quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O silêncio ensurdecedor da Globo com relação ao racismo de William Waack


Já se passaram horas desde que o vídeo do âncora do Jornal da Globo falando sobre “coisa de preto” vazou e, mesmo diante da enorme repercussão negativa, a emissora, cujo diretor de jornalismo diz que “não há racismo no Brasil”, ainda não emitiu uma palavra sequer sobre o assunto

Fórum foi um dos primeiros veículos a noticiar o vídeo do jornalista William Waack dizendo que o barulho de buzinas que o incomodava durante uma transmissão era “coisa de preto”. Isso foi por volta das 16h30 desta quarta-feira (8). Passadas horas da divulgação do vídeo, a TV Globo, mesmo diante da enorme repercussão negativa (o assunto já é primeiro lugar nos Trending Topics do Twitter), não emitiu uma palavra sequer sobre o assunto.

A reportagem da Fórum telefonou para três contatos de assessoria de imprensa da Globo. Nenhuma das chamadas foi atendida. No canal de imprensa do portal G1 ou mesmo no jornal O Globo, não há nenhuma linha sobre o ocorrido, nem mesmo uma tentativa de defesa ou de deslegitimação do vídeo vazado.

Nas redes, internautas e figuras públicas cobram a demissão do jornalista pela frase que já entrou para os anais do jornalismo.

O deputado federal Jorge Solla (PT-BA), por exemplo, foi um dos que repercutiu o assunto nas redes e exigiu a demissão do âncora do Jornal da Globo.

“Que Waack era golpista, já está explícito no ódio diário que destila contra a esquerda, mas que era racista… O que Waack fez em nosso país é crime e se a Globo é uma empresa que zela pela audiência do público negro, precisa não só pedir desculpas, mas punir o seu empregado. Não dá para uma cabeça que está no século XIX ser o editor-chefe de um jornal em 2017”, escreveu o parlamentar em seu Facebook.


William Waack se despede do jornalismo da pior forma possível

A Revista Fórum foi um dos primeiros veículos (senão o primeiro) a publicar o vídeo do jornalista e apresentador William Waack num ato racista.

Primeiro, Waack se irrita com um buzina e depois atribui o ato a um preto. E ao fazer a colocação racista se diverte aos risos com seu entrevistado.

No jornalismo, há um certo pacto de coleguismo. Mesmo que você discorde bastante de um amigo de redação, em geral o defende nos momentos duros. Inclusive nas grandes besteiras.

É um pacto normal das corporações. Entre médicos, advogados, engenheiros etc, não é diferente. Mas não parece ter sido o que ocorreu neste caso de Waack.

Este vídeo foi vazado a partir da Globo. Não foi um jornalista da Record ou da Fórum que entrou nos arquivos da Vênus Platinada e colocou as imagens com o áudio pra circular na rede. E quem o fez sabe que seria caçado (o que já está acontecendo) como um Snowden.

Mas quem botou o vídeo para rodar pelas redes o fez por ódio. Porque Waack é um dos jornalistas mais odiados da emissora. Quem trabalhou com ele ou próximo dele, não o suporta.

E por isso esse vídeo fará tanto barulho. E ao mesmo tempo tanto silêncio. Ninguém teve coragem de defender Waack depois de horas do vídeo circulando.

A Globo e nem a GloboNews, a não ser que consigam provar que este vídeo é uma montagem bizarra apresentando o original, não conseguirão mantê-lo nem a frente do Jornal da Globo nem do programa de debates que ele media.

A imagem dessas emissoras se associaria ao seu comentário. Ou seja, as horas de Waack estão contadas.

Dado tudo o que fez e com a raiva que fez nos últimos anos, o que está acontecendo com Waack no dia de hoje não é exatamente exatamente um castigo. Parece apenas uma compensação.

A vida é circular. Ou como se diz muito nas cidades praianas, as ondas vão e vem. E nos caso de Waack elas parecem ter voltado com tudo. E lhe deixaram nu para o público. Um nu horrível de se ver. O que revela muito do que foi sua trajetória como jornalista.

Renato Rovai
contextolivre.com.br

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