sexta-feira, 2 de junho de 2017

CULTURA: Secretaria ocupada é ápice da crise entre Sturm e agentes culturais

Fachada da Secretaria
por Beatriz Drague Ramos e Filipe Vianna* 

Marcada por falta de diálogo, relação entre secretário de Cultura de Doria e setor azeda de vez após chefe da pasta ameaçar integrante de coletivo.

Quando foi escolhido por João Doria  para assumir a Secretaria Municipal de Cultura, André Sturm, ex-diretor do Museu da Imagem e do Som, prometia ser uma das indicações mais coerentes do prefeito eleito para comandar uma pasta. Após seis meses de mandato, o secretário tem mostrado pavio curto, postura que leva até mesmo quem confiava em seu trabalho a pedir sua demissão. 

As críticas de agentes culturais a Sturm pela falta de diálogo com o setor têm se acumulado ao longo dos últimos meses. Atingiram seu ápice na quarta-feira 31, quando ao menos 50 integrantes de movimentos e coletivos culturais decidiram ocupar a sede da secretaria para pedir a saída imediata do chefe da pasta.

"Fiquei feliz com a entrada do Sturm, pelo histórico que, gostem ou não, ele teve na cidade", lembra Rafael Ferro, integrante do grupo de teatro Redimunho e um dos participantes da ocupação da Frente Única da Cultura de São Paulo (FUC). "Hoje, penso que o melhor seria sua saída." 

Principal incômodo do setor com a pasta da Cultura, o congelamento de verbas da prefeitura para programas soma-se agora à revolta da classe com a atitude do secretário de Doria de atacar de forma destemperada o agente de cultura Gustavo Soares em uma discussão.

Em meio à uma reunião na segunda-feira 29 entre o secretário e Soares para debater a gestão do espaço Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, Sturm perdeu a compostura ao ser confrontado. "Vocês querem fazer esse discursinho babaca. A gente não tá conversando. Você é um chato, rapaz!", disse, entre outras grosserias.

Chamado de "desequilibrado" pelo agente, o secretário apelou. "Se falar assim, vou quebrar a sua cara. Isso mesmo, vou quebrar a sua cara." Posteriormente, Sturm reconheceu o erro e pediu desculpas, mas não foi o suficiente para evitar a pressão por sua saída.   

Desde o início do ano, integrantes da FUC têm se manifestado contra o congelamento das verbas da Cultura e contra a privatização de equipamentos públicos. Eles pedem ainda uma participação mais ampla nas decisões da secretaria e a ampliação dos repasses para a área.

"Estamos ocupado a secretaria principalmente contra uma atitude arbitrária e agressiva do secretário, que ameaçou um companheiro nosso, mas estamos organizados desde fevereiro deste ano, assim que surgiu o congelamento de mais de 40% da verba da Cultura", afirma a produtora e pesquisadora Inti Queiroz, integrante da FUC (assista ao vídeo no topo da matéria)
Ocupação na Secretaria de Cultura
Agentes culturais ocuparam a sede da pasta após ameaças de secretário a Gustavo Soares (Foto: Rovena Rosa / ABr)

Neste ano, a Cultura sofreu um congelamento de 43,5%. No fim de 2016, movimentos culturais defenderam que 3% do orçamento geral fosse para a Cultura, com metade destinada à periferia da cidade, mas a porcentagem não chegou a 1%. O corte é o quarto maior entre as 22 secretarias, apesar do orçamento da Cultura já ser bastante modesto.

A falta de diálogo e impasses nas negociações não são de hoje. Em 21 de março deste ano, o artista popular Aloysio Letra foi à Galeria Olido para uma reunião com Sturm com o objetivo de debater o programa da prefeitura de fomento a grupos de dança. Segundo Letra, o secretário não aceitou sua presença na reunião.

Fonte: Carta Capital

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