Aécio e a desestabilização institucional Por Aldo Fornazieri, no
Jornal GGN: A semana passada foi marcada pelo agravamento da crise
política.
Mais derrotas do governo na Câmara, a rebelião de partidos da base
governista, o oportunismo de deputados do PT votando contra o governo, a prisão
de José Dirceu, o isolamento político de Dilma e sua incapacidade de reagir, a
incompetência dos ministros políticos que não conseguem conferir um rumo ao
governo foram alguns dos fatores que colocaram combustível no fogo da crise.
Até mesmo entidades e líderes empresariais vieram a público defender a
estabilidade institucional.
O próprio atentado à sede do Instituto Lula já havia sido um sintoma
da intranqüilidade e dos riscos que o acirramento da crise sinaliza produzir. O
PSDB de Aécio Neves, cavalgando no oportunismo, havia anunciado que convocaria
as pessoas para os protestos do dia 16 de agosto. Oportunismo, porque, sem
força para chamar manifestações pela força própria, aproveita-se das
manifestações alheias querendo dar a impressão de que conta com capacidade
mobilizadora.
Mas o fato mais gravoso da crise foi a proposta de uma nova eleição
presidencial, proposta por líderes oposicionistas (Cássio Cunha Lima, Carlos
Sampaio e Ronaldo Caiado), orquestrada por Aécio Neves. O fato é que a ambição,
o despeito, o inconformismo e o espírito de vendeta de Aécio Neves, o tornaram
o principal elemento de desestabilização institucional do país. De presidente
do PSDB, Aécio se tornou chefe de uma conjuração contra a governabilidade e
contra a estabilidade democrática. Aécio quer ser presidente da República a
qualquer custo.
Não importa o agravamento da crise política; não importa a
inviabilização da governabilidade pela aprovação das pautas bomba que sabotam o
ajuste fiscal e agravam a crise econômica; não importam os riscos de mergulhar
o Brasil em graves conflitos políticos, com a possibilidade de convulsões e
confrontos de rua; não importa o desencadeamento da violência política como foi
mostrado no atentado ao Instituto Lula.
O que importa é a ambição desmedida de um irresponsável político que
só pensa no seu interesse. Aposta na aventura política Protegido pelo avô,
socorrido várias vezes pela irmã no governo de Minas Gerais e com fama de playboy
no Rio de Janeiro, Aécio Neves sempre contou com um manto protetor da grande
imprensa. São vários os episódios de sua vida pessoal e política que desabonam
a sua conduta e que testemunham um perfil irresponsável.
Até mesmo as pedras que sobraram em Diamantina sabem que durante seus
dois governos as empresas de comunicação de sua família foram favorecidas,
conforme amplamente divulgado pela imprensa. Com as vontades sempre
satisfeitas, Aécio desenvolveu a mentalidade de menino mimado que bate o pé e
grita “eu quero, eu quero”. É assim que se conduz agora ante a ambição de
chegar à presidência da República a qualquer custo. Em 2014, Aécio perdeu uma
eleição ganha, pois a conjuntura era altamente adversa à reeleição da
presidente Dilma.
Percebendo o risco de não ser candidato presidencial pelo PSDB em
2018, pois o governador Geraldo Alckmin se potencializou como possível
candidato ao obter uma vitória consagradora no primeiro turno e ao garantir a
vitória do partido na eleição presidencial em São Paulo, enquanto Dilma vencia
no primeiro e no segundo turno em Minas, Aécio começou a arquitetar o plano de
desestabilização institucional.
Inconformado com o resultado das eleições, Aécio fez o PSDB entrar com
uma ação de investigação eleitoral no TSE pedindo a cassação dos mandatos de
Dilma e de Michel Temer na presunção de que ele seria diplomado como segundo
colocado no pleito. Mas, na medida em que há um entendimento jurídico de que se
o presidente e o vice forem impedidos nos dois primeiros anos de mandato deve ser
convocada uma nova eleição, agora, Aécio e seus conjurados brandem a tese da
nova eleição. Os aecistas alegam que a chapa vencedora recebeu dinheiro das
empresas corruptoras no escândalo da Petrobrás.
Mas, por acaso, a própria campanha de Aécio não recebeu recursos das
mesmas empresas? Como distinguir o dinheiro criminoso do dinheiro limpo? A
campanha de Aécio não cometeu os mesmos abusos de poder econômico e de poder
político tal como a de Dilma? As duas campanhas não se igualaram nos
xingamentos, na escassez de propostas para o Brasil e no baixo nível dos
debates? De onde Aécio Neves e o PSDB querem ostentar uma petição de moralidade
superior em relação a Dilma e o PT? Em relação ás pedaladas fiscais, a
diferença entre Dilma, Lula e Fernando Henrique é de grau, não de natureza ou
de essência da prática. Se até agora era uma prática aceita, o TCU e a Câmara
dos Deputados precisam estabelecer um entendimento de que, de agora em diante,
não será mais aceita.
Caso não seja esse o procedimento e busque-se punir Dilma, se estará
estabelecendo o princípio do unilateralismo e da desigualdade perante a lei,
configurando uma injustiça histórica. É verdade que o governo Dilma cometeu
vários erros e que apresenta muitas fragilidades políticas e administrativas.
Mas é verdade também que vem enfrentando uma conspiração que sabota o ajuste
fiscal e a governabilidade.
É verdade que as desonerações e incentivos e benefícios fiscais
agravaram o déficit fiscal. Mas é verdade também que o déficit é fruto de
fatores estruturais e que é preciso um plano de reformas abrangentes para
enfrentá-lo e que isto demanda apoio também da oposição. Até agora não há
elementos que justifiquem o impeachment, seja pela abordagem jurídica política
ou pela abordagem jurídica criminal. Não se pode confundir presidencialismo com
parlamentarismo.
O presidencialismo comporta governos fracos e governos sem maioria
parlamentar. A história tem mostrado que em momentos de corrupção generalizada,
vícios e virtudes acabam se confundindo. Muitas pessoas virtuosas aparecem como
corruptas e, muitos corruptos, aparecem como virtuosos. Dilma não é uma pessoa
corrupta. Este reconhecimento vem até mesmo do ex-presidente Fernando Henrique.
Muitos desses políticos que pregam a deposição de Dilma não têm a mesma honradez.
Goste-se ou não da presidente e de seu governo, existe um fato democrático
inarredável: o seu mandato tem a legitimidade das urnas.
Conspirar para promover a ingovernabilidade visando derrubá-la coloca
imediata e historicamente o problema da ilegitimidade democrática. Resta saber
se os ambiciosos, os inescrupulosos e os que não têm dignidade política têm
algum pudor ante o juízo da história e para com suas próprias biografias.
Fonte: Blog De Um Sem Mídia

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