
“A articulação da sociedade civil, que sustenta a sociedade, é de
extrema importância em todo esse processo. É preciso sempre avaliar se a
lei se aplica igualmente a todos os atores sociais”.
Para Rosane, é fundamental que existam instrumentos de comunicação para
elevar a voz da sociedade. “Neste sentido nossas rádios comunitárias,
TVs comunitárias e a nossa estrutura de comunicação pública não podem
ser só retóricas, elas devem ser parte da estratégica na construção da
mídia democrática”.
Ao final da mesa, Becerra fez elogios ao envolvimento das organizações
no Brasil e observou que a regulação dos meios não se refere somente à
lei, ao dispositivo legal. “Mais respeitável do que isso é a consciência
social e política que se tem de que os meios não são produzidos com uma
concepção imaculada. Ou seja, a imaculada concepção dos meios de
comunicação tem sido colocada em crise. E essa crise é muito bem-vinda”,
concluiu.
Fonte> CUT
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