quarta-feira, 28 de junho de 2017

Transcrição da PF indica que Temer agiu para favorecer JBS no BNDES

Foto: Lula Marques/AGPT
 
Jornal GGN - A afirmação de Joesley Batista, da JBS, de que o presidente Michel Temer teria atuado para favorecer sua empresa no BNDES, é apoiada por uma transcrição feita pela Polícia Federal da gravação da conversa entre Batista e Temer. 
 
Um dos trechos do áudio, o empresário afirma que Gedder Vieira Lima (PMDB), ex-ministro, falou a respeito de “todo empenho e esforço” sobre “aquela operação” envolvendo o BNDES, ao que Temer responde: “Sabe que eu fui em janeiro pressionar (ininteligível)”. Um pouco depois, Joesley afirma que “não deu de um jeito, mas de do outro, tá e pronto, deu certo”. 
 
O diálogo estaria relacionado com a reorganização societária da companhia, que queria transferir sua sede para a Irlanda e os negócios com suas ações para a bolsa dos Estados Unidos. Depois de análise da área técnica, o BNDES se manifestou contra a operação e exerceu seu direito de veto. 
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Em outubro de 2016, ao divulgar a posição do banco, as ações da JBS caíram 11%. Para conseguir o que queria, a JBS fez a listagem de recibos de ações de uma subsidiária nos EUA, mas manteve a sede da empresa no Brasil e ações na bolsa brasileira. 
 
Esta ação teve o apoio do BNDES e foi anunciada publicamente no início de dezembro, antes da data que Temer teria agido a favor da empresa no banco. 
 
O laudo da PF também aponta que Temer contou que chamou Maria Silvia Bastos Marques, que presidia o BNDES, para explicar a solução encontrada para empresa de Joesley.
 
"Eu chamei e ela veio me explicar. Dai (ininteligível). 'Aquele (ininteligível) da JBS, deu pra fazer (ininteligível)?', 'Nós fizemos de outro jeito que deu certo'", diz Temer, citando a então mandatária do banco, que deixou o cargo em maio deste ano.
 
Neste mês, após entrevista de Joesley na Época, Temer se defendeu afirmando que o empresário tinha “portas fechadas para seus intentos” em seu governo
 
Em nota divulgada após publicação de entrevista de Joesley Batista à revista "Época" de 16 de junho, em que o empresário reforçou as acusações que fizera em acordo de delação premiada, Temer disse que, em seu governo, Joesley tinha "portas fechadas para seus intentos".
 
"Em relação ao BNDES, é preciso lembrar que o banco impediu, em outubro de 2016, a transferência de domicílio fiscal do grupo para a Irlanda, um excelente negócio para ele, mas péssimo para o contribuinte brasileiro”, disse o presidente por meio de nota, relembrando das perdas acionárias da JBS e afirmando que “havia milhões de razões para terem ódio do presidente e de seu governo."
 
O BNDES explicou que sua ex-presidente participou de reunião em outubro do ano passado com Temer e os diretores jurídico e de mercado de capitais do banco para tratar da operação da JBS, e disse que o “presidente somente ouviu informações” sobre o veto e que não solicitou que a decisão fosse alterada. 
 
De acordo com o jornal Valor Econômico, o BNDES afirma que o veto foi informado à JBS em 16 de setembro, mas a empresa só divulgou o fato ao mercado dois dias depois da reunião entre Maria Silvia e Temer, no final de outubro.

Fonte: Jornal GGN

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