domingo, 17 de setembro de 2017

O AQUECIMENTO GLOBAL, OS FURACÕES, AS ENCHENTES, AS SECAS, OS TSUNAMIS, OS TERREMOTOS E O CAPITALISMO.


"O que realmente somos é aquilo que o
impossível cria em nós" (Clarice Lispector)
Se está cientificamente comprovado que o planeta Terra já teve eras diferenciadas de climas, nas quais ocorreram variações significativas, bem como mudanças das conformações geológicas, todas havidas durante bilhões de anos (vide quadro abaixo) sem a interferência humana, é igualmente verdadeiro que a ação humana atual pode interferir e realmente provocar uma nova mudança. Uma coisa não exclui necessariamente a outra.

Está cientificamente provado (embora o tresloucado e fanfarrão Donald Trump não o queira aceitar) que a emissão de gás carbônico na natureza, como ora ocorre, principalmente pelos Estados Unidos e China, pontas de lanças do capitalismo mundial, é fator de contribuição para o aquecimento global e ameaça à vida humana, como de resto  o é para toda a vida animal e vegetal do planeta. 

A irracionalidade da relação social estabelecida a partir da mediação social pela forma-valor (dinheiro e produção de mercadorias sensíveis e serviços), na qual coisas inanimadas ganham vida e comandam a nossa própria vida de modo predatório, além de segregacionista, é de tal forma dominante que nos obriga a caminharmos cegamente rumo ao abismo, como se seguíssemos o itinerário do estouro de uma manada de bois sem podermos entender o porquê de tal procedimento:
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— poluímos os rios nas grandes cidades e áreas rurais, neles jogando dejetos industriais, lixo urbano e derrubando as suas matas ciliares e causando assoreamentos, voçorocas, etc.;
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— derrubamos as nossas matas sem projetos de manejos sustentáveis que permitam o equilíbrio entre o uso, a extração da madeira e sua reposição racional, que é possível;
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— degradamos as terras com cultivo agrícola predatório;
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— produzimos alimentos contaminados por agrotóxicos que provocam câncer;
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— obrigamos os trabalhadores a ocuparem áreas de risco para moradias em razão do processo de valorização da terra urbana transformada em mercadoria (e isto num país de baixa densidade demográfica) e de simultânea desvalorização salarial;
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— por fim, usamos energias poluentes ao invés de energias limpas, por mera compulsão de enriquecimento megalomaníaco e lucro fácil. 

Para termos um exemplo da nossa cegueira coletiva, basta olharmos o trânsito das grandes cidades, nas quais poderíamos facilmente obter boa velocidade de locomoção de produtos e pessoas se tivéssemos transporte de massa para nos locomovermos nos grandes corredores de transporte (os metrôs dão uma aliviada neste quesito, mas sem resolver o problema completamente) ao invés de individualismo cômodo, mas verdadeiramente incompreensível, do automóvel e do caminhão a diesel disputando espaço e empesteando a atmosfera.  

O que está na base deste comportamento irracional é um modo de ser social igualmente irracional, mas que, infelizmente é tido como natural. 
A POLÍTICA É INCAPAZ DE BRECAR A DEVASTAÇÃO
ECOLÓGICA IMPOSTA
 PELO CAPITALISMO

Costuma-se, equivocadamente, considerar que a política e seus agentes representativos, os políticos (na sua grande maioria a serviço dos capitalistas que subvencionam as suas eleições, pois são poucos os empresários que assumem pessoalmente cargos eletivos) tenham soberania de vontade em seus atos, dependendo apenas destes os acertos ou erros na condução dos mais variados aspectos da vida social. 

Tal conceito, que pode ser aceito para problemas de pequena monta, não é correto para questões macrossociais. A política e os políticos podem decidir sobre a prioridade de uma obra, sobre a prioridade de uma determinada área de serviços públicos, sobre uma política monetária a ser adotada, mas não podem dar ordens conflitantes com o comando abstrato da lógica mercantil da qual são dependentes e meros instrumentos de regulação e indução desenvolvimentista.

Ao invés de ter vontade soberana, a política é vassala da economia, cumprindo papel de regulação e indução da lógica autotélica e vazia de sentido virtuoso da reprodução do valor, do mercado, que é de onde tira o seu sustento por meio dos impostos.

Assim, ao invés de comandar soberanamente a política, é comandada de modo submisso e serviçal por uma lógica intrinsecamente negativa que se instalou em todas as sociedades mundiais ao longo da História e cuja involução ora atinge o seu limite interno absoluto de crescimento, tendendo ao colapso da própria forma como relação social, com consequências devastadoras para a vida no planeta. 
A conferência mundial do clima de 2040, no Everest...

A intensificação de ocorrências e volume dos furacões, terremotos, tsunamis, enchentes, secas, etc., como resultante do aquecimento global, é inegável. Não se trata de mera presunção, mas sim de uma constatação trágica, escancarada no noticiário nosso de cada dia.

A hipossuficiência da política no combate à predação ecológica capitalista está comprovada pela inocuidade das tímidas decisões políticas das conferências mundiais sobre o clima ocorridas no Rio de Janeiro (1992), Copenhague (2009) e Paris (2015), pois bastou nos Estados Unidos a assunção à presidência da república de um capitalista-mor para serem colocados os xeque os acordos celebrados e retiradas do orçamento público as verbas de combate aos danos ambientais.

Mas, o castigo vem a cavalo: a natureza se revolta indiscriminadamente, atingindo ricos e pobres.

No atual estágio da concorrência globalizada da produção de mercadorias, a luta desesperada pela hegemonia de mercados cada vez mais depressivos, único modo de sobrevivência econômica e política, não pode prescindir da exploração predatória dos recursos naturais e de seu processamento inadequado, visando ao lucro. 

A emissão de gás carbônico na natureza, que comprovadamente provoca o efeito-estufa, causador do aquecimento global, continua em patamares inaceitáveis, estabelecendo uma contradição entre a obstinação do mercado em se manter vivo e a vida animal e vegetal do planeta, obrigando-nos a fazer uma opção entre a vida e a morte, ou seja, entre superar o modo de produção mercantil ou caminhar celere e cegamente para o abismo.  
A submissão da vontade política à lógica mercantil tem de ser contraditada pela consciência da necessidade de superação de um modo social fetichista que nos impõe o ecocídio. 

Precisamos compreender que, se não superarmos a crise ecológica resultante da lógica mercantil ditatorial e fetichista que lhe é subjacente (ou seja, se não superarmos a forma-valor, que é tida equivocadamente como um dado ontológico, imutável e ganho histórico da vida social), marcharemos para um desfecho catastrófico na nossa relação com a natureza (barbárie social à parte). 

Temos de nos compenetrar de que a irracionalidade da estrutura dos capitais financeiro, industrial e comercial que sustenta o Estado e a política irá até as últimas consequências no seu desvario e tentativa de manutenção desse status quo suicida, ainda que enfrente debilidades funcionais para cada segmento (que ora se agravam, apontando para um colapso futuro).

Cabe a nós, e somente a nós, nos desvencilharmos da mercadoria e do dinheiro, expressões materializada da abstração forma-valor, que são instrumentos aparentemente inocentes (mas verdadeiramente culpados) dessa devastação toda, passando então a construirmos, conscientemente, o mundo da emancipação humana.

Isto, claro, enquanto a mãe natureza permitir que continuemos a ocupar nossa maravilhosa casa, o planeta Terra.

(por Dalton Rosado)

Fonte: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br

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